BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

11 de novembro de 2008

VAN GOGH MORREU VIRGEM?

É inusitado pensar sobre o artista sob este aspecto, principalmente, se tratanto de uma trajetória de vida tão conturbada e morte prematura.
A verdade é que este artista despertou, desperta e ainda lançará sobre os olhos e mentes de todos, admiração, curiosidade, encantamento, sensibilização e obscuridades.
Como e o que modificou dentro da arte, esta "figura" tão polêmica, de personalidade forte, hábitos simples, sensibilidade imensa, ímpetos furiosos, habilidade com as cores, desleixo com seu material de trabalho, paixão pela arte e desprezo por si mesmo.
Num "mix" de inocência pueril e voracidade de inconformismos constantes, Van Gogh trouxe luz e cor às obras que se seguiram depois dele.
Nasceu em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, em uma região nominada Brabante. Filho de Theodorus van Goh e Anna Cornelia Carbentus. O pai era pastor protestante e a família residia na casa paroquial, bem ao lado da igreja e, muito provavelmente ao lado do cemitério - como era de costume na época - onde anos mais tarde Vincent descobriu uma lápide com seu nome e data de nascimento. Evento este que o deixou atônito e só se acalmou quando a mãe explicou-lhe que um ano antes, no mesmo dia e mês, nascera o primeiro filho do casal, que recebera o nome de Vincent. No entanto, natimorto.
Vincent, criança reservada e birrenta, não suportava olhares atentos e voltados para ele. Não suportava ser o centro das atenções e com freqüência isso lhe irritava demasiado.
Certa vez, por volta dos 8 anos de idade, após tendo feito duas lindas esculturas - uma de um gato subindo a árvore e outra, de um efefante - recebeu vários elogios calorosos por seu trabalho. Num ataque de raiva destruiu suas pequenas obras de arte. No entanto, os amigos gostavam de estar com ele, pois era uma criança muito criativa nas brincadeiras. Afora estes pequenos momentos com outras crianças, Vincent preferia ficar só em seu quarto, brincando ou lendo.
Com o nascimento de seu irmão Theo, em meio as meninas da casa, Vincent ganhou não mais um integrante da família, mas sim um grande amigo. Theo se tornou seu grande amigo, irmão e protetor.
Diz um ditado popular que "amigos" a gente escolhe, "irmãos" não. E que muitas vezes o "amigo" torna-se nosso irmão nos momentos de agruras. No caso de Van Gogh, as duas coisas ocorreram juntas.
Já na idade adulta, Theo acolheu o irmão em seu apartamento em Paris e mesmo não tendo dado certo o relacionamento dos dois sob o mesmo teto, mantiveram seus laços fielmente. Mesmo longe, Theo cuidava do irmão mais velho como um pai cuida de seu filho. Enviava-lhe dinheiro para seu sustento, para a mantença de sua arte, para a manutenção de sua saúde e assim por diante.
Vincent sempre solitário, tinha no irmão um amigo e confidente. Enviava-lhe cartas seguidamente e escrevia nelas como se falasse pessoalmente ao irmão. Detalhava sua rotina, seus investimentos, suas alegrias, suas tristezas e todos os promenores de seu dia-a-dia. Um ganho aliás, imensurável. Afinal, através destas cartas é que hoje sabemos tanto da vida deste que foi um dos artistas mais importantes de todos os tempos. Vincente com suas pinceladas e cores revolucionou a arte no fim do século XIX e até hoje conquista crianças, jovens e adultos do mundo inteiro.
Como uma pessoa tão antagônica é dona de tanto carisma hoje e fora tão desprezado em sua época.
