BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

24 de dezembro de 2008

FESTIVAIS LITERÁRIOS

CIDADES LITERÁRIAS

Por Denise Mirás
Revista da Cultura
Edição 17 - dezembro de 2008



Em muitas cidades do interior do Brasil, ainda resistem comportamentos e hábitos de décadas e
até mesmo de séculos passados que servem de inspiração para qualquer visitante – principalmente se forem escritores e leitores. É por conta dessa sinergia que os festivais literários acabaram por se consolidar e se espalhar pelo mundo, atraindo uma boa quantidade de turistas. Em geral, os eventos podem variar em formatos, mas têm em comum o fato de acontecerem em cidades pequenas, muito charmosas e com forte carga histórica.Se a gaúcha Jornada Nacional de Literatura vem desde 1981, foram nestes anos 2000 que muitas outras cidades se animaram a organizar festivais, pontuando todo o Brasil: da praia de Porto de Galinhas à colonial Ouro Preto, dos arredores sertanejos de Fortaleza ao calor de Jaguariúna, ou ao frio de São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo... Freqüentador assíduo dos eventos, Ignácio de Loyola Brandão resume: “O de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, é o mais importante. Paraty é o mais badalado”, diz o ganhador deste ano da 50ª edição do Prêmio Jabuti – “o grande, e com um livro infantil!” – por conta de O menino que vendia palavras. Mas, na opinião de Marcelino Freire, autor de EraOdito, a multiplicação dos encontros vem como repercussão da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), “nascida” em 2003.O festival de Paraty faz parte de um fenômeno de expansão desses eventos, que não é exclusividade do Brasil. A Câmara Brasileira do Livro contabiliza, entre festivais e feiras, mais de 20 eventos literários pelo país neste ano. Ao redor do planeta, há outros 50, em diversas localidades da Europa e dos Estados Unidos. Há ainda pontos famosos como os de Mumbai, na Índia; Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia; ou Seul, na Coréia do Sul.APROXIMAÇÃO“Os festivais proporcionam uma aproximação efetiva entre escritores e leitores. Em Paraty é uma celebração, no dia-a-dia, nos encontros pelos cenários da cidade. Fala-se muito em declínio no número de leitores, mas não concordo. Ou os festivais podem mesmo ser uma reação a isso. No Brasil, nos últimos anos, têm surgido mais editores, com a diversificação de títulos”, afirma Flávio Moura, curador da FLIP deste ano. Didito Torres, da Associação Casa Azul em Paraty, coordenador de produção local da festa e nascido na própria cidade – que hoje soma 33 mil habitantes –, diz que o município se transforma. Pousadas, lojas e restaurantes ficam lotados e a população local, além de mais emprego, ganha motivação para se interessar mais pela leitura. Ele destaca o trabalho em escolas e pontos com livros pela zona rural que contribuem para a educação literária da população.Pelo lado dos freqüentadores, Sérgio Roveri, jornalista e autor de teatro – escreveu os famosos Abre as asas sobre nós e Andaime – diz que são vários os pontos positivos da FLIP, como organização, pontualidade, possibilidade de encontrar os autores, que lá não estão “blindados”, mas sim nos cafés, nos barzinhos. Além do convívio literário, da integração e do ambiente festivo, é possível “desestressar”, fazendo tudo a pé, sem trânsito nem pressa, porque os endereços estão lado a lado. “Não é um evento sisudo, para iniciados, ao contrário. E, para mim, o melhor de lá está nas ótimas surpresas que encontramos, em meio aos autores famosos e outros nem tanto”, afirma.O escritor Marçal Aquino, autor de Cabeça a prêmio, Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios e roteirista de Os matadores e O invasor, concorda. “Sempre fui favorável à idéia da aproximação escritorleitor, tanto que, durante mais de uma década, visitei escolas pelo Brasil inteiro, o que me ajudava a conhecer quem era o público dos livros juvenis que escrevia na época, o que pensavam esses leitores e até mesmo o que esperavam de um livro”, diz Marçal. “E hoje, diante da situação de verdadeira indigência da literatura, qualquer iniciativa que permita sua divulgação e a aproximação leitor-livro merece ser prestigiada”.
POR TODO O BRASIL
Aquino foi um dos convidados de mais um formato de festival aberto este ano: o da Mantiqueira, realizado em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. O evento fez parte de um projeto maior da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, como explica André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento e Difusão. “Nossa opção foi por uma cidade pequena e acolhedora, com uma estrutura mínima de hotéis e restaurantes e vocação cultural. E escolhemos o outono para valorizar o ambiente de montanha”, explica Sturm.Sidnei Pereira da Rocha é quem está à frente da Biblioteca Solidária, montada por ele mesmo e que foi um dos pontos de encontro do Festival da Mantiqueira. “Ficamos preocupados com a quantidade de pessoas que viriam, mas foi tudo muito tranqüilo. A organização até distribuiu toucas, cachecóis e capas, com o logotipo do Festival, para o caso de frio e chuva. A biblioteca teve filas imensas na frente, antes de abrir. Não parei das