BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

19 de janeiro de 2009

A Terceira Xícara de Chá

No início do ano passado acompanhei um amigo ao aeroporto e enquanto esperávamos o horário de embarque, nos distraímos um pouco numa livraria. Então peguei alguns encartes "grátis" sobre livros e novas publicações. Sentamos para um café e então começamos a ler aqueles folhetos. Um em especial nos chamou a atenção, "A Terceira Xícara de Chá". Uma "palhinha" do que vem a ser o livro propriamente dito. O folheto apresenta trechos de alguns capítulos, a fim de chamar a atenção dos leitores. O livreto abre o capítulo 1 assim:

Fracasso

"Quando escurece, podemos ver as estrelas."
Provérbio Persa
Aliás, estes provérbios são de uma sabedoria incrível.
Li alguns trechos e depois guardei na bolsa onde ficou esquecido até hoje.
Em meio a caixas de mais uma de minhas mudanças... guarda aqui, encaixota ali, separa acolá... enfim um emanranhado de organização bagunçada, ou seria, bagunça organizada? Bem, como quiserem chamar. O fato é que reencontrei este livretinho e pus-me a lê-lo mais atentamente.
Conta a história de um alpinista que sofre um acidente na região do Afeganistão e Paquistão, então é socorrido no local por pessoas que o tratam e cuidam de sua recuperação. Com isso, passa a conhecer mais a região, o povo, os costumes, os conflitos, guerras e as necessidades locais.
Greg Mortenson promete construir uma escola para aquele povo sedento de conhecimento.
Os pormenores desta história interessante e rica em detalhes deixo por conta do livro.
Mas o fato é que hoje, Greg é diretor do Instituto da Ásia Central, ex-alpinista e militar da reserva, dedica-se alguns meses do ano à construção de escolas no Paquistão e no Afeganistão. Vive em Montana com a mulher e dois filhos. Cumpriu o que prometeu. Poderia ter ido embora e esquecido aquele povo. O que o moveu a tal atitude o livro conta. Estou super curiosa para ler e vou lê-lo. No entanto, aquela frase acima, lida novamente depois de se saber o teor da publicação ganha outro sentido.
Ainda:
A margem errada do rio
"Por que tentar adivinhar o futuro e enganar tua mente para vencer a perplexidade?
Anda despreocupado e deixa Alá com seus planos - Ele os fez sem consultar a ti."
Omar Khayyam, O Rubaiyat
O mundo não está de todo perdido. Ainda existem pessoas que se desprendem de si mesmas em benefício de outras.
A inutilidade da guerra, da ganância pelo poder e pior, da guerra religiosa... insistem em disseminar suas sementes pelo mundo.
Quer dizer, de que adianta tudo isso? E o que se leva disso no final de tudo?
Penso que este livro seja uma boa leitura para reflexão sobre outras realidades e sobretudo valorizar a nossa própria. Porque apesar de tudo, viver no Brasil ainda é um privilégio.

11 de janeiro de 2009

PANOPRÁMANGA...

Lendo o livro organizado pela Arte Educadora, Ana Mae Barbosa, intitulado "Inquietações e mudanças no ensino da Arte" deparei-me com alguns pontos que pessoalmente julgo importantíssimos, mas que ainda não havia encontrado alguém que falasse a mesma língua que eu.
Ou que pelo menos caminhasse na direção que eu acredito olhar.
Entendo a Arte como linguagem que encerra em si inúmeras outras. Está inserida no grupo de disciplinas que compõe o currículo escolar oferecido pela maioria das insituições escolares. Obrigatória pela LDB no Ensino Fundamental e Médio. Segundo Ana Mae, algumas escolas estão incluindo a Arte apenas numa das séries de cada um desses níveis, pois na LDB não está explícito que o ensino é obrigatório em cada uma das séries. Ressalta ainda que no Ensino Médio, lgumas escolas valendo-se da "interdisciplinaridade" incluem as Artes na disciplina de Língua Portuguesa, ficando estas a cargo deste professor. (pausa para as retiscências...).
Há que se enfatizar ainda que, apesar de nos PCNs a Arte encontrar-se no grupo das principais áreas de conhecimento, ainda não encontrou seu espaço dentro da escola. Não estou falando de um espaço "Oh, olha a ARTE aí gente", não, não é isto que quero dizer. Me refiro à descaracterizaçãio desta disciplina como "recreação", "lazer", "aula livre", "distração", "aula de qualquer coisa", "desenhinhos" ou "quaisquer atividades manuais" que preenchem determinado espaço de tempo e que não remetem à reflexões sobre a linguagem, seu contexto, sua história e outras abordagens mais intelectuais e mais significativas. Significativas? O que seria então significativo?
Aquilo que tem significado. Aquilo que representa substancialmente o contexto do indivíduo, neste caso, o aluno, o professor, sua comunidade, a escola e a cultura local.
As diferentes interpretações das linguagens em suas diferentes épocas. A finalidade de determinadas expressões em comunidades específicas.
O que difere de nós a cultura indígena, africana, oriental, européia... e o que elas têm em comum com a nossa realidade? Mas e daí? O que mais a Arte pode nos trazer? Sensibilidade? Sim, também. Certamernte poderá nos desvendar para onde caminharam e caminham gerações.
Seja ela linguagem verbal ou visual, não podemos negar sua existência e sua influência diária em nossa vida.
Em outras palavras: ela faz parte do nosso cotidiano.
"Em nossa vida diária, estamos rodeados por imagens veiculadas pela mídia, vendendo produtos, idéias, conceitos, comportamentos, slogans políticos, etc. Como resultado de nossa incapacidade de ler imagens, nós aprendemos por meio delas inconscientemente." (BARBOSA, 2008).
Isto sem contar os inúmeros profissionais envolvidos em atividades relacionadas à Arte. De uma forma ou de outra, não temos como fugir. Ela está lá, ela esteve e estará lá, todos os dias.
Então não pode mais ser encarada como "atividade recreativa", mas como Área de Conhecimento Científico.
Percebam que temos uma grande necessidade de alfabetização visual,. Ser capaz de fazer esta leitura visual, do discurso visual, uma vez que textos não são somente escritos, mas gráficos também. Símbolo, tudo é símbolo... (outro gancho importante para uma nova discussão, e que discussão interessante).
Não importa se é uma letra, duas ou mais, ou um desenho... tudo é linguagem, texto e transmite mensagens. Ora, se somos alfabetizados para ler e escrever, não deveríamos também ser alfabetizados na linguagem visual ou das imagens?
Felizmente uma forte corrente de pesquisadores e estudiosos da Arte no contexto escolar, discute e avalia estas questões com seriedade e com a devida importância que este assunto merece.
Hoje, não é mais uma questão de simplesmente (o que também não é "simplesmente", mas sim de significâncias distintas) estudar a linha, a forma, a cor e a textura... mas sim de perceber o significado destes atributos, em diferentes contextos.
Para Ana Mae, não se trata mais da famosa pergunta que se refere ao que o artista quis dizer ou expressar em uma obra, mas o que esta diz para nós hoje, no momento em que é apreciada e no tempo em que se apresenta, bem como o que disse para outro público em outro contexto e época.
São questões que se vistas de outro ângulo dão "significância" à Arte dentro da escola.
Outro ponto importantíssimo é quando a autora aborda a relevância de se associar o ensino da Arte à cultura local. Se focarmos esta cultuta local em termos de BRASIL, não é difícil perceber que o que se ensina e se aborda em sala de aula geralmente é a camada mais erudita desta arte como, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, entre outros. Não é preciso ir longe para perceber isto. Se formos às livrarias e às bancas, facilmente encontramos revistas com atividades, livros biográficos e coletâneas de obras destes artistas nacionais, Em outras palavras, indivíduos da sociedade mais abastada, erudita e que teve sua experiência no exterior, fora do Brasil e que também trouxe com ela, resquícios de outras culturas brancas, abastadas, eruditas, acadêmicas, pertencentes à grupos específicos. Vamos ser simples e claros? Elite, elite, elite, elite cultural!!!!
Então o "Zé" que mora ali na esquina e que hoje, produz algum "artesanato" não poderia ser também um "artista"?
"As culturas de classes sociais economicamente desfavorecidas continuam a ser ignoradas pelas insituições educacionais, mesmo pelos que estão envolvidos na educação dessas classes." (BARBOSA, 2008).
Então é pertinente relembrar um fato escrito anteriormente noutro artigo. O que dizer a respeito de Van Gogh? Que em vida vendeu apenas um único quadro e que uma de suas obras tampou o buraco do galinheiro de seu médico por cerca de 11 anos?
Mesmo sendo um comentário a parte, poderia Van Gogh ser o tal "Zé" que mora ali na esquina...
Elocubrações à parte, vejo a necessidade de conscientizar crianças, jovens e adultos para este olhar diferenciado sobre à Arte, sobretudo para o porquê de existir ARTE como disciplina na escola.
Ai, ai, ai... escrevi todo este texto e onde ficaram as novas normas da Língua Portuguesa?
Como é difícil acostumar-se com o novo...
Viram? Tudo o que nos exige um novo olhar, nos parece extrair um esforço descomunal.
OBS.: Crianças correndo à minha volta. O término deste raciocínio ficará para outra ocasião. Até lá.

2 de janeiro de 2009

Desenhos




Primeira parada!

Um livro para se ler em 2009! Em meio a tanta oferta, o que afinal poderia trazer o prazer da leitura? Lembro-me então de quanto ainda na infància me frustava ao verificar letras e mais letras, sem significado algum, a não ser de pequenos desenhos no papel. Códigos indecifráveis. Detentores de grandes mistérios... o que poderia haver por detrás daqueles sinais????? Tentava associar às figuras ilustrativas. Será que elas poderiam desvendar o enigma das letras e me revelar afinal a história "escondida" ali? Recordo ainda das inúmeras vezes em que me "enfiei" na cama de meus pais:
"-UMA HISTÓRIA POR FAVOR?"
Via meu pai sempre com um livro de cabeceira. Mas o que tanto ele tinha para ler? Uma luminária de cabeceira... três ou quatro volumes sempre dispostos sobre o criado mudo. Capa dura, escura e textos infindáveis... "sem nenhuma figurinha para olhar? Que coisa mais sem graça isso!" Pensava eu, do alto de meus 5 ou 6 anos. Em casa tínhamos uma biblioteca na sala de cerca de 1.000 volumes entre enciclopédias, léxicos, dicionários, romances, contos de fadas, científicos, artísticos, de arquitetura, bricolaje, marcenaria, costura, saúde e muitos outros. Uma de minhas diversões favoritas era de mergulhar na imagens dos livros QUE TINHAM IMAGENS é claro! Como posso me esquecer dos ATLAS. Ficava procurando onde estava. E que mistério era essa coisa de ESPAÇO SIDERAL e SISTEMA SOLAR!!! Então sempre separava algum para a noite quando fosse deitar. Pedia para que alguém lesse para mim o que não podia ainda desvendar. Não entendia quando meu pai dizia: "-Se você ler tudo o que está aqui, saberá tudo sobre o mundo e o universo." Tenho saudades do tempo em que ainda ouvia histórias dos contos de fadas vagando pelo mundo dos irmãos Grimm, Christian Andersen, das hilárias histórias de "Franz und Moritz", Moby Dick e sem falar nos personagens Disney. Imaginava histórias tenebrosas sobre o fundo do mar quando via as fotos do naufrágio de um grande navio chamado "Andrea Doria". Ah, tinha o livro do Titanic também, mas este não tinha graça para mim. Ele não tinha fotos!!!
Bem mais tarde, nas férias de verão devorei a coleção completa sobre Sherlock Holmes, escrita por Sir Arthur Conan Doyle. Nossa que aventura! Foi meu recorde. Li todos os volumes em menos de um mês. As maiores lembranças do definitivo mergulho no universo cultural, das maiores aventuras, dos vôos mais altos, do início de todos os sonhos, temores, projetos, conhecimento e sabedoria. Os primeiros passos com a arte, com a música, com o canto e com toda a preciação que se segue depois. O contato com as maiores histórias do mundo, dos chefes de estado, dos povos, das diferentes culturas, das diferentes línguas e expressões se deram em minha casa! Se aprendermos a aprender, o que nos faltará? Quem poderá impedir que conheçamos os mistérios do vasto mundo? Quem nos impedirá de abrirmos um livro e ler? E nestas reflexões todas penso que não é o mestre que tenho, não é a escola que freqüento, não é o fato de poder mais ou menos, mas é a minha vontade de aprender que me fará diferente e me fará conhecedora.
Hoje encontro-me na posição de meus pais. Todas as noites tiro da "cartola" boas histórias. Sejam elas inventadas na hora ou lidas de livros, não importa, importa é que elas têm o poder de levar ao mundo da fantasia e dos sonhos. Mundo sem o qual nenhum sujeito se torna sujeito e autor de sua história.
Percebo que a razão de eu gostar tanto de descobrir, ler, pesquisar e "vasculhar" até satisfazer a sede de conhecimento vem de uma época em que mal sabia escrever meu próprio nome.
O mais impressionante de tudo é perceber que hoje, toda a culpa de vivermos num país de "não leitores" recai sem escrúpulos sobre a escola... - bem... esta é uma outra discussão que merece um capítulo próprio, dada sua seriedade e relevância.


"-Mãe, uma história por favor!!!"





Eu já vi isso antes...


A história se repete e os hábitos também!


Por isso, não posso deixar de dar o meu recado.


PAIS,


leiam para seus filhos, mesmo se estiverem cansados do trabalho ou enjoados de repetir a mesma história pela milésima vez.

Permitam que seus filhos vasculhem os livros, comprem livros para eles no lugar de jogos de video games. Além do que é mais barato.

Aprendam a gostar de ler. Não pensem que seus filhos não observam e não percebem o que fazem ou deixam de fazer. Seu hábito poderá tornar-se o hábito deles.


FILHOS,


Perturbem, peçam, perguntem, insistam para que possam ouvir histórias, ver e ler livros e ganhá-los de presente. Se não for possível ganhar ou comprar, tudo bem. Existem as bibliotecas! Leiam para seus pais, leiam para si mesmos! Implorem.

O conhecimento é o único bem que é seu para sempre e não pode ser tirado ou roubado.


MESTRES,


Não importa se você é professor de Matemática, Física, História, Língua Portuguesa, Ciências... Você é antes disso, um educador. Você tem a responsabilidade e o dever de plantar esta semente.

A leitura está acima do conhecimento compartimentado. A leitura é a leitura. Toda a leitura traz informação. Toda a informação pode ser conhecimento. Ajude seu aluno a selecionar, criticar, absorver e apreciar a leitura.

Ajude seu aluno a gostar da leitura, a buscar por si seu conhecimento.

Dê asas a ele. Mostre as ferramentas, mas deixe que ele descubra a essência!

Não ADORMEÇA no ideal de preparar para o vestibular, testes, provas e concursos como se pudesse racionalizar tudo!

Não perca o trem desta viagem e dê as chaves para a VIDA!!!!



"-EI, UM LIVRO POR FAVOR!!!"



Pare por um instante e pense nisso...