BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

7 de junho de 2015

BAUHAUS: UM CONCEITO QUE TRANSPÔS ÉPOCAS




Quando fundou a Bauhaus, que significa "Casa de construção", o arquiteto Walter Gropius (1883-1969) criou uma instituição de ensino com ideias de vanguarda, em uma época onde o mundo enfrentava séria crise econômica. 
É constituída pela fusão da antiga Academia de Belas-Artes e da Escola de Artes e Ofícios de Weimar (Kunstgewerbe) por Walter Gropius, seu fundador e também diretor. 
Foi uma influente escola de arquitetura e artes aplicadas na Alemanha. Walter foi mentor de uma geração de arquitetos que mudou o design das construções em todo o mundo e que se faz presente até hoje, nos estilos e funcionalidade de projetos arquitetônicos modernos. É considerada um divisor de águas entre uma arquitetura mais rebuscada e cheia de excessos ornamentais, anterior ao século XX e a estética mais limpa, iluminada e simples da Bauhaus. 
Situada no período entre-guerras, a Bauhaus foi grande colaboradora na reconstrução das cidades destruídas pela 1ª Guerra Mundial. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. No primeiro manifesto da Bauhaus, publicado em 1919, Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora. "Não há diferença entre o artesão e o artista, mas todo artista deve necessariamente possuir competência técnica", dizia o fundador da Bauhaus. 
A “Staatliche Bauhaus” , como era chamada, foi um acontecimento cultural importante e determinante durante a República de Weimar. Como centro de produção cultural e intelectual, enfrentou sérios problemas políticos e ideológicos. Passou por Dessau e encerrou suas atividades em Berlim. A Bauhaus foi um ideal de vários homens, nomes importantes que por ela passaram. Gropius traçou as primeiras linhas do projeto e teve a presença de professores e artistas, de diversas formações , que o ajudaram a colocar em prática o ideal da escola. A Bauhaus foi uma experiência pedagógica no domínio das artes, do artesanato, do design e da arquitetura, que ultrapassou as dimensões físicas como escola, e transformou-se num movimento cultural e artístico internacional. 
As discussões internas da Bauhaus, giravam em torno de objetivos pedagógicos comuns, “naturais” num centro que congregava expoentes tais como Johanes Itten, Lásló Moholy-Nagy, Paul Klee, Wassily Kandinsky, Josef Albers, Gunta Stölzl, Herbert Bayer e Marcel Breuer. As divergências de pensamento contribuíram sobremaneira para reestruturações curriculares e transformações programáticas durante a sua curta e intensa existência. Uma de suas contribuições mais significativas foram as concepções pedagógicas, particularmente a prática da pedagogia da ação. Através das oficinas o ensino prático ganhava força. As disciplinas eram ligadas ao desenvolvimento de projetos. Nas escolas de design, a preferência ao ensino através do fazer prático vinha antes de uma possível contribuição teórica. Na Bauhaus, a execução dos trabalhos baseava-se na “maneira de se fazer as coisas”. O programa de ensino era constituído de dois objetivos básicos: a síntese estética e a síntese socialO primeiro objetivo referia-se à integração de todos os gêneros artísticos e de todos os tipos de artesanato sob a supremacia da arquitetura. O segundo referia-se à orientação da produção estética de acordo com as necessidades de uma faixa mais ampla da população, e não de uma camada social e economicamente privilegiada. Novamente reportando-se a um contexto histórico específico, ou seja, o cenário do pós-guerra. O programa da escola em 1919, apresentava o trabalho artesanal como um componente essencial. Gropius dizia que “o artesanato não era algo isolado mas um meio imprescindível para se chegar a um fim”. 



Para ele, o artesanato constituía uma categoria pedagógica fundamental e representava a forma como o indivíduo aprendia, através do uso das mãos e do manejo técnico dos objetos – influências puramente ativistas. Para Gropius, por mais industrializado que fosse o meio, o artesanato continuava sendo insubstituível enquanto recurso para a aprendizagem. Isto, de certa forma, estabelecia os vínculos das pedagogia da Bauhaus com a pedagogia da ação. A formação artesanal gráfico-pictórica e a formação teórico-científica, constituíam as bases do ensino na Bauhaus. No estatuto de 1921, estas diretrizes foram repetidas, especialmente a noção de educação de todos no artesanato como base unificante. A principal inovação no programa daquele ano foi a institucionalização do curso preliminar, também denomidado de Vorkurs, onde Vor=anterior, antes e Kurs=curso. O ensino do design ganhou novos prismas a partir de então. O curso preliminar permitia ao aluno um autoconhecimento e assegurar-lhe a compreensão das questões fundamentais da criação. O curso preliminar surgiu também como medida corretiva para aproximar artistas e técnicos. Através da prática manual e artística, a estrutura curricular da Bauhaus pretendia incentivar e liberar as forças criativas do indivíduo, bem como promover através da criação, a expressão espontânea e sem inibições de caráter estético ou temático. Propiciava em suas aulas o exercício das habilidades manuais, do intelecto e do emocional, através dos livros e dos trabalhos manuais principalmente. Com fortes características do movimento da Escola Nova, a Bauhaus inovou levando o método para um outro público, o adulto e específico no campo artístico. Tanto em um movimento, como outro, o trabalho manual era considerado o meio mais apropriado para a formação integral do indivíduo. Havia preocupação com o desenvolvimento da sensibilidade do aluno, valorização da educação pelo trabalho e a educação era concebida como um meio para a reforma social. Walter Gropius reuniu pessoas altamente capacitadas em uma instituição. Homems e mulheres, entre alunos e professores uniam-se no ideal de esnino proposto pela Bauhaus. Com habilidade trouxeram para o ensino superior das artes e do design os princípios da pedagogia da ação trazendo com ela uma proposta da formação integral do indivíduo. Em 1925, o governo cortou os subsídios da escola provocando sua transferência para outra cidade, Dessau, também no leste alemão. Lá se construiu uma universidade seguindo os planos de Gropius, que foi fechada pelos nazistas em 1932. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior, além de publicações. Quando a perseguição nazista se acirrou, seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos. Hoje, a Bauhaus de Weimar é uma escola superior, enquanto Dessau abriga a Fundação Bauhaus.