oito da manhã às nove da noite, nem para comer. Agora, a cidade já está ansiosa pela próxima festa.”Ignácio de Loyola Brandão, que em 1968 lançou Bebel que a cidade comeu e iria estourar em 1981 com Não verás país nenhum (com uma São Paulo de ruas tomadas por ferro-velho, resultado do engarrafamento total), há pelo menos 25 anos vem percorrendo festas literárias pelo Brasil. Para ele, “a mais séria e de maior alcance é a de Passo Fundo (Jornada Nacional de Literatura, em sua 12ª edição). Cinco mil pessoas, estudantes e professores de todo o país, se reúnem a cada dois anos e têm esse caráter multiplicador”.Loyola destaca também o Fórum das Letras de Ouro Preto, além de mais de meio século da Feira do Livro de Porto Alegre, a Bienal de Fortaleza, com os escritores percorrendo os bairros mais distantes da capital cearense, as fazendas, falando com as crianças. “Eles têm garotos que vão de bicicleta, levando livros nas costas, para pontos onde deixam os livros para buscar depois de 15 dias.”Loyola emenda com o Festival Literário de São Luís, no Maranhão, e o Encontro Natalense, em Natal, Rio Grande do Norte, além da Fliporto, em Porto de Galinhas, Pernambuco, a Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém do Pará, as feiras da gaúcha Caxias do Sul, da paulista São Joaquim da Barra...Fabiane Verardi Burlamaque, da comissão organizadora da Jornada de Literatura de Passo Fundo, destaca o diferencial do evento gaúcho, que é bianual: “Temos as pré-jornadas, com a divulgação das obras dos escritores convidados e seminários. Assim, nos encontros com os autores, os leitores chegam com as obras já lidas, para os debates, para as mesas-redondas, que são realizadas literalmente em um circo, sob a lona.”
Com a leitura prévia, os debates se enriquecem muito, como lembra Ignácio de Loyola. “É a feira com que todos os escritores sonham”, diz. “Chega a causar espanto nos estrangeiros.”Das jornadas de Passo Fundo participam desde os honoráveis membros da Academia Brasileira de Letras até as 12 mil crianças e adolescentes da Jornadinha. Depois de 26 anos nessa movimentação, Passo Fundo passou a ser conhecida como “a capital nacional da literatura”.
COMO ESTRELAS DO ROCK
Sobre os muitos festivais literários que vêm despontando, o curador da FLIP, Flávio Moura, observa que os escritores andam com as agendas lotadas, quase “como bandas de rock que fazem lançamentos e então partem para turnês”.Desde que lançou, em setembro de 2007, 1808, sobre a vinda da corte portuguesa de D. João VI para o Brasil, Laurentino Gomes deu mais de 200 aulas e palestras. “Estive em Jataí, interior de Goiás, onde falei com plantadores de soja; em Mossoró, interior do Ceará, Ipatinga, Governador Valadares, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Natal, Aracaju... As feiras estão se multiplicando.” Laurentino viu a imensa quantidade de leitores em potencial, que agora têm a oportunidade de convivência com o ambiente dos livros.“Em um mundo onde se disputa a atenção e – principalmente – o tempo das pessoas, é importante que o autor interaja com o leitor, escute críticas, sugestões e elogios. É tietagem mesmo, com pedidos de autógrafos, de fotos com celulares. O culto às celebridades está chegando à literatura! E pessoas simples vêm me dizer que não gostavam de história do Brasil, não gostavam de ler e passaram a gostar. É impressionante o poder transformador do livro na vida das pessoas”, comenta. “Por isso, a tarefa do escritor não se esgota quando entrega os originais para o editor. O contato com os leitores, depois, é o mais importante. E o mais divertido!”Com o 1808, o autor ganhou, agora em 2008, o Prêmio Jabuti de livro do ano na categoria não-ficção. Em 2010, espera entregar os originais do livro que falará da independência do Brasil. Por isso, terá de tirar um pouco o “pé na estrada, que proporciona a divulgação nos jornais locais muito depois do lançamento – quando saem as reportagens nos grandes jornais e tevês nacionais –, além do boca a boca”. “As pessoas gostam de recomendar livros e filmes”, observa Laurentino.E se nas feiras os autores sentem a “concretude do leitor, que deixa de ser uma entidade meio abstrata”, como assinala Flávio Moura, também têm chance de se libertar da rotina mais fechada do escritor e ainda de se conhecerem pessoalmente. No caso de Paraty, em passeios de barco, em jantares, no descanso nas pousadas. “O Neil Gaiman – inglês, conhecido dos amantes de quadrinhos pela série Sandman – estava maravilhado, só falava em encontrar seu ídolo Tom Stoppard – tcheco naturalizado inglês, conhecido pela linguagem sarcástica, autor de teatro e roteirista de cinema, famoso por Shakespeare apaixonado; o holandês Cees Nooteboom – de Paraíso perdido; e Fernando Vallejo – colombiano que mora no México, autor de A virgem dos sicários, ao contrário do que se comentou, ficaram muito próximos”, relata Moura.O contato entre escritores e leitores proporciona trocas interessantes, como também destaca Veronica Stigger, autora de O trágico e outras comédias e Gran Cabaret Demenzial. “O trabalho do escritor é solitário. Não é como no teatro, por exemplo, onde se tem resposta imediata. Nas feiras literárias, quando o autor lê parte de seus