BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

2 de junho de 2010

A maravilhosa Leda

Das inúmeras visitas que fiz à Pinacoteca do Estado de São Paulo, dediquei uma delas à exploração do espaço destinado às esculturas.
Digo "inúmeras" , só para ressaltar que este era um de meus programas prediletos. Fazia estes roteiros preferencialmente aos sábados. Saía bem cedo de casa, com uma bolsa contendo: caderneta, canetas, lápis, borracha e máquina fotográfica. No corpo: calça jeans, camiseta e tênis bem confortável... e claro, muita disposição. Passava  dia contemplando os quadros, lendo a respeito deles e fotografando o que me era permitido. Como o acervo da Pinacoteca é gigantesco, um dia nunca era suficiente para satisfazer minha curiosidade e meu deleite em estar naquele espaço, cheio de ARTE e subjetividade.
Meu roteiro favorito era começar pelo Museu da Língua Portuguesa, em seguida dar uma passada pela Estação da Luz e ver as exposições (se houvessem), escutar alguém sentado ao piano público experimentando o instrumento. Sentia meus dedos "sedentos" por tocá-lo também...
Achava maravilhoso respirar aquele ar de História viva!
Depois ia à Pinacoteca e...
ganhava meu dia!
Rodin, Vitor Brecheret, Tarsila do Amaral e tantos outros, certamente enriquecem e abrilhantam o acervo do Museu.
Mas de todas que pude contemplar, magníficas, belas e altivas, uma chamou-me especial atenção.
LEDA...
Fiquei diante dela por um intervalo de tempo, que poderia ser inerminável se pudesse parar o relógio. Fiquei ali admirando a obra. Observando cada detalhe, cada curva, cada traço esculpido e sua infinita beleza.
Leda apresenta-se quase sentada, creio que se estivesse em pé, teria seus 1,80m. Uma perfeição. Não só pelo trabalho concreto apresentado ali, pelo objeto em si, mas muito mais pelo que ela transmite, pelo que é possível sentir ao contemplá-la.
Fotografei Leda ainda em 2009 e recentemente, quando revisava meu acervo de fotos, encontrei uma definição que exprime com exatidão a figura de Leda:

"UMA ALMA ESCULPIDA"

É assim que me refiro à Leda!
Simplesmente MAGNÍFICA!
Abaixo, as fotos.
Mas...
se tiverem a oportunidade de visitá-la pessoalmente entenderão do que estou falando.
Um grande beijo da Dagui!










A escultura Leda foi adquirida pela Pinacoteca do Estado de São Paulo por tratar-se de uma obra premiada.Coluccini também participou do concurso internacional Monumento às Mães e seu projeto foi classificado em terceiro lugar.
Artista plástico de fama internacional fez seu nome no Brasil, onde até naturalizou-se, e contribui e muito com seu trabalho, apesar de ser um homem muito modesto que sempre dizia: sou um simples escultor, só isso sei fazer... e fez e muito para a cidade de Campinas, onde faleceu em 24/jul/1983.