AS FASES DO CURSO NA BAUHAUS



Havia liberdade de criação entre professores e alunos. Esta liberdade restringia-se à exigência de que todas as criações devessem ser unidas pela filosofia de um ideal comum. O currículo da Bauhaus dividia-se em três fases:
1ª FASE - O primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. Os estudantes eram introduzidos à filosofia de trabalho da Bauhaus, bem como desvinculavam-se dos métodos e das visões estéticas, idéias de “belo” aprendidos nas escolas primárias e secundárias da época. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel, da Academia de Stuttgart. Constituía-se de uma preparação para a próxima etapa de estudos. O Vorkurs - literalmente curso preparatório - era um curso exigido a todos os alunos e ministrado nos moldes do que é o moderno curso de Desenho Básico, fundamental em escolas de arquitetura por todo o mundo. Não se ensinava história na Bauhaus durante os primeiros anos de aprendizado, porque acreditava-se que tudo deveria ser criado por princípios racionais ao invés de ser criado por padrões herdados do passado. Só após três ou quatro anos de estudo o aluno tinha aulas de história, pois assim não iria influenciar suas criações. 
2ª FASE - Nesta etapa eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados, como projetos industriais, pintura, escultura, arte publicitária, teatro, arte cênica e dança. Ao concluir esta fase, o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Um dos objetivos principais da Bauhaus era unir artes, produzir artesanato e tecnologia. A máquina era valorizada, a produção industrial e o desenho de produtos tinham lugar de destaque. O trabalho prático nas oficinas foi a peça central da formação na Bauhaus. Como o ofício foi chamado na época da Bauhaus de Weimar aprendiz, artífice e mestre. Em geral, os alunos dispensados ​​após três semestres de seu exame final. Só depois de uma introdução à Formação de Construção e da conclusão do certificado do mestrado foi fornecida. Os alunos trabalhavam com madeira, metal, cor, tecido, barro, pedra e vidro.
3ª FASE - O currículo direcionava os estudos para o ensino da Arquitetura. O processo envolvia a observação e conhecimento de problemas referentes à construção de casas e edifícios. Os alunos que nesta fase se destacavam, eram orientados a seguir pesquisas individuais no Departamento de Pesquisa da Bauhaus, segundo Sabóia em seu texto. As questões relacionadas à forma e ao artesanato continuavam a ser desenvolvidos nesta etapa do curso. Os alunos recebiam então o Diploma de Mestre da Câmara de Artesanato ou de Mestre da Bauhaus, cujas diferenças na titulação dependiam da pesquisa realizada pelo aluno durante o curso.



Interessante não? Um projeto de socialização da arte, de popularização e do acesso democrático aos bens culturais.
Abaixo, podem pesquisar mais sobre o assunto.


Bom domingo!
Dagmar




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
DICIONÁRIO OXFORD DE ARTE. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 
SABÓIA, Lygia. A Bauhaus. Módulo 5 do Arteduca/IdA/UnB 
STRICKLAND, Carol, Ph.D., Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Modernismo. Ediouro: Rio de Janeiro, 2002. 

29 de março de 2015

NÃO TEMOS A NOÇÃO DAS ONDAS QUE PRODUZIMOS...