textos, já tem resposta ali, na hora.” Às vezes, concorda Veronica, em meio a comentários interessantes, surgem até mesmo interpretações diferentes do que o autor escreveu.A gaúcha, bem-humorada, vai divagando: “É até estranho a gente pensar aonde os livros vão parar! O conto Na escada rolante, do Cabaret, foi publicado em uma revista sueca, a Karavan. Nem sei como eles chegaram a esse meu conto... No ano passado, foi um jornalista latino-americano que quis me entrevistar para a revista Qué pasa?, porque leu meu livro quando estava em Bruxelas, na Bélgica, emprestado de uma amiga portuguesa... ”Veronica esteve na Bogotá 39, na cidade colombiana escolhida como “Capital mundial do livro 2007”. Foi selecionada entre os “39 escritores com até 39 anos mais promissores da América Latina”, com contos indicados por 2 mil editores do continente e três jurados colombianos. Os autores participaram de três a quatro encontros em cada um dos quatro dias, em vários cantos da cidade, de bibliotecas a escolas de periferia.É “literatura viva” que “deixa de lado qualquer caráter solene”, como explica Marcelino, que reflete: “Os escritores não estão mais encastelados. Estão se reunindo com os leitores, com públicos diferentes, de todas as idades”. “Eu? Para onde me convidam, eu vou...” ©
Hay-on-Wye, nas montanhas do País de Gales, tem fortificações desde o ano 1070. Cidade com menos de 3 mil habitantes, mas expressiva em número de sebos, virou lenda entre os apaixonados por livros – tanto que o bibliófilo Richard Booth decidiu “proclamar” o reino independente de Y Gelli Gandryll, com ele mesmo no posto de “rei”. Em 1987, Norman Florence e seu filho, Peter, tiveram a idéia de sacudir a erma Hay com um festival literário com um dinheiro ganho no pôquer. No ano seguinte, foi realizada a primeira edição do Hay Festival, apresentando uma verdadeira “lenda” como convidado. Henry Miller – autor de Trópico de Câncer – teria brincado ao perguntar se Hay-on-Wye era algum tipo de sanduíche.Pois até Bill Clinton, já fora da Casa Branca, em 2001, faz parte da história do festival, onde falou sobre “linguagem utilizada na resolução de situações de conflito”. E consta que o ex-presidente dos Estados Unidos lá comandou uma rodada de pôquer por uma noite inteira... Nestas duas décadas, o Hay Festival rendeu filhotes em Alhambra, na Espanha; em Cartagena, na Colômbia, e outros. Hoje reúne cerca de 80 mil pessoas em dez dias, para quase 500 eventos, e elevou o movimento turístico da cidade para 500 mil/ano, em torno de suas 40 livrarias e sebos.E não é que foi a inglesa Liz Calder, então editora da Bloomsbury (que lançou a série Harry Potter, da escritora J. K. Rowling) e apaixonada por Paraty – onde comprou uma casa em 1995 –, quem resolveu batalhar por um festival literário na cidade fluminense, parecido com o de Hay-on-Wye? E não é que deu certo?! Foi um sucesso desde a primeira edição, em 2003 – quando nasceu a Festa Literária Internacional de Paraty – que contou com o historiador inglês (nascido no Egito) Eric Hobsbawm, autor de A era das revoluções, A história social do jazz e Tempos interessantes. A Fliporto, em Porto de Galinhas, Pernambuco, agora se abre para o mundo. Teve escritores da literatura latino-americana, com representantes de 13 países em 2007. Houve mesmo oficinas curiosas, como conta Antônio Campos, curador geral, “como a de poesia quéchua, ministrada pelo peruano Odi Gonzales, chamando a atenção para culturas ancestrais e mostrando como a cultura maia antecipou em muitos séculos a linguagem cifrada dos computadores”.Na quarta edição, este ano, destacou também a literatura africana, principalmente de língua portuguesa (com autores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe), em debates em uma praia que foi, justamente, porto de escravos. Além dos eventos descentralizados, a Fliporto ainda possibilitou que suas discussões fossem acompanhadas ao vivo por um público mais distante, por meio de rádio e tevê via internet.O Fórum das Letras de Ouro Preto já está se internacionalizando, como conta sua coordenadora geral Guiomar de Grammont: “Realizamos o Letras em Lisboa, em abril, iremos realizar o Letras em Lisboa e em Paris em maio do ano que vem e já estamos iniciando o projeto do Letras em Nova York em 2010.” A escritora, que acaba de lançar o livro Aleijadinho e o aeroplano, destaca que o fórum pretende ser “parte do esforço para estimular o gosto pela leitura, favorecendo a reflexão, e para ampliar o número de leitores no Brasil, incentivando também a criação literária”. Neste ano, o evento contou com mais de 12.500 visitantes participando dos debates na cidade, segundo o Instituto Estrada Real.Além do público infantil, com o programa Letrinhas, Guiomar explica que pretende espalhar atividades ligadas ao fórum pelo ano todo, com o estímulo da leitura nas escolas, bibliotecas, hospitais e mesmo nas feiras de frutas e legumes: “Estendemos um tapete com livros e monitores orientam a curiosidade dos interessados”. Ação semelhante à que faz a Associação Casa Azul, em Paraty, que na esteira da FLIP apresenta atividades para estudantes locais durante todo o ano, com resultados animadores de aumento no índice de leitores mirins.