Lelio Coluccini, o escultor


Nasceu na Itália em 3/Dez/1910, numa pequena cidade que é província de Lucca, hoje conhecida como Valdicastello - Carducci, em 1912 chegou ao Brasil acompanhado de seus familiares e estabeleceram-se em São Paulo e posteriormente vieram para Campinas. Família típica de artesões do mármore, razão esta que seu pai e seus irmãos fundaram a Marmoraria Irmãos Coluccini. Tradicionalmente as famílias italianas costumavam ensinar aos seus filhos todos os segredos da profissão, desse modo, Lelio começou bem cedo trabalhando de ajudante na Marmoraria e iniciou-se estudando desenho com a professora Theresa Marcilio na Loja Maçônica Independente. Aos sete anos de idade brincava de fazer escultura, e com nove anos, fez um belo trabalho em argila, uma cabeça de Cristo, seu pai entusiasmado com a habilidade que o pequeno Lelio demonstrava e também com a crítica feita à obra por um artista renomado, resolve retornar Lelio em 1924 para Itália afim de dar continuidade aos estudos das artes plásticas. De volta à terra natal e morando com sua avó, a nona Teresa, Lelio passou a estudar no Instituto d' Arti Stagio Stagi em Pietrasanta, cidade próxima a Valdicastello. Em 1927, seu pai expôs na vitrine da loja Ao Ponto, na rua Barão de Jaguara em Campinas, os desenhos religiosos e místicos de Lelio, pois ainda encontrava-se na Itália, tratava-se de um trabalho premiado no qual ele ganhou o Diploma de Honra no concurso daquele instituto. Estudou também na Accademia d' Arti di Carrara, onde teve a oportunidade de conhecer conceituados mestres da estatuária italiana da época e receber as valiosas orientações de escultores famosos como Antonio Bozzano e Leone Tommasi. Em 1929 recebeu da Accademia di Bele Arti di Pietrasanta o primeiro prêmio e a medalha de ouro, referente à obra chamada Studio Anatomico e por este mérito ganhou do governo italiano uma viagem a Roma. Retornou ao Brasil em 1931 e montaram seu atelier na sede da Marmoraria Irmãos Coluccini, onde pouco tempo depois fez uma pequena mostra de 3 trabalhos na vitrine da Casa Genoud em Campinas, dos quais destacam-se: o busto do capitalista de Limeira Trajano Bento, Medalhão do Sr.Luiz de Tullio e um estudo em crayon de um Cristo. Em 1937 muda-se para São Paulo onde se casa, nesse período, entre 1937 a 1947, trabalhou com vários materiais como o mármore, o granito, a terra-cota e o gesso e desenvolveu novas técnicas de pátinas, as quais resultaram em acabamentos primorosos, valorizando ainda mais seu trabalho de escultor e realçando seu estilo pessoal. Lelio Coluccini contribuiu desta forma para inovar o Modernismo no Brasil com acentos de Art-Dèco. Em 1936 na biblioteca do Centro de Ciências Letras e Artes realizou a primeira exposição oficial composta por 35 obras. Em São Paulo fez uma exposição em 12/Jun/1944 na Galeria do Salão Rudah, situada na Avenida Ipiranga que contava com 40 trabalhos, em 1947 desquita-se e volta a morar em Campinas, em 1950 realiza uma grandiosa exposição com 52 trabalhos no Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro onde um fato curioso ocorreu, pois a data de abertura da mencionada exposição coincidiu com o dia seguinte em que a Seleção Brasileira de Futebol havia perdido o Título Mundial perante a Seleção do Uruguai... resultado, a galeria ficou vazia... e Lelio decepcionado...Entre 1947 a 1951, Lelio mantém contato com artistas do Rio, onde se encontra o chamado Grupo Moderno do Brasil, com Portinari encabeçando posição perante a frente dos ditos Acadêmicos. Casa-se novamente em 1954, e passa a ser professor de desenho na Escola Gabriele D'Annunzio, no Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro e também no Centro de Ciências Letras e Artes. Entre 1954 a 1964, Lelio passa por uma fase de grande desenvolvimento escultórico destacando-se os seus traços típicos de esculpir.Foi agraciado em 1961 com o Título de Cidadão Campineiro pelo seu destaque como escultor quando elevou o nome de Campinas às Galerias de Belas Artes. Em 1962 promove uma grandiosa exposição individual no Teatro Municipal Carlos Gomes onde Lelio conseguiu reunir 43 estátuas que caracterizavam sua habilidade em manipular diversas matérias-primas. Em 1964 recebeu o Diploma da Ordem dos Cavalheiros Honorários de Campinas, juntamente com o troféu Carlos Gomes. O Cemitério da Saudade de Campinas é um verdadeiro acervo público, onde obras do Escultor Lelio Coluccini e muitos outros artistas transformaram-se numa Galeria de Belas Artes ao ar livre. As praças e os jardins e outros logradouros públicos de Campinas já se acostumaram a compor suas arquiteturas com bustos e monumentos de Lelio Coluccini. O seu último trabalho foi a Águia da Academia Campinense de Letras feito em 1975.

Alguns dos monumentos mais importantes de Campinas são:
As Andorinhas, Ao Bicentenário, Aos Imigrantes (em Sousas), Ao presidente Kennedy, as placas do Forum e a Santa Ceia (altar da Igreja do Carmo).


Na cidade de São Paulo outros monumentos destacam-se como:A Música, Das Bonecas e Diana a caçadora.

(as informações biográficas do artista foram retiradas do site em sua referência).

3 comentários:

Paula Yuri disse...

Oi, seu blog tb está lindo :D
eu aprendi a fazer uma saia reta, e agora estou fazenod uma cheia de babados *_*
estou adorando tudo aqui na facul,aulas de historia da arte,modelagem e desenho ^^

ok, quando vc puder colocar as fotos me avisa! até
bjus ;*

Macário Campos disse...

Oi Dagui.

Só mesmo alguém com o olhar atento e sensível consegue captar toda a beleza de um grande museu. A Pinacoteca é também para mim um dos melhores passeios, ao qual não me canso de fazer.
Do seu acervo, o que mais gosto são as obras de Almeida Júnior, além do magnífico parque de esculturas.

Dagmar disse...

Oi Macário,

obrigada por sua visita no blog e por seu comentário. De fato, um dia não é suficiente para observar atentamente tudo o que tem na Pinacoteca. Também gosto das obras de Almeida Júnior. A obra dele que mais me fascina é "Saudade". Aquele onde uma mulher lê atentamente um cartão, provavelmente de seu amado. Sua expressão é tão realista. Uma bonita obra, seus tons de preto e suas cores quentes, remetem ao clima bem brasileiro. Lindas mesmo. Também fiquei bastante emocionada em ver o quadro de Portinari "O Mulato", que inclusive está emoldurado e protegido por um vidro, em frente à tela. Por isso as fotos ficam complicadas, em função do reflexo. Gosto também de Volpi e Ivan Serpa, também do Scliar e tantos outros... um passeio e tanto!

abraço e até mais.