No fundo, sempre desconfiei disso... rsrsrs. Acredito muito nas ondas que propagamos. Tudo o que fazemos e dizemos, de certo modo atinge aos que estão próximos de nós. Contudo acredito ainda, que não só apenas aqueles de nosso círculo familiar , de amizades e profissional, mas por meio deles e de seus próximos - seguindo nesta lógica - formamos uma grande corrente de sentimentos, pensamentos, atitudes, ideias e o que mais pudermos propagar enquanto humanos que se [inter]relacionam. Então, um belo dia estava "eu" professora de arte, diante de um imenso universo de desafios, com a cabeça repleta de ideias, grupos escolares de distintas faixas etárias e cheia de medo do desconhecido. Com vontade e dedicação, tudo dá certo e tudo se torna sempre muito gratificante. O sucesso dos nosso empreendimentos é estreitamente ligado ao quanto amamos o que fazemos e, ao tempo que dedicamos para desempenhar o nosso melhor. Ninguém sabe tudo, nem nasce sabendo... felizmente nós aprendemos na caminhada. Erros e acertos fazem parte. Muito mais erros do que acertos, mas... ainda bem! Porque nos testam o tempo todo. Até onde somos capazes de chegar, persistir, nos dedicar? Até o acerto? Quem sabe... ninguém melhor que a gente mesmo, e na maioria das vezes os outros é que são nosso termômetro. De repente me vi em meio a tantos alunos, tantas mentes diferentes, tantas expectativas... e aí, professora? Acho que a paixão pela arte sempre foi a mola propulsora do estudo, da pesquisa, da oportunidade e da satisfação em vencer cada desafio. Um dia me vi em apuros de verdade e sou grata por isso. Pois senti sede, e pude saciá-la com auxílio de muitas pessoas próximas a mim, novamente em uma grande rede de comunicação! Leitura, sala de aula, blog, estudos, projetos, sala de aula novamente, tombos, saltos e muitas vivências malucas e maravilhosas - sim, porque as crianças nos permitem isso - em meio à ideias e perguntas infindáveis que iam de... "Van Gogh morreu virgem professora?" a... "nossa, Picasso decaiu heim... olha como ele pintava aos 15 anos e olha como pintava aos 53... aff". O que quero dizer com toda esta "ladainha" sentimental é que tudo o que se faz com amor produz ondas gigantescas e maravilhosas. Me alegra muitíssimo compartilhar com outras pessoas experiências que deram certo. A cada dia que entro no blog, me deparo com novos visitantes, mesmo tendo diminuido consideravelmente, a frequência das postagens. Rotina diferente, compromissos a mais, tudo muda e a roda da vida não pára... quem é que não sabe disso? Observo quais postagens são mais lidas, quais menos lidas... enfim, o que as pessoas pesquisam mais na internet sobre o ensino da arte e afins. percebi que uma das postagens mais lidas é GRAFISMO INDÍGENA e depois vem OS JESUÍTAS E SUA INFLUÊNCIA NO ENSINO E NA ARTE BRASILEIRA. As duas concorrem lado a lado, ora uma fica na frente, ora outra ganha a corrida! É quando percebo a natureza da carência, por informações, conhecimentos, ideias, experiências, aulas práticas... ufa! Enfim, tudo sobre arte para crianças.Afinal, projetos e planejamentos precisam estar em ordem e as aulas também e, uma das maiores dificuldades que encontramos enquanto professores de arte é sobre, como abordar determinados temas, para que se tornem atrativos  e promovam aprendizagem significativa. Troca, comunicação, aprendizagem mútua, cooperação e muita vontade de construir um mundo melhor é que torna o professor alguém especial!
Então hoje, quando acessei meu e-mail, vi que havia novo comentário aqui no Mania Colorida. Fiquei surpresa, feliz e emocionada ao mesmo tempo, quando um grupo de arte-educadoras de São Paulo,  que se auto denominam "Grupo Encontros" adaptou o projeto do Grafismo Indígena para suas crianças. Trouxeram outras abordagens e discussões para a roda, explorando bem mais esta rica temática que é a cultura indígena. Por fim, o tão desejado e esperado trabalho com as crianças resultou em um enorme painel com efeito supreendente e que valorizou cada etapa de desenvolvimento e da percepção da criança, sobre esta linguagem tão peculiar e cheia de simbolismos. Como diriam os internautas em seu "profundo internetês": WOW!!! Penso que uma forma muito carinhosa de agradecer, do fundo do meu coração é divulgar o blog do Grupo Encontros no Mania Colorida! 

Acessem o link


para conhecerem este lindo projeto de trabalho do grupo de mulheres que doa tempo, dedicação, carinho, conhecimento, muita alegria e amor pela arte à crianças de sua comunidade. Tomei a liberdade de apresentá-las!
É simplesmente encantador! Assim como também é encantadora esta energia e união de vocês!
PARABÉNS, MUITO SUCESSO E VIVA A ARTE EDUCAÇÃO!

As Super Poderosas da Arte Educação: "GRUPO ENCONTROS"

Com carinho,
Dagui

22 de julho de 2014

VOCÊ LARGARIA TUDO?

Interessante notar as insistentes aclamações nas redes sociais e na internet como um todo, sobre o tema "mude de vida", "seja dono de seu próprio negócio", "ganhe dinheiro trabalhando em casa"...
Isso só vem demonstrar um anseio antigo, que todos já devem ter experimentado: o de ser dono do próprio nariz. O fato é, quem não é dono de seu próprio nariz? Independentemente de onde se está, se está por opção, por escolha. Certo?
Mas a questão não é esta.
Hoje, mais do que em outras épocas, o foco é na administração de pessoas, de talentos, de capital humano. Foi-se o tempo em que a mão de obra era isso, mão de obra apenas. 
As pessoas querem mais. Anseiam por conquistas reais e positivas. Aquela viagem, a casa própria, o primeiro carro... mas principalmente realizar-se profissionalmente. Embora tudo esteja ligado ás necessidades básicas das pessoas e o trabalho em si, se mova em torno delas, não se pode negar que a satisfação pessoal no ambiente de trabalho move montanhas.
Descobrir o que nos dá prazer e levar isso adiante, como fonte de renda e satisfação também profissional, porque não? Experimente planejar uma mudança.
Você decide! 

Um ótimo dia.




Planos alternativos de carreira: é hora de partir para um negócio próprio?