26 de novembro de 2008

LUZ E SOMBRA...

AMSBERG, Dagmar. "A concha fechada", 2002.
A luz incidente sobre os objetos observados pelo artista é que define toda a forma e volume que dará à sua criação. As texturas, nuances de cor ou tonalidades empregadas para ressaltar detalhes mínimos, mas de importância fundamental na construção da estética do desenho.
Onde e como utilizar um grafite mais denso, macio ou seco? Onde definir mais as linhas de contorno ou clarear a fim de permitir a visualização da luz e portanto, todas as formas que darão intensidade real ou não ao objeto observado?
O lápis e o papel à espera da ação do artista!
A ação do artista, por sua vez, influenciada pelo seu íntimo dá o toque final quanto à aparência da obra. Que sensações ela produzirá? Angústias? Levezas? Claridades? Obscuridades? Paz? Intensidade? Beleza? Poesia?
É muito interessante e curioso observar as reações das pessoas frente à uma pintura, um desenho ou uma escultura e perceber as particularidades dos elementos como uma simbiose com a alma humana. Cada pessoa reage à sua maneira e expressa-se com as suas individualidades. E o artista? O que ele quis dizer? O que ele sentia no momento de sua criação? O que afinal pretendia no momento do nascimento de sua obra? Quando a idealizou?
Para fazer esta análise existem os críticos de arte. Não faltam intermináveis escritos e estudos que se referem às intenções do artista em relevância com seu contexto social e político...
Será que algum dia, alguém parou para pensar que quanto mais se complica, menos se entende? E quanto menos se entende, mais nos afastamos e afastamos as pessoas do que realmente interessa? A ARTE por si só?
Será que também em algum momento alguém parou para se questionar se o que os críticos dizem e afirmam é a realidade? Será que o artista "X" ou "Y" sentiu mesmo tal revolta ou amor quando pintou "A OBRA" caríssima e famosíssima?
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Arte não é uma forma alienada de retratação da realidade. Ela não precisa necessariamente retratar a realidade, ou ser fiel à alguns padrões estéticos ligados às academias. O uso formal das técnicas e dos instrumentos é apenas uma ferramenta a mais, que permite aprimorar técnicas a fim de tornar a estética mais apropriada, requintada, moldada e adequada aos olhos dos que apreciam o belo.
Contudo, a beleza está um pouco além destes conceitos. O "belo" aos olhos, nem sempre é o "belo" ao coração. Talvez uma simples combinação de cores primárias encontradas numa "audaciosa" criação infantil emocione muito mais do que um Rembrant. E isto não significa que necessariamente deva haver desprezo pelos grandes artistas. Ao contrário, a admiração por eles aumenta ainda mais quando se observa atentamente e se considera os primeiros passos na arte. Isso mesmo! Quando o indivíduo ainda está em formação, construindo sua identidade e portanto, mais suscetível às emoções e sem "vícios" sociais, sem "influências" artísticas, sem "preconceitos" de qualquer natureza, sem "vergonha" de ser feliz. É nesta fase de nossa existência que mais produzimos intuitivamente. Usamos de toda a nossa autenticidade e liberdade a fim de expressar, dizer, registrar, mostrar aos outros os sentimentos, as histórias que ainda não conseguimos escrever.
A LINGUAGEM pura e incocente das crianças, revela um grau de sensibilidade artística de nível estético impressionante, pois ainda não está contaminado pela luz e pela sombra impostas no decorrer da existência humana.
Como perceber isso? É preciso disposição e olhar muito atento para perceber os "grandes" significados do desenho infantil.
Não é sem sentido que Pablo Picasso escreveu:
"Antes eu desenhava como Rafael, mas precisei de toda uma existência para aprender a desenhar como as crianças."
Os críticos podem analisar as obras e seus grandes artistas considerando as técnicas, os materiais, a estética, enquadramentos e fatos históricos que podem ou não ser o alicerce temático da obra de arte. Isto é formalmente aceitável dentro de nossa cultura que necessita sempre da confirmação científica para os fatos, para as produções de qualquer natureza. De certa forma é até fácil perceber, ler e sentir uma obra de arte perfeita em seus padrões estéticos.
Difícil é entender, compreender e chegar à uma definição concreta quanto ao pensamento que a criança articula no momento da criação de sua "obra" de arte. Não é à toa que existem inúmeras publicações onde o objeto de estudo é justamente o desenho da criança, a produção artística infantil. Percebam, isto É UM OBJETO DE ESTUDO.
Entender o que leva uma criança a se tornar um grande artista ou não. E se chegar a ser um grande artista, o que a motivou, como organizou seus processos mentais para isso?
Talvez não seja tão relevante saber se esta ou aquela criança ou adolescente pretendem seguir pelos caminhos da Arte. Penso que seja muito mais importante saber se a Arte os toca, os perturba e os instiga a pensar sobre ela com uma mente menos inquiridora e mais aberta à diversidade cultural, estética, de linguagens e informação, das inúmeras estéticas e possibilidades de apresentação desta "ARTE". Se é polêmica, escandalosa, chocante, bela, infantil, simples, complexa... não importa. A beleza e o significado real está nos olhos e no coração de quem a vê, percebe, escuta e sente.
O papel da Arte na vida das pessoas é a chave de tantos questionamentos, por vezes até céticos demais.
À Luz e à sombra do conhecimento científico construído em milhares de anos, onde realmente a Arte se encaixa? Mais uma ciência? Uma excentricidade? Uma ocupação de pessoas que ainda não encontraram seu verdadeiro rumo? Uma área do conhecimento? Mas... se o é, qual a sua pretensão?
Considerada ainda como uma área do conhecimento "menor" do que outras, afinal, quando nos deparamos com questionamentos do tipo: "vai cair na FUVEST?", A SOMBRA recai imediatamente sobre séculos de reflexão acerca do que realmente é importante na existência humana. Acúmulo de conhecimento científico, ou capacidade de ainda emocionar-se com um inocente e trêmulo traço infantil que insiste em nascer, insiste em se mostrar e é a pura comprovação de que o ser humano, ao longo de sua vida é constantemente "castrado" em suas expressões, escolhas, liberdade, igualdade, direitos de ser ele mesmo, induzido a seguir moldes sociais e adequar-se sem expontaneidade fechando-se dentro de uma concha sem ter o privilégio de desfrutar sem restrições do potencial mais rico que o homem racional, detentor do polegar opositor possui: A CAPACIDADE CRIADORA que se manifesta como necessidade humana, seja para produzir arte, seja para manter-se ativo dentro da sociedade ou mesmo para alimentar sonhos ou objetivos de vida. mesmo tendo de "driblar" a luz e a sombra do cotidiano.

