BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

15 de fevereiro de 2010

O ENSINO DA ARTE NO BRASIL

Para compreender o presente e planejar o futuro, o passado nos dá os fatos. A História, sem dúvida é necessária e urgente para desvendar os caminhos tomados pelas civilizações, governos, política, trajetória social e principalmente os passos da Educação.

Desvendar os passos do ensino da arte no Brasil implica em compreender as raízes culturais de nosso povo, as heranças deixadas por índios, negros e europeus. Hábitos, costumes e influências que condicionaram o desenvolvimento dos métodos de ensino da arte na escola.
Que espaço a arte ocupa em nossa sociedade, quanto ao ensino e sua recepção nas instituições escolares, qual a concepção do ensino da arte na educação no que se refere às orientações didáticas e a formação do professor?
O Brasil carrega heranças advindas de outros espaços sociais e culturais que respondem às questões contemporâneas relacionadas ao tema, tanto na riqueza e beleza de sua produção artística industrial, quanto à sua afirmação e grau de importância dentro da cultura social e escolar.
Este debate confunde-se com a história da educação brasileira e tem suas raízes no período colonial. Embora a Arte brasileira tenha suas origens em tempos mais remotos, o presente texto direciona-se especificamente para o entendimento das bases que construíram o ensino da arte nas escolas, bem como o reconhecimento desta como área do conhecimento, em patamar de igualdade com os demais componentes curriculares como, história, geografia e outros, não como mero espaço de “trabalhos manuais”, “artesanato” e outras denominações que reduzem a disciplina a uma classificação secundária no grau de importância curricular.
É possível realizar uma breve análise do quadro geral do ensino de Arte no Brasil, quando se verifica os currículos dos cursos que formam os docentes de Artes e de que forma contemplam as questões atuais e concebem a arte como uma linguagem inerente aos processos do indivíduo e da sociedade onde esta interfere diretamente na evolução cultural, comportamental, histórica, assim como também é resultado dela.

Criar não representa um relaxamento ou um esvaziamento pessoal
nem uma substituição imaginativa da realidade;
criar representa uma intensificação do viver,
um vivenciar-se no fazer, e, em vez de substituir a realidade,
é a realidade;
é uma realidade nova que adquire dimensões novas pelo fato de nos articularmos,
em nós e perante nós mesmos,
em níveis de consciência mais elevados e mais complexos.
(OSTROWER apud Lopes 1987, p.28)

A formação e o preparo do professor refletem substancialmente nas discussões que definem a legislação dos currículos bem como em sua elaboração. Sob que olhar estas questões são abordadas e quais direções se pretendem com elas. Identificar os pontos que norteiam a história do ensino de arte no Brasil poderá auxiliar no esclarecimento e na diminuição dos obstáculos existente no reconhecimento da importância da Arte no espaço escolar e fortalecer a luta em prol desta busca, de forma a nos garantir a participação em patamar de igualdade nos debates da atualidade voltados para a Educação e para a arte na educação.
Somos produto do desenvolvimento histórico, onde se percebe a invasão cultural européia e um legado religioso marcado pela subjugação que aos poucos foi disseminando e determinando a extinção de todo um passado já existente em nosso território.
Sabe-se que, muito antes do descobrimento e da colonização do Brasil, o índio já se encontrava aqui e que sua cultura é a nossa raiz. Estes componentes formam nossa matriz cultural. Temos traços desta cultura em nossos hábitos diários como alimentação, higiene, língua, música, arte e demais aspectos da vida social. Contudo, o que nos resta desta cultura hoje é uma mescla com a de outros povos. Somos uma miscelânea cultural. O brasileiro é produto da reunião de diversas culturas. Esta mistura de influências culturais nos privilegia com peculiaridades que dão riqueza de conteúdo e beleza às nossas produções artísticas brasileiras. Principalmente nas produções populares onde os traços de nossas raízes se tornam mais evidentes.
Embora nossa matriz cultural seja resultado da junção de outras culturas, ocorre que desde a Colônia sofremos certa “pressão” que tenta sobrepor o estrangeiro sobre o que é genuinamente nosso. Este fator é um dos principais agentes que nos dão uma certa “ausência de identidade nacional” que perdura até hoje.
Esta ausência não quer dizer que não saibamos de onde viemos, que não sabemos sobre nossa própria história, mas sim que somos um “mosaico cultural” e que por isso produto de várias raízes. Não somos um povo milenar que cultiva tradições, mas sim um povo recente, com pouco mais de 500 anos e que ainda caminha em busca de sua identidade nacional. Esta busca foi uma das alavancas do movimento modernista brasileiro. Busca de identidade nacional, busca de uma cultural genuinamente nossa. Busca pela brasilidade e pela autonomia de nossa arte. Por uma arte brasileira e contra o consumo da arte estrangeira.
Saber para onde caminhamos pressupõe saber de onde viemos.
Entender nossa construção histórica e nos reconhecermos como resultado dela, pode auxiliar na compreensão das metodologias aplicadas ao ensino da arte no Brasil.
Para tanto, a abordagem cronológica histórica se faz necessária, a fim de resgatar práticas docentes do período colonial, através da ação da ordem dos jesuítas que deixou um legado substancial para a educação brasileira.
Este percurso trará luz sobre a trajetória do ensino da arte no Brasil através dos tempos e como se apresenta hoje. Quais características desta visão sobre o ensino da arte se perpetuaram e são praticadas nas escolas da contemporaneidade, bem como o professor se movimenta dentro destas concepções.
Como esta tradição pedagógica influenciou e manifesta suas marcas no ensino da arte no Brasil hoje e de que modo permeia a elaboração da legislação e da proposta curricular.
Que mudanças ocorreram ao longo da história e quais os debates da contemporaneidade a respeito da arte na escola. Porque existem divergências entre o que se propõe e o que se ensina e qual a visão sobre o ensino da arte que permanece registrada no senso comum das pessoas.
Assim como as mudanças na sociedade e seus sistemas de organização exige constante renovação educacional para o atendimento desta demanda na era da informação, assim também as práticas pedagógicas tendem e necessitam adaptar-se a estas mudanças a fim de suprir as necessidades da contemporaneidade, como nos explicita Hernández (2000), com um trecho de McClintock (1993):

A educação escolar necessita ser repensada, porque as representações e os valores sociais e os saberes disciplinares estão mudando e a escola que hoje temos responde em boa parte a problemas e necessidades do século XIX, e as alternativas que se oferecem têm suas raízes no século XVIII. (McCLINTOCK, 1993 apud Hernández, 2000, p. 26).
Fica a a reflexão!
Um super abraço,
Dagmar
Referências Bibliográficas:
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.
OSTROWER, Fayga. Foto-grafias: as artes plásticas no contexto da escola especial. In: LEITE, Maria Isabel E.; KRAMER, Sônia (orgs.). Infância e produção cultural. Campinas. Ed. Papirus, 2006. p.75-107.

Um comentário:

Disimo disse...

Querida Dagmar!

Agradeço duplamente: pelo parabéns e pelos elogios =)

Espero que tudo dê certo pra você nesse ano que apenas começa! E pode deixar, a ausência será breve!

Beijos!