Atire a primeira pedra quem nunca pensou em largar a vida corporativa e ser dono do próprio nariz. Horários inflexíveis, relatórios sem sentido, chefes intolerantes, tarefas repetitivas, clientes intransigentes, viagens, colegas mal humorados, reuniões intermináveis e funcionários que só fazem reclamar são parte da extenuante rotina, existente desde os tempos de Adam Smith, defensor dos benefícios da divisão do trabalho. De uma maneira menos robotizada e com supervisão mais branda, a verdade é que continuamos a vender nossa mão de obra por pelo menos oito horas diárias, tal qual Charles Chaplin em Tempos Modernos.

A certeza do salário no final do mês, as férias remuneradas, o fundo de garantia, o plano de previdência, os bônus e as participações nos lucros, o plano médico e odontológico, o carro da empresa, a gasolina paga, a previdência complementar, o reembolso educação, o vale alimentação, a cesta básica, a licença maternidade e as demais regalias costumam pesar bastante, pendendo a balança para o lado original. Resignados, engolimos mais um sapo para a nossa coleção, sublimando nossa insatisfação até que o próximo ataque de inconformismo apareça.

Para completar a equação desfavorável, já se foi o tempo em que um profissional costumava passar a vida inteira em uma empresa. A maior competição trouxe a necessidade de reduzir custos, o que atrelada à menor lealdade de lado a lado fez com que executivos maduros e qualificados disponíveis no mercado se tornassem lugar comum. Sem ofertas de trabalho adequadas ao seu perfil, acabam partindo para o plano B sem preparação prévia, num momento em que suas finanças e mente encontram-se fragilizadas.

Uma saída para esta armadilha está no planejamento de carreiras alternativas, investindo parte de sua renda e tempo disponível em um novo negócio ou profissão enquanto ainda se está na ativa, construindo redes de proteção para a aposentadoria ou eventuais cortes de pessoal, além é claro da satisfação em conduzir um outro empreendimento. Para ilustrá-la, trago a experiência de Steve Jobs e do escritor Chris Guillebeau, autor da A startup de $ 100, cujo livro traz histórias inspiradoras de gente que fez esta transição. Vejamos algumas dicas.

Convergência: é a intersecção entre algo que você gosta de fazer ou é bom fazendo (de preferência os dois) e algo pelo qual as pessoas também se interessam ou estão dispostas a pagar. Um colecionador de soldadinhos de chumbo talvez não tenha um grande mercado. Enologia, gastronomia, trabalhos artesanais, jardinagem, esportes radicais e viagens por outro lado, costumam despertar o interesse de bastante gente. Quando a paixão ou a habilidade se encontram com a utilidade e uma proposta de valor atraente, há chances de um negócio interessante surgir.

Transformação de habilidades: diversos projetos começam com o uso de habilidades relacionadas. Para elucidá-la, pensemos em um professor. Em geral são bons não apenas lecionando, mas também em áreas como comunicação adaptabilidade e controle de pessoas, as quais podem ser utilizadas para abrir um negócio. Pense em você agora. Quantas vezes não ouviu ou disse para outra pessoa que era hábil em determinada atividade, mesmo sem exercê-la? Há ex-jogadores que se deram bem como treinadores, outros como comentaristas.

Juntar os pontos: a preocupação com planos alternativos de carreira costuma chegar com os cabelos brancos, quando decepções, frustrações, desafios e vitórias compõem o que chamamos de experiências passadas. Steve Jobs relatou de maneira perfeita este sentimento em seu famoso discurso proferido aos formandos de Stanford: “Você não consegue ligar os pontos olhando para a frente, só consegue ligá-los olhando para trás. Desta forma, há que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro”. Apesar disso, planejamento e objetivos claros não atrapalham.

Enfim, convergência mais transformação de habilidades mais juntar os pontos, costumam ser sinônimo de sucesso para iniciar um plano alternativo de carreira. Pare, pense e faça um inventário de suas habilidades, vocações e hobbies, assim como se desejaria torná-la uma profissão no futuro. Com relação a viabilidade, identifique eventuais lacunas no mercado que ainda não estão cobertas, como especialista no tema creio que não será difícil. Faça entrevistas com futuros clientes, converse com especialistas e parta para a ação. Cabe a você abrir mão de sua comodidade e zona de conforto, dedicando um pouco de seu tempo para construir seu futuro. Só não vale dizer que não sabia.
Texto de Marcos Morita 

26 de junho de 2014

OS JESUÍTAS E SUA INFLUÊNCIA NO ENSINO E NA ARTE BRASILEIRA

O Ensino dos jesuítas

O jesuíta, segundo Sala (2002, p.17), de todas as ordens religiosas que se instalaram no Brasil no Primeiro século de nossa história foi “a que melhor soube dotar seus membros de um equipamento intelectual adequado à sua missão”. Denominada como Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola e por São Francisco Xavier e introduzidos em Portugal no ano de 1521 por D. João III, receberam o Colégio das Artes e o Controle da Universidade de Coimbra. Foram designados para a tarefa de catequização e se empenharam a aprender a língua tupi, familiarizaram-se com os costumes indígenas e seus ritos a fim de conquistar sua confiança e então poder lançar mão dos preceitos católicos e converter o índio.
A ordem jesuíta foi a que mais se destacou por sua abrangência no território.