25 de novembro de 2008

Para se pensar...

Não raro, nos deparamos com aquelas perguntas do tipo "a zebra é branca com listras pretas, ou preta com listras brancas?". Não. Não estou perguntando e nem pretendo responder a questão.
Minha fala é exatamente como se apresenta neste contexto: "metafórica".
A questão é o quanto nos importamos com os "detalhes" que nos cercam. O quanto nós não nos importamos com as influências que recebemos do meio que nos cerca. Sejam elas positivas ou negativas. Mas, não deveríamos nos preocupar ao menos com as positivas?
A verdade é que deixamos passar muitos momentos como se fossem folhas ao vento. E estas voam desordenadamente pelo "espaço atmosférico" sem destino certo, apenas empurradas pelas correntes de ar.
Se "secas" voam mais depressa e alto. Se recém caídas das árvores, seu peso silencia o entusiasmo do seu vôo.
Parece demasiado poético, mas é uma forma de perceber se ainda nos importamos com estas extravagâncias da vida.
O quanto nos deixamos petrificar e "secar" diariamente pelos acontecimentos é a questão aqui. O quanto nos esvaziamos do lado "verde", ainda cheio de seiva e que pesa, não permitindo que as correntes de vento nos levem com força e para qualquer direção.
Mas... às vezes, não seria interessante se deixar levar? Ter sempre uma direção, um objetivo, uma meta, um ponto a chegar, uma rota a seguir, nos condiciona a viver eternamente presos às linhas imaginárias que percorrem estes caminhos. Na verdade, não queremos nos desprender disso de vez em quando?
O segredo não vem escrito em fórmulas que são facilmente encontradas nas prateleiras de qualquer loja, comércio, farmácia ou supermercado. A receita deste "bolo" também não está nas caixinhas das misturas para quitutes.
E para esta pergunta, creio que também não existe resposta. A zebra deve ficar eternamente na dúvida. Mas o que isto importa para ela? Se ela tem listras pretas ou brancas influencia na sua existência?
Assim como se deixar levar sem rumo de vez em quando é bom, percorrer os caminhos com objetivos claros é fundamental. Penso que nos encontramos eternamente na "corda bamba". Nesta caminhada de passos pequenos, cautelosos e inseguros, buscando o equilíbrio constante, para não cair.
Sabem aqueles dias em que você quer apenas falar a respeito? Mil idéias percorrem a mente e todas as filosofias do mundo são incapazes de explicar pensamentos que surgem assim, de repente, em plena terça-feira chuvosa e fria.
O bom de tudo isso é que de vez em quando podemos nos dar estes presentes. Pequenas porções diárias de reflexão e retomada de direção. Melhor ainda é saber que temos opções de escolha a cada decisão do dia. Escolhemos abrir os olhos, escolhemos levantar, escolhemos tomar café, escolhemos "aquele caminho" para o trabalho, escolhemos o que dizer, escolhemos, escolhemos, escolhemos... o dia todo optamos por "isto ou aquilo". São escolhas e não sorteios. Por isso podemos nos deixar levar sem medo, mesmo quando ressecados pelo vento voamos mais alto. Vamos para looooonge, vamos para outros espaços, dimensões de idéias... isto também é uma escolha. Então, sendo assim, portanto, contudo, não estamos nós sempre focando um objetivo? As nossas escolhas não são sem sentido, elas são "CEM SENTIDOS".
Nossas opções diárias são nossas e únicas, pessoais e intransferíveis. Parece óbvio? Nem sempre o é. Podemos optar em simplesmente ouvir o que os outros têm a dizer, ou optar em seguir o que o coração pede. Em geral, a felicidade está bem no cerne dos nossos desejos. Fazemos bem o que gostamos de fazer. Amamos o que fazemos se estamos trazendo nossas ações ao encontro dos desejos do nosso coração.
Isso não é fácil e isso é uma escolha.
Se por causa das listras pretas ou brancas a zebra escolher que se frustraria ao descobrir a resposta, o que aconteceria?
Para nós, talvez nada... Para ela? Quem sabe responder?
A questão é que em função da nossa rotina de sempre "correr atrás" de alguma coisa, de "ganhar o pão", de lutar nesta selva todos os dias, deixamos passar bem ao nosso lado toda a vida que seria possível se pudéssemos ESCOLHER outra linha do tempo, outra corda bamba, outra escada para subir.
Mas... afinal, a escolha não é nossa, pessoal e intransferível?
Então porque esperamos tanto?

15 de novembro de 2008

BURGHARD AMSBERG (1924-1986)

AMSBERG, B.
Encadernação de seu "diário".
colagem



AMSBERG, B.
Encadernação e primeira página de seu "diário"
Colagem


AMSBERG, B.
Peça Niquelada


AMSBERG, B.
Peça Niquelada


AMSBERG, B.
"Candle"

AMSBERG, B. Porta-Guardanapos.
Peça em cobre

Uma pessoa especial...

Com muitos talentos, poesias, músicas, cores, sofrimentos, conflitos.
Amava a natureza, os animais, a diversidade do mundo, os livros, a literatura, as artes...
Brasileiro, estrangeiro, cidadão do mundo????
Talvez o mais brasileiro que já conheci.
Admirava esta terra, todas as terras, todos os mundos e todas as cores, todas as pessoas, todas as línguas, todas as idéias e pensamentos.
Era muitos, num só.
Encerrava em si, toda a sabedoria da ciência e toda a poesia da arte.
Em meio a tragédias, guerras, conflitos e ao caos da humanidade...
...viveu, buscou e traçou sua identidade!
Deixou traços e marcas, profundas, coloridas ou não, alegres ou não, fortes, suaves linhas do tempo e da vida. Passeando em meio a todas as coisas deste mundo como um estrangeiro a viajar pela aventura de viver.
Meu pai!

12 de novembro de 2008

O MAPA DO CÉU...

Há umas duas semanas atrás, na faculdade conversávamos sobre o rebaixamento do pequeno Plutão ao status de não planeta...
Lembrei-me de uma historieta que li e me perguntei-me imediatamente sobre a relevância de tantas descobertas, informações e certos acontecimentos sobre a nossa vida.
Contudo, não pude deixar de "rir por dentro".
Aí vai:


O MAPA DO CÉU

FERNANDO SAMPAIO, autor de livros sobre discos voadores e sobre o continente perdido de Atlântida, era o responsável pela edição do mapa astronômico, com as posições das estrelas e das constelações, publicado semanalmente no Correio do Povo. Mário acompanhava o trabalho do amigo, até que um dia não resistiu e deixou escapar, para o outro:
-Não é que eu não ache válido, mas há anos ando pela noite toda e nunca vi ninguém conferindo esse mapa...


FONSECA, Juarez. "Ora bolas: o humor de Mário Quintana".
Ed. LP&M, Porto Alegre, 2007.

O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!


Mário Quintana

A Rua dos Cataventos

Dagui
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Prá que pensar? Também sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!
Mário Quintana

11 de novembro de 2008

VAN GOGH MORREU VIRGEM?

