BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

15 de setembro de 2010

MUSEU PARA TODOS


Recebo semanalmente a programação da Pinacoteca do Estado de São Paulo e algumas chego a postar no blog. Esta, em especial, chamou-me a atenção pela referência que faz à responsabilidade educacional dos museus enquanto entidades que preservam nossa memória artística e cultural. Um tema que aliás, há tempos quero abordar num post.
A palavra "Museu" nos remete à um conceito de espaço onde são catalogados e arquivados objetos antigos, velhos, em desuso e que ao mesmo tempo fizeram parte de algum acontencimento histórico importante. Em geral, um local escuro, onde além de antiguidades, convive-se com o cheiro de "coisas" guardadas. Ah... não dá para esquecer do livro de presença, que é assinado antes ou após a visitação ao acervo. Este último, preferencialmente intocável, não fotografável - em muitas instituições museológicas - constituem um sentimento de "mini-mausoléu" ... e tantas outras definições que povoam o nosso imaginário a respeito destes locais de HISTÓRIA VIVA, PRESENTE E RADIANTE!!!
A história dos museus no Brasil é de longa data.

"A mais antiga experiência museológica de que se tem notícia no Brasil remonta ao século XVII e foi desenvolvida durante o período da dominação holandesa, em Pernambuco. Consistiu na implantação de um museu (incluindo jardim botânico, jardim zoológico e observatório astronômico) no grande parque do Palácio de Vrijburg. Mais adiante, já na segunda metade do século XVIII, no Rio de Janeiro, surgiria a famosa Casa de Xavier dos Pássaros – na verdade, um museu de história natural – cuja existência prolongou-se até o início do século XIX. Ainda que essas duas experiências museológicas não tenham se perpetuado, elas são ainda hoje notáveis evidências de que, pela via dos museus, ações de caráter preservacionista foram levadas a efeito durante o período colonial. De qualquer modo, acontecimentos museais capazes de se enraizar na vida social e cultural brasileira só seriam perpetrados após a chegada da família real portuguesa, em 1808, um marco sem precedentes. É nesse quadro que, em 1818, foi criado o Museu Real, hoje Museu Nacional da Quinta da Boa Vista e, em 1816, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.Em 1826, quatro anos depois da Independência, foi inaugurado o primeiro salão da Academia Imperial de Belas Artes (que, a rigor, pode ser considerado um dos antecedentes do Veredas e construções
de uma política nacional de museus, atual Museu Nacional de Belas Artes).
De modo gradativo, a imaginação museal no Brasil foi se construindo com as experiências desenvolvidas no século XIX, sobretudo a partir de sua segunda metade. Nesse sentido, merecem destaque a criação do museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838), do Museu do Exército (1864), da Sociedade Filomática (1866) – que daria origem ao Museu Paraense Emílio Goeldi – do Museu da Marinha (1868), do Museu Paranaense (1876) e do Museu Paulista (1895). Este breve esboço da constituição da imaginação museal no Brasil permite compreender que, mesmo antes do surgimento das universidades e dos institutos públicos de preservação do patrimônio cultural, os museus já exerciam as funções de pesquisa, preservação, comunicação patrimonial, formação e capacitação profissional." (trecho explicativo extraído dos documentos referentes à Política Nacional dos Museus editado pelo Ministério da Cultura).

E desde então, até os dias de hoje, ocorreram mudanças substanciais na estrutura de organização e administração das instituições museológicas. No intuito de "aproximar" o museu da sociedade e a sociedade do museu, inúmeras conferências e discussões vem sendo palco de grandes mudanças. Hoje, o museu - mesmo que timidamente - ganha espaço como difusor de cultura e preservação não só de objetos antigos, obras de arte, mas da memória e identidade nacional. Memória viva, presente no "ontem" e no "hoje".
Na verdade, o termo "timidamente" refere-se à cultura ainda fortemente enraizada no imaginário popular que transmite à idéia de obsoleto, como descrito no início deste artigo.
A Política Nacional elaborada para os museus e preservação de todo o patrimônio histórico cultural, seja ele material ou imaterial, define algumas metas de ação prática, que envolve imprescindivelmente atividades "educacionais" dentro das insituições museológicas. Espaços educativos estão cada vez mais presentes e são necessários na tarefa de abrir a porta da história como algo inerente à sociedade. Promover o acesso à cultura à todas as camadas sociais, à populações distintas, de diferentes espaços culturais e todas as idades. Este é o objetivo.

Lançada em 16 de maio de 2003, a Política Nacional de Museus, ainda que com caráter republicano ganha destaque pela sua força na ação e movimentação social. Sendo esta a sua principal característica, acaba por extrapolar os moldes das políticas convencionais existentes até então.
Metodologicamente, divide-se em quatro etapas, a saber:

1. Elaboração de um documento básico para discussão geral com a participação de representantes de entidades e organizações museológicas e universidades, além de profissionais de destacada atuação