DA CONQUISTA À RETIRADA
Cena do filme "A missão"


O jesuíta, além de psicologicamente ativo pela idéia de catequese, é dotado de um aparato intelectual notável: sabe construir com terra, madeira ou pedra, conhece desenho e geometria, fala duas ou três línguas européias além do latim e se move tão à vontade nos trâmites dos negócios da corte quanto no convés de um navio. (SALA, 2002, p.17)

Veja a seguir, um trecho do filme "A Missão" de 1986, sob a direção de Roland Joffe e tendo em seu elenco Robert de Niro, Jeremy Irons e Lian Neeson retrata um importante período de nossa história e promove um resgate cultural fabuloso.

GABRIEL'S OBOÉ
cena do filme "A missão"

É importante destacar que outras ordens religiosas desempenharam este papel da educação no Brasil. No entanto, a Companhia de Jesus foi a que mais deixou registros que podem documentar sua atuação em terras brasileiras. Embora o objetivo principal desta ordem religiosa tenha sido a catequese, o processo demonstrou-se extremamente rico no que tange a construção da história artística brasileira. O envolvimento dos jesuítas na cultura indígena, de modo a conhecer suas lendas, crenças e histórias nativas forneceu subsídio para a utilização deste material na realização de festas, montagem de peças teatrais no intuito de convencer os indígenas da existência de um Deus e de um Demônio, do céu e do inferno.

Estes conhecimentos silenciosamente iniciaram uma espécie de “reescrita” da cultura indígena a ponto de trabalhar incansavelmente na tentativa de erradicação de alguns costumes considerados impróprios como a pintura corporal, os corpos nus, a poligamia e a antropofagia. Este processo de educação dos índios perdurou por cerca de dois séculos e meio. Neste período foram construídos colégios destinados à educação de professores, padres e de uma elite que seria de suma importância na disseminação do modelo cultural europeu na nova terra.

Contudo, acreditava-se que o trabalho dos jesuítas era genuíno e fiel aos preceitos cristãos e, por este motivo, acreditava-se que também não pretendiam praticar a erradicação covarde de uma cultura ou povo, mas a “salvação espiritual” da qual eram devotos, como nos apresenta Sala (2002),


Catequizar o gentil, enfrentar as heresias e combater os infiéis para maior glória de Deus. Não cabe aqui esmiuçar os antecedentes de cada uma dessas propostas históricas, mas são essas as reais origens da concepção missionária, que devem ser levadas em conta se quisermos entender numa perspectiva mais ampla o fenômeno das missões religiosas. (SALA, 2002, p. 42)
Este princípio tornou-os de certo modo “protetores” dos povos indígenas e passaram a dificultar o processo de escravização da mão-de-obra destes. Num dado momento, este fato passou a incomodar a Coroa portuguesa que ansiava pelo controle do território e, para isto, necessitava também da devoção e submissão dos índios à sua cultura.

A utilização da Arte como ferramenta de aproximação cultural e ensino de valores,ainda que usada no intuito educacional e catequizador, contribuiu significativamente para a construção da identidade brasileira na produção artística. Com tantos atributos e saberes manuais, os jesuítas em seu propósito de catequizar e “educar” o índio à cultura européia a fim de “domesticá-lo”, também lhe transmitiu fartos conhecimentos e ofícios ligados a Arte que deram o impulso inicial da produção genuinamente brasileira.
Durante boa parte do período que permaneceram na Colônia, os jesuítas detiveram-se no trabalho catequizador em meio aos povoados e junto às comunidades indígenas. Desta forma, puderam absorver consideravelmente a cultura local e, aos poucos, aproximar-se das crianças, dos adultos, bem como de seus líderes. Estreitaram laços e aprenderam a língua tupi-guarani. Este elo de comunicação permitiu que introduzissem novos hábitos, nova religiosidade e arrebanhassem para si a confiança dos mesmos.
Os jesuítas perceberam que esta forma de trabalho não surtia efetivamente um grande número de conversões. Estas não se consolidavam e era preciso manter o que fora conquistado, além de ser uma tarefa perigosa e árdua. Encontraram então nas missões um caminho mais sólido para a “pregação” e conversão dos novos fiéis. Estabeleceram então pontos missionários retirados dos povoados, onde colonizadores não pudessem ter fácil acesso a fim de praticar a escravidão dos índios.


Trailer do filme "A missão"


Nestes locais, os jesuítas começaram um processo de estruturação social do indígena. Nestes espaços haviam locais destinados ao desempenho de tarefas distintas como, comer, dormir e trabalhar. Começaram a separá-los por famílias e cada uma tinha seu espaço reservado, ao contrário do que acontecia nas ocas, onde todos permaneciam juntos e realizavam tudo no mesmo local. O tempo e o espaço começaram a ser redefinidos e organizados para que tivessem uma vida e hábitos “regrados” de acordo com o costume europeu.

Cena do filme "A missão"
Seria esta, uma mistura ou sobreposição de culturas? Fica a pergunta.


Dentro das missões, os indígenas aprenderam técnicas de trabalhos manuais e ofícios destinados a sua mantença e subsistência. As artes integravam grande parte de suas atividades cotidianas. O canto, a manipulação de instrumentos musicais, bem como a fabricação dos mesmos, ficava a cargo dos índios. O resultado desta atividade, embora totalmente voltada aos preceitos cristãos, enriqueceu consideravelmente a cultura local e contribuiu para a configuração de nossa produção de arte ao longo da história.