É inusitado pensar sobre o artista sob este aspecto, principalmente, se tratanto de uma trajetória de vida tão conturbada e morte prematura.
A verdade é que este artista despertou, desperta e ainda lançará sobre os olhos e mentes de todos, admiração, curiosidade, encantamento, sensibilização e obscuridades.
Como e o que modificou dentro da arte, esta "figura" tão polêmica, de personalidade forte, hábitos simples, sensibilidade imensa, ímpetos furiosos, habilidade com as cores, desleixo com seu material de trabalho, paixão pela arte e desprezo por si mesmo.
Num "mix" de inocência pueril e voracidade de inconformismos constantes, Van Gogh trouxe luz e cor às obras que se seguiram depois dele.
Nasceu em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, em uma região nominada Brabante. Filho de Theodorus van Goh e Anna Cornelia Carbentus. O pai era pastor protestante e a família residia na casa paroquial, bem ao lado da igreja e, muito provavelmente ao lado do cemitério - como era de costume na época - onde anos mais tarde Vincent descobriu uma lápide com seu nome e data de nascimento. Evento este que o deixou atônito e só se acalmou quando a mãe explicou-lhe que um ano antes, no mesmo dia e mês, nascera o primeiro filho do casal, que recebera o nome de Vincent. No entanto, natimorto.
Vincent, criança reservada e birrenta, não suportava olhares atentos e voltados para ele. Não suportava ser o centro das atenções e com freqüência isso lhe irritava demasiado.
Certa vez, por volta dos 8 anos de idade, após tendo feito duas lindas esculturas - uma de um gato subindo a árvore e outra, de um efefante - recebeu vários elogios calorosos por seu trabalho. Num ataque de raiva destruiu suas pequenas obras de arte. No entanto, os amigos gostavam de estar com ele, pois era uma criança muito criativa nas brincadeiras. Afora estes pequenos momentos com outras crianças, Vincent preferia ficar só em seu quarto, brincando ou lendo.
Com o nascimento de seu irmão Theo, em meio as meninas da casa, Vincent ganhou não mais um integrante da família, mas sim um grande amigo. Theo se tornou seu grande amigo, irmão e protetor.
Diz um ditado popular que "amigos" a gente escolhe, "irmãos" não. E que muitas vezes o "amigo" torna-se nosso irmão nos momentos de agruras. No caso de Van Gogh, as duas coisas ocorreram juntas.
Já na idade adulta, Theo acolheu o irmão em seu apartamento em Paris e mesmo não tendo dado certo o relacionamento dos dois sob o mesmo teto, mantiveram seus laços fielmente. Mesmo longe, Theo cuidava do irmão mais velho como um pai cuida de seu filho. Enviava-lhe dinheiro para seu sustento, para a mantença de sua arte, para a manutenção de sua saúde e assim por diante.
Vincent sempre solitário, tinha no irmão um amigo e confidente. Enviava-lhe cartas seguidamente e escrevia nelas como se falasse pessoalmente ao irmão. Detalhava sua rotina, seus investimentos, suas alegrias, suas tristezas e todos os promenores de seu dia-a-dia. Um ganho aliás, imensurável. Afinal, através destas cartas é que hoje sabemos tanto da vida deste que foi um dos artistas mais importantes de todos os tempos. Vincente com suas pinceladas e cores revolucionou a arte no fim do século XIX e até hoje conquista crianças, jovens e adultos do mundo inteiro.
Como uma pessoa tão antagônica é dona de tanto carisma hoje e fora tão desprezado em sua época.