Sua vida artística durou menos de 10 anos e neste período pintou cerca de 853 quadros, tendo vendido em vida apenas um. Uma das obras de Van Gogh permaneceu mais de 10 anos tapando o buraco de um galinheiro. É importante lembrar-vos que então Vincent não era famoso. Naquele tempo Vincent era um "zé ninguém", que não queria saber de trabalho, apenas de pintar e pintar e que ainda era "sustentado" pelo irmão. Um "vagabundo" diziam as más línguas.
Mal sabiam eles da grandiosa obra que se seguiria.
Após uma calorosa discussão como então amigo Paul Gauguin, que na ocasião residia comVincent na "Casa Amarela", onde o relacionamento dos dois fora turbulento e "recheado" de desentendimentos, Van Goch mutilou-se cortando um pedaço de sua orelha. Gauguin imediatamente aviosu a Theo e pediu que este viesse sem demora. Em seguida, partiu sem sequer despedir do "amigo". Sim porque, Van Gogh o admirava incontestavelmente, já Paul, não correspondia ao sentimento. Aliás, nesta relação de amizade de um lado só, parece que Paul aproveitou-se da bondade de Vincent. Ficou em sua casa por estar enfrentando sérias dificuldades financeiras e estar endividado até o "pescoço". Vincente, que já era alvo de olhares temerosos e desconfiados, passou a ser chamado de louco tendo que deixar a cidade e ser internado num hospício. No sanatório permaneceu um bom tempo, onde produziu várias de suas obras famosas. Quando finalmente descobriu que não se curara de seus ataques, decidiu mudar-se para Auvres, ao norte da França. Lá viveu seus últimos dias. Lá desfrutou da proximidade com Theo em Paris. Theo se casa e teve um filho ao qual nominou de Vincent em homenagem ao irmão. Van Gogh não disfarçava a alegria e o orgulho, mimamdo a criança e acolhendo seu irmão e a cunhada em sua casa por várias e várias vezes.
Contudo e apesar de estar rodeado de pessoas, a solidão lhe era implacável. Não conseguia sentir realmente feliz.
Após ter pintado seu último quadro "Campo de trigo com corvos", deu um tiro em seu peito. Morreu dois dias depois, nos braços de Theo, aos 37 anos.
Esta historieta ainda tem muitos detalhes a serem revelados, muitos nomes foram omitidos e fatos também. Mas vejam, diante de tanta vida, de toda a sua obra, um grupo de crianças de 8 anos que trabalha entusiasticamente as obras de Van Gogh, constróem diálogos e comentários sobre a vida privada do artista.
Numa recriação da obra "Os girassóis", a menina declara:
- Vou assinar Luciana Van Gogh, pois eu criei esta obra. Imaginem se eu fosse filha de Van Gogh, me chamaria Luciana Van Gogh...
Logo do outro lado da sala, Fernanda se encarrega de cortar o entusiasmo de Luciana:
-Van Goh não teve filhos e nem filhas!!!!!!!!!!
De repente, do teto caiu um questionamento eletrizante:
-Van Gogh morreu virgem?
Na verdade - após alguns minutos de elaboração de uma resposta convincente - ele mal teve tempo de casar-se e assim ter seus próprios filhos. Afinal, morreu tão jovem...
Uma história tão cheia de controvérsias e alvo de estudos aprofundados, teses e dissertações que mais parecem "dissecar" a vida de um homem que apenas trouxe mais amarelos, azuis, noites cheias de estrelas e lindos girassóis com verdadeiros "nacos" de tinta em suas pétalas, do que a beleza pura, inocente de sua estética, sobretudo de sua poética.
Van Gogh admirava as obras que retratavam catedrais famosas. Pensava serem obras grandiosas, de extrema beleza e simetria. Contudo dizia que preferia pintar pessoas, pois estas tinham "alma". Declara poder ver sentimentos através dos olhos e que a arte deveria expressar sentimentos ao invés de apenas copiar a realidade.
Van Gogh deixou enfaticamente este legado. Para ele, pessoas se entristecem, se alegram, sentem dor, angústia, amor...
...e isto sim, deveria ser retratado numa obra de arte.

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