Influência do ensino dos jesuítas


O jesuíta transferiu para os indígenas seus conhecimentos e habilidades com o qual construíram suas moradias e ergueram inúmeras igrejas. O trabalho com a madeira no ofício da marcenaria dava espaço à produção de móveis, instrumentos musicais, entre outros utensílios e objetos de uso diário. No âmbito desta produção, verifica-se as “inovações” como detalhes ornamentais moldados com o barro no interior das igrejas e entalhes rústicos na mobília e artefatos de madeira.

NAS MISSÕES
cena do filme "A missão"

Por volta de 1557 apareceram as primeiras manifestações teatrais no Brasil. A utilização de elementos da cultura nativa e sua junção com os preceitos católicos e pedagógicos constituíram estas manifestações na Colônia. A iniciação da arte dramática brasileira se deve principalmente ao Padre José de Anchieta. A música e a dança indígenas, bastante expressivas, atraíram os jesuítas e logo houve uma fusão entre a música européia trazida por eles e as influências nativas. Também nesta época foram produzidas grandes quantidades de artesanato como tapetes, luminárias, móveis, utensílios de cozinha, moringas e outros artefatos. A arquitetura das igrejas, seu estilo e imagens presentes tinham destaque. Coloridas deram origem à pintura brasileira.
Ainda assim, segundo D’Araujo (2002), são quase que inexistentes os registros sobre a produção artística deste período da história brasileira. O que se sabe, advém do depoimento de viajantes, estrangeiros e missionários que viveram em meio a esta efervescência. O autor detalha ainda que, nos anos quinhentos os Colégios Jesuítas foram amplamente decorados com estatuárias de santos e ícones da Igreja Católica, ressaltando e criando ambientação propícia à meditação e direção da fé religiosa ao cristianismo.
Por volta do século XVII, com o crescimento expressivo dos povoados e com a larga produção de ouro, surgiu um grande número de comerciantes, artesãos, pequenos empresários e uma nova classe social dava seus sinais. Um considerável público para produções artísticas era formado. Assíduos de residências ricas onde realizavam-se saraus, também presenciavam o uso cada vez mais freqüente de instrumentos musicais. Estes grupos de novos apreciadores contribuíram para o surgimento de instituições laicas ligadas à Igreja Católica. As irmandades e ordens terceiras, como eram denominadas, formadas por leigos da igreja favoreceram o surgimento de grande parte dos templos setecentistas.
Estas irmandades eram economicamente ricas, como a igreja São Gonçalo e cada uma procurava se destacar mais do que a outra. Investiam vultosas quantias na ornamentação dos templos e foi quando então houve de fato a grande contribuição para o crescimento do patrimônio de arquitetura barroca religiosa. O que posiciona o Brasil no quadro de importante grandeza internacional.
 Estes acontecimentos tiveram maior destaque em algumas regiões do país como as Minas Gerais, Bahia e estados do sudeste e nordeste brasileiro.
Neste período destaca-se em Minas Gerais um importante ícone na produção artística brasileira. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, mulato, filho de português com escrava negra, mesmo com grandes limitações físicas, revelou-se extremamente habilidoso na escultura e enriqueceu sobremaneira com a sua arte os templos ressaltando o barroco-rococó mineiro. Também Manuel da Costa Ataíde, que viveu depois de Aleijadinho, foi o nome mais expressivo da pintura brasileira. Esta “mistura” cultural favoreceu uma produção artística local que ressaltava simultaneamente símbolos religiosos e profanos que engrandeceram a arquitetura religiosa barroca.

Através da arte, começam a surgir sinais evidentes desta fusão cultural entre europeus, índios e negros, que dá vazão à produção brasileira.
No século XVIII, mais precisamente em 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal, deixaram para trás um trabalho que teve um papel de grande relevância no desenvolvimento artístico. Com eles cresceram as vilas e povoados, bem como igrejas, colégios e missões, seminários onde se praticavam a retórica, o latim, a leitura e a escrita, bem como a filosofia.
É inegável a herança cultural que permanece até os dias de hoje da colonização, mas também é evidente que toda esta construção foi a responsável pela extinção de uma cultura originalmente brasileira e anterior a esta. O processo de civilização do povo indígena determinou o fim quase que absoluto da cultura original de uma civilização culturalmente rica e nativa de nossa terra. Não seria errôneo afirmar que este é um dos pilares da matriz cultural brasileira, a origem de nossa arte e que recebeu influência de outros povos. Talvez a arte de outros povos entrou no Brasil e recebeu influência da arte indígena. A verdade é que os jesuítas e outras missões religiosas contribuíram muito para a elevação, propagação, organização e desenvolvimento de um estilo nacional, mesmo que influenciado pela cultura européia.