Sua vida artística durou menos de 10 anos e neste período pintou cerca de 853 quadros, tendo vendido em vida apenas um. Uma das obras de Van Gogh permaneceu mais de 10 anos tapando o buraco de um galinheiro. É importante lembrar-vos que então Vincent não era famoso. Naquele tempo Vincent era um "zé ninguém", que não queria saber de trabalho, apenas de pintar e pintar e que ainda era "sustentado" pelo irmão. Um "vagabundo" diziam as más línguas.
Mal sabiam eles da grandiosa obra que se seguiria.
Após uma calorosa discussão como então amigo Paul Gauguin, que na ocasião residia comVincent na "Casa Amarela", onde o relacionamento dos dois fora turbulento e "recheado" de desentendimentos, Van Goch mutilou-se cortando um pedaço de sua orelha. Gauguin imediatamente aviosu a Theo e pediu que este viesse sem demora. Em seguida, partiu sem sequer despedir do "amigo". Sim porque, Van Gogh o admirava incontestavelmente, já Paul, não correspondia ao sentimento. Aliás, nesta relação de amizade de um lado só, parece que Paul aproveitou-se da bondade de Vincent. Ficou em sua casa por estar enfrentando sérias dificuldades financeiras e estar endividado até o "pescoço". Vincente, que já era alvo de olhares temerosos e desconfiados, passou a ser chamado de louco tendo que deixar a cidade e ser internado num hospício. No sanatório permaneceu um bom tempo, onde produziu várias de suas obras famosas. Quando finalmente descobriu que não se curara de seus ataques, decidiu mudar-se para Auvres, ao norte da França. Lá viveu seus últimos dias. Lá desfrutou da proximidade com Theo em Paris. Theo se casa e teve um filho ao qual nominou de Vincent em homenagem ao irmão. Van Gogh não disfarçava a alegria e o orgulho, mimamdo a criança e acolhendo seu irmão e a cunhada em sua casa por várias e várias vezes.
Contudo e apesar de estar rodeado de pessoas, a solidão lhe era implacável. Não conseguia sentir realmente feliz.
Após ter pintado seu último quadro "Campo de trigo com corvos", deu um tiro em seu peito. Morreu dois dias depois, nos braços de Theo, aos 37 anos.
Esta historieta ainda tem muitos detalhes a serem revelados, muitos nomes foram omitidos e fatos também. Mas vejam, diante de tanta vida, de toda a sua obra, um grupo de crianças de 8 anos que trabalha entusiasticamente as obras de Van Gogh, constróem diálogos e comentários sobre a vida privada do artista.
Numa recriação da obra "Os girassóis", a menina declara:
- Vou assinar Luciana Van Gogh, pois eu criei esta obra. Imaginem se eu fosse filha de Van Gogh, me chamaria Luciana Van Gogh...
Logo do outro lado da sala, Fernanda se encarrega de cortar o entusiasmo de Luciana:
-Van Goh não teve filhos e nem filhas!!!!!!!!!!
De repente, do teto caiu um questionamento eletrizante:
-Van Gogh morreu virgem?
Na verdade - após alguns minutos de elaboração de uma resposta convincente - ele mal teve tempo de casar-se e assim ter seus próprios filhos. Afinal, morreu tão jovem...
Uma história tão cheia de controvérsias e alvo de estudos aprofundados, teses e dissertações que mais parecem "dissecar" a vida de um homem que apenas trouxe mais amarelos, azuis, noites cheias de estrelas e lindos girassóis com verdadeiros "nacos" de tinta em suas pétalas, do que a beleza pura, inocente de sua estética, sobretudo de sua poética.
Van Gogh admirava as obras que retratavam catedrais famosas. Pensava serem obras grandiosas, de extrema beleza e simetria. Contudo dizia que preferia pintar pessoas, pois estas tinham "alma". Declara poder ver sentimentos através dos olhos e que a arte deveria expressar sentimentos ao invés de apenas copiar a realidade.
Van Gogh deixou enfaticamente este legado. Para ele, pessoas se entristecem, se alegram, sentem dor, angústia, amor...
...e isto sim, deveria ser retratado numa obra de arte.

