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27 de março de 2010

O ENSINO DA ARTE NO AMBIENTE ESCOLAR

A Arte tem sido tratada como objeto de observação quase que inalcançável e não raro, mantida em museus, intacta, intocável, “preservada” e “reservada” aos olhares atentos e críticos de grandes conhecedores de sua estética. Requintados ambientes e público seleto desfrutam plenamente do privilégio de “contracenar” com a poética descrita em obras, esculturas, concertos, teatros ou “vernissages”.Não seria a Arte um patrimônio universal? Não seríamos nós, os sujeitos “temas” desta arte? Não seriam a tragédia humana ou a simples figura humana, os focos desta arte? Então não somos participantes dela?

Conhecer percurso do ensino da arte no Brasil, de modo a investigar nossa matriz cultural e todas as nuances que recebeu ao longo de sua história, passando pelo modernismo, pós-modernismo chegando à contemporaneidade é fundamental para perceber que toda esta bagagem histórica foi determinante para "elitização" das produções artísticas consideradas esteticamente como "acadêmicas" ignorando-se as demais expressões.

As matizes ideológicas que permeiam os conceitos relacionados ao ensino da arte, as mudanças que vêm sofrendo e as novas concepções frente ao educador e seu trabalho, que pode ser universalizado aos educadores que, embora não tenham formação específica, podem e devem arriscar embrenhar-se neste universo do “belo”, do “feio”, do estético e do poético, da expressividade, da fantasia, da liberdade de pensamento, das interpretações, do mundo das invenções, criações e recriações, tão inerentes à criança e quem sabe, pouco explorados convencionalmente.

A Arte no espaço escolar adquire muito mais importância quando é dada às crianças de forma a torná-las sujeitos apreciadores, criadores e participantes desta arte. Tão importante quanto o ensino da arte às crianças é a formação do professor para o exercício desta tarefa. Do mesmo modo que a arte ainda permanece quase que “intocável”, assim também está a formação do docente nesta área.

A formação do professor de arte, no que se refere à criação dos cursos de licenciatura criados no Brasil, frente à nova legislação (LDB/70) que incluía a obrigatoriedade da disciplina de Educação Artística nos currículos escolares. Ana Mae Barbosa traz uma análise do assunto pelo olhar das lutas políticas, das quais também fez parte. Aponta as conquistas obtidas através do PCN, bem como as falhas em sua execução. Também Renato Sousa Porto Gilioli, nos contempla com uma análise mais aprofundada da ação dos PCN na escola e suas interpretações. Diante destas alterações de concepções conceituais do ensino da arte no Brasil, Ana Mae nos leva a refletir sobre as mudanças que vêm ocorrendo na estruturação deste ensino, objetivando o universo cultural dos sujeitos e da inserção da imagem em sala de aula, onde também Fernando Hernández contribui substancialmente, abordando questões relacionadas ao reconhecimento da arte como área do conhecimento e da urgência de se discutir uma reforma educacional neste sentido, nos introduzindo com Ana Mae, nos debates atuais referentes às práticas pedagógicas.

O terceiro bloco do presente trabalho, nos insere na prática pedagógica do professor generalista em arte. Neste capítulo, Luciana Ostetto, Maria Isabel Leite e Sônia Kramer abordam a importância de a escola assumir o seu papel de multiplicadora do conhecimento, construtora do conhecimento, solidificadora da cidadania e incentivadora da arte e que abraça a responsabilidade social, bem como está implícito neste papel, a ação do educador como agente formador e transformador. As autoras trazem experiências de professores com a arte na escola, enfatizando o papel do professor generalista com a arte e com a interdisciplinaridade.

Nem todo o artista é um professor, nem todo o professor é um artista, mas todo o educador pode e deve abrir as portas do mundo à criança. E que porta mais bela existe, senão aquela que se abre ao som de uma música ou se inebria pelas cores do universo da arte?

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