Os jesuítas, ainda que compartilhassem da cultura local e tomassem conhecimento dela, de modo a aprender seu idioma e permitissem fragmentos dela na música, nas artes plásticas, teatro e dança, enfatizavam uma visão etnocêntrica que favorecia a educação européia.
Maria Lúcia de Arruda Aranha diz que esta prática “fez com que sempre se desprezasse a cultura popular, influenciada pelos indígenas e negros e que permaneceu marginal e condenada à expectativa de homogeneização, uma vez que a cultura erudita e europeizada era o modelo a ser seguido.”
Fazendo um paralelo desta afirmação com a fala da Arte Educadora Ana Mae Barbosa em sua vivência com relação à elaboração de currículos de arte contemporâneos, é possível perceber nitidamente a herança cultural que permeia o ensino desta área do conhecimento:
No que diz respeito à cultura local, pode-se constatar que quase sempre apenas o nível erudito dessa cultura é admitido na escola. As culturas de classes sociais economicamente desfavorecidas continuam a ser ignoradas pelas instituições educacionais, mesmo pelos que estão hoje envolvidos na educação dessas classes. (BARBOSA, 2008a, p.19-20).
Podemos constatar que permanece, até hoje, a perpetuação das raízes coloniais no que se refere à transmissão do conhecimento artístico e que influencia diretamente na escolha do que “deve” ser abordado em sala de aula e o que é ainda hoje considerado “relevante”. Percebe-se aí um constante processo de se sobrepor uma cultura à outra por graus de importância. Seria a continuação da aculturação praticada pelos europeus sobre os povos indígenas?
No contexto histórico colonial, havia uma demanda que solicitava de alguns segmentos da sociedade o preparo para o trabalho. Isto ocorria através de uma educação informal. Apesar de não existirem ainda processos regularizados e formalmente estruturados para este ensino, existiam “escolas-oficinas” destinadas à formação de artesãos e outros ofícios. Estas escolas eram de iniciativa dos jesuítas. Embora nas missões este ensino já existisse, nos centros urbanos a realidade era outra. Segundo Cunha, “a raridade de artesãos fez com que os padres trouxessem irmãos oficiais para praticarem aqui sua especialidades, como também, e principalmente, para ensinarem seus misteres a escravos, homens livres, fossem negros, mestiços e índios” .

Contudo, permaneceu o desprezo pelo trabalho manual que, sendo ofício de escravos, índios e pobres, recebia a conotação de “trabalho desqualificado”.
Ainda no período do século XVII, o Brasil colonial se manteve “estacionado” se comparado ao progresso metropolitano europeu que avançava rapidamente, inclusive no âmbito cultural. Em decorrência também da Reforma Protestante, a Europa sofreu transformações sociais que influenciaram a educação. Enquanto isso, na Colônia predominava o ensino jesuíta que disseminava o pensamento católico e provocou a unificação do ensino no Brasil. Houve um nivelamento do ensino, na tentativa de tornar iguais, os “diferentes”.
Um fato bastante relevante e que influenciou certa mudança no panorama artístico e nas características da tradição colonial foi a invasão de Pernambuco pelos holandeses. Recife sofreu uma remodelação recebendo em sua paisagem, palácios, pontes, canais, lojas, oficinas e até um certo clima de tolerância religiosa. Tudo se deve ao fato de o príncipe Maurício de Nassau cercar-se de arquitetos, artistas e intelectuais que contribuíram para estas mudanças que propiciaram o desenvolvimento de uma cultura local diferente da dos jesuítas. Isto viria a favorecer considerável abertura e descentralização da produção artística, até então focada no sagrado.
Nassau, ao contrário da política praticada no restante da colônia, não pretendia utilizar a técnica da exploração de matéria-prima para enviar à Companhia das Índias, mas contribuiu para o desenvolvimento local e melhorias para a qualidade de vida da população de Olinda e Recife, bem como de seus arredores. Na comitiva de artistas que trouxe consigo estava Albert Eckhout, que em cenas do cotidiano retratou negros e índios, inclusive com os corpos nus.
Sob o olhar jesuítico, suas produções seriam consideradas profanas e “imorais”. Já no Rio de Janeiro, a pintura teve forte influência dos beneditinos e dos jesuítas. No período que compreende os séculos XVII e XVIII, surgiram grandes obras primas da arte religiosa brasileira. Dentre os artistas desta época destacou-se Manuel Dias de Oliveira Brasiliense, conhecido como “o Romano”, pintor retratista da família real. Um pouco antes da chegada de D. João VI e sua corte, o Rio de Janeiro estreitava relações com a metrópole portuguesa, recebendo algumas importantes influências na arquitetura advinda do Iluminismo europeu.
A área artística já desfrutava de uma abertura mais flexível e de certa autonomia nas temáticas das produções. Já faziam parte do rol de artistas da época, leigos e integrantes das confrarias e irmandades,bem como um grande número de escravos ou mulatos. Evento este que se ligava diretamente à transformação cultural das obras artísticas da época.

A temática considerada profana surge ao final do século XVIII. “A pintura aparece já como um fim em si mesmo e não mais como complemento decorativo religioso” (D’Araujo, 2000, p. 22). Evidentes sinais de mudança apresentam-se com a criação de um espaço para o ensino de desenho no Rio de Janeiro no ano de 1800. “Uma Classe de desenho e figura, criada por decreto real, sendo designado para dirigi-la Manuel Dias de Oliveira (o Romano), precursor do ensino artístico no Brasil.” (D’Araujo, 2000, p. 22).

Deste período até a chegada da corte portuguesa, o Rio de Janeiro recebeu fortes contribuições e incentivos no que se refere à atividade cultural carioca, com o surgimento de instituições, liberação da venda e leitura de livros. D’Araujo (2000) destaca que “os jesuítas possuíam gráficas clandestinas no país” e que “já não era considerada crime a edição de livros e jornais”, p.22.