9 de novembro de 2008

DESENHOS...






O DESENHO E A LEITURA DE IMAGENS


A gramática da arte é o meio pelo qual experimentamos os significados que as obras possibilitam. As obras de arte falam o inefável, cultivam a sensibilidade, para que o sutil possa ser visto, o secreto desvelado. Em resumo, a arte nos ajuda a conhecer o que não podemos articular.




Eisner

OS LIVROS

Que são as palavras impressas num livro? Que significam estes símbolos mortos? Nada, absolutamente. Que é um livro, se não o abrirmos? É, simplesmente, um cubo de papel de couro, com folhas. Mas, se o lemos, acontece uma coisa rara: creio que ele muda a cada instante.

(Borges 1987, p.11)

A ARTE


"Talvez nada exista de mais importante que isso: que para nos deleitarmos com essas obras, devemos ter um espírito leve, pronto a captar todo e qualquer indício sugestivo e a reagir a todas as harmonias ocultas."


E. H. Gombrich, A história da arte



O TEMPO...

"Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.
Então, [...] procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã, se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, [...] nos são alheias, só o tempo é nosso."

Sêneca (4 a.C.?-65 d.C.)
trecho da carta I a Lucílio, "Da economia do tempo"

DIVULGAÇÃO


Ilustrações para publicações infantis.

Contato: maniacolorida@yahoo.com.br



19 de outubro de 2008

Rubem Alves

Livros: quanto mais, melhor.
É tão verdadeiro quanto a comida: quanto mais, melhor.
Comida ingerida em grandes quantidades não produz musculatura,
produz obesidade.
Eruditos, com freqüência, são obesos de espírito.
Quero ensinar as crianças,
Elas ainda têm os
OLHOS ENCANTADOS.

VIDA INTEIRA


São os pequenos detalhes que fazem a diferença!

8 de julho de 2008

"É PRECISO OLHAR A VIDA INTEIRA COM OLHOS DE CRIANÇA."

"É preciso ver a vida inteira como no tempo em que se era criança, pois a perda desta condição nos priva da possibilidade de uma maneira de expressão original, isto é, pessoal."
Henri Matisse