BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

11 de janeiro de 2009

PANOPRÁMANGA...

Lendo o livro organizado pela Arte Educadora, Ana Mae Barbosa, intitulado "Inquietações e mudanças no ensino da Arte" deparei-me com alguns pontos que pessoalmente julgo importantíssimos, mas que ainda não havia encontrado alguém que falasse a mesma língua que eu.
Ou que pelo menos caminhasse na direção que eu acredito olhar.
Entendo a Arte como linguagem que encerra em si inúmeras outras. Está inserida no grupo de disciplinas que compõe o currículo escolar oferecido pela maioria das insituições escolares. Obrigatória pela LDB no Ensino Fundamental e Médio. Segundo Ana Mae, algumas escolas estão incluindo a Arte apenas numa das séries de cada um desses níveis, pois na LDB não está explícito que o ensino é obrigatório em cada uma das séries. Ressalta ainda que no Ensino Médio, lgumas escolas valendo-se da "interdisciplinaridade" incluem as Artes na disciplina de Língua Portuguesa, ficando estas a cargo deste professor. (pausa para as retiscências...).
Há que se enfatizar ainda que, apesar de nos PCNs a Arte encontrar-se no grupo das principais áreas de conhecimento, ainda não encontrou seu espaço dentro da escola. Não estou falando de um espaço "Oh, olha a ARTE aí gente", não, não é isto que quero dizer. Me refiro à descaracterizaçãio desta disciplina como "recreação", "lazer", "aula livre", "distração", "aula de qualquer coisa", "desenhinhos" ou "quaisquer atividades manuais" que preenchem determinado espaço de tempo e que não remetem à reflexões sobre a linguagem, seu contexto, sua história e outras abordagens mais intelectuais e mais significativas. Significativas? O que seria então significativo?
Aquilo que tem significado. Aquilo que representa substancialmente o contexto do indivíduo, neste caso, o aluno, o professor, sua comunidade, a escola e a cultura local.
As diferentes interpretações das linguagens em suas diferentes épocas. A finalidade de determinadas expressões em comunidades específicas.
O que difere de nós a cultura indígena, africana, oriental, européia... e o que elas têm em comum com a nossa realidade? Mas e daí? O que mais a Arte pode nos trazer? Sensibilidade? Sim, também. Certamernte poderá nos desvendar para onde caminharam e caminham gerações.
Seja ela linguagem verbal ou visual, não podemos negar sua existência e sua influência diária em nossa vida.
Em outras palavras: ela faz parte do nosso cotidiano.
"Em nossa vida diária, estamos rodeados por imagens veiculadas pela mídia, vendendo produtos, idéias, conceitos, comportamentos, slogans políticos, etc. Como resultado de nossa incapacidade de ler imagens, nós aprendemos por meio delas inconscientemente." (BARBOSA, 2008).
Isto sem contar os inúmeros profissionais envolvidos em atividades relacionadas à Arte. De uma forma ou de outra, não temos como fugir. Ela está lá, ela esteve e estará lá, todos os dias.
Então não pode mais ser encarada como "atividade recreativa", mas como Área de Conhecimento Científico.
Percebam que temos uma grande necessidade de alfabetização visual,. Ser capaz de fazer esta leitura visual, do discurso visual, uma vez que textos não são somente escritos, mas gráficos também. Símbolo, tudo é símbolo... (outro gancho importante para uma nova discussão, e que discussão interessante).
Não importa se é uma letra, duas ou mais, ou um desenho... tudo é linguagem, texto e transmite mensagens. Ora, se somos alfabetizados para ler e escrever, não deveríamos também ser alfabetizados na linguagem visual ou das imagens?
Felizmente uma forte corrente de pesquisadores e estudiosos da Arte no contexto escolar, discute e avalia estas questões com seriedade e com a devida importância que este assunto merece.
Hoje, não é mais uma questão de simplesmente (o que também não é "simplesmente", mas sim de significâncias distintas) estudar a linha, a forma, a cor e a textura... mas sim de perceber o significado destes atributos, em diferentes contextos.
Para Ana Mae, não se trata mais da famosa pergunta que se refere ao que o artista quis dizer ou expressar em uma obra, mas o que esta diz para nós hoje, no momento em que é apreciada e no tempo em que se apresenta, bem como o que disse para outro público em outro contexto e época.
São questões que se vistas de outro ângulo dão "significância" à Arte dentro da escola.
Outro ponto importantíssimo é quando a autora aborda a relevância de se associar o ensino da Arte à cultura local. Se focarmos esta cultuta local em termos de BRASIL, não é difícil perceber que o que se ensina e se aborda em sala de aula geralmente é a camada mais erudita desta arte como, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, entre outros. Não é preciso ir longe para perceber isto. Se formos às livrarias e às bancas, facilmente encontramos revistas com atividades, livros biográficos e coletâneas de obras destes artistas nacionais, Em outras palavras, indivíduos da sociedade mais abastada, erudita e que teve sua experiência no exterior, fora do Brasil e que também trouxe com ela, resquícios de outras culturas brancas, abastadas, eruditas, acadêmicas, pertencentes à grupos específicos. Vamos ser simples e claros? Elite, elite, elite, elite cultural!!!!
Então o "Zé" que mora ali na esquina e que hoje, produz algum "artesanato" não poderia ser também um "artista"?
"As culturas de classes sociais economicamente desfavorecidas continuam a ser ignoradas pelas insituições educacionais, mesmo pelos que estão envolvidos na educação dessas classes." (BARBOSA, 2008).
Então é pertinente relembrar um fato escrito anteriormente noutro artigo. O que dizer a respeito de Van Gogh? Que em vida vendeu apenas um único quadro e que uma de suas obras tampou o buraco do galinheiro de seu médico por cerca de 11 anos?
Mesmo sendo um comentário a parte, poderia Van Gogh ser o tal "Zé" que mora ali na esquina...
Elocubrações à parte, vejo a necessidade de conscientizar crianças, jovens e adultos para este olhar diferenciado sobre à Arte, sobretudo para o porquê de existir ARTE como disciplina na escola.
Ai, ai, ai... escrevi todo este texto e onde ficaram as novas normas da Língua Portuguesa?
Como é difícil acostumar-se com o novo...
Viram? Tudo o que nos exige um novo olhar, nos parece extrair um esforço descomunal.
OBS.: Crianças correndo à minha volta. O término deste raciocínio ficará para outra ocasião. Até lá.

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