Estas mudanças fomentaram a vinda de artistas europeus, sobretudo de músicos italianos, portugueses e austríacos para compor o grupo que formava a orquestra da Capela Real, dirigida pelo Padre José Maurício. O Real Teatro São João fora a primeira casa de espetáculos brasileira e surgiam também os primeiros cursos superiores. Havia uma preocupação de aproximar o ambiente colonial ao ambiente europeu que já vivia a efervescência cultural influenciada pelo Iluminismo e pela abertura religiosa favorecida pela Reforma Protestante que também possibilita novos “ares” para o cenário educacional. Permitiam-se discussões filosóficas para além das temáticas religiosas, trazendo à tona a produção grega que durante a Idade Média permaneceu “escondida” e inacessível por conta do domínio da Igreja Católica.
A Europa como um todo recebia desenvolvimento, crescimento, expansão comercial e política. Centros urbanos eram construídos e firmavam-se grandes instituições de ensino laico e religioso que se tornam ícones de referência mundial.

A Colônia, de certo modo, desejava acompanhar este ritmo. Principalmente nos anos que sucedem a chegada de D. João VI e sua corte ao Brasil. Pode-se dizer que a Colônia remodelou-se para receber toda esta gente oriunda de uma Europa modernizada e em franco desenvolvimento se comparada ao que existia no Brasil.

A diferença, ou o limite entre o que se considerava arte "superior" ou "inferior" acentua-se cada vez mais. Tanto, que ainda permanece arraigada em nossa cultura até os dias de hoje. Conceito que felizmente vem recebendo novas tendências e novo tratamento pelo governo nacional. Mas este assunto dá um outro artigo muito interessante e que em breve devo postar aqui.


Texto: Dagmar Amsberg
2009: São Paulo

PARA SABER MAIS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e do Brasil. São Paulo: Moderna, 2006.
ARAÚJO, Antônio Luiz d’. Arte no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Revan, 2000.
BARBOSA, Ana Mae . A imagem no ensino da arte. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008a.
BARBOSA, Ana Mae (org.). Ensino da arte: memória e história. São Paulo: Perspectiva, 2008b.
BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008c.
GOMES, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta, 2007.
SALA, Dalton. Ensaios sobre arte colonial luso-brasileira. São Paulo: Landy, 2002.

Boa leitura!

O SUBLIME...

“[...] não, eu não tenho um caminho novo, o que tenho de novo,
é o jeito de caminhar.”
Thiago de Mello 1985, p.19
“Pegadas de Guache sobre papel Kraft”
Atividade realizada na Educação Infantil com uma turma de Jardim I / 2008
(HOLM, 2007)





O SUBLIME
A narrativa imprevisível está além de nossa compreensão. Se assumirmos que o sublime é algo que não podemos compreender; algo maior do que nós e sem limites, posso afirmar que tenho passado por recorrentes situações de narrativas sublimes com as crianças.

As crianças precisam sentir-se seguras para que o sublime aconteça. Se nós permitirmos o espaço e as oportunidades para a ocorrência do sublime, as crianças irão automaticamente experimentar um dia-a-dia artístico.

Nós, adultos, sempre temos em mente uma ou outra atividade para desenvolver com as crianças. Procuramos manter o foco em nossa idéia original.
As crianças, por seu lado, rapidamente descobrem novas possibilidades com os materiais apresentados e as relações entre eles. Nós continuamos tentando manter o foco em “nossa” atividade. Mas daí em diante é importante ousar ir além e ouvir: nós devemos ouvir as crianças.
Vejo nas entrelinhas tudo aquilo que não é nada.
Procuro sentir o sublime entre as crianças.
A narrativa sublime é como uma música que preenche o ambiente e depois desaparece.
Poderíamos até concluir que a atividade da oficina de arte é “apenas” um pretexto para o surgimento de novas relações e a expressão livre de nossos sentimentos. No entanto, ao mesmo tempo, as crianças estão ocupadas, usando as mãos.
Os materiais que são sentidos, tocados e manuseados não criam, necessariamente, uma “obra de arte” visível, mas “algo” próprio, que está além disso. Como adultos, precisamos melhorar nossa capacidade de ouvir. Ouse ouvir. Ouse sentir o que é sublime, o que vai além dos limites.
Gosto de estar no campo do desconhecido e imprevisível com as crianças.
Muito daquilo que considero artístico e criativo é o que geralmente se considera “bagunça” e acaba sendo recolhido ou jogado fora pelos adultos.
A narrativa sublime é varrida junto com o original, o diferente, o vivo e o não adestrado.
É aí que estão a energia e os valores artísticos, tudo o que as crianças inventam e as relações que estabelecem paralelamente às atividades de arte desenvolvidas.
O sublime é isso.
A CRIANÇA PEQUENA DEVE TOCAR E SENTIR OS MATERIAIS. A CRIANÇA APRENDE ATRAVÉS DOS SENTIDOS, TUDO É NOVIDADE.


Anna Marie Holm
Baby-Art: Os primeiros passos com a arte (p.6-7)
MAM e Editora Moderna
Anna Marie Holm nasceu na Dinamarca em 1951.É artista e membro da Sociedade Dinamarquesa de Autores.

6 de março de 2014

O BRASIL DE POTEIRO

Mais uma vez, Poteiro encanta a todas as idades com os seus "BRASIS" neste imenso país! 
O Brasil de Poteiro promete emocionar... não deixe de visitar e convidar aos amigos!

A partir do dia 13 de março, no Museu de Arte de Goiânia



Programe sua visita e convide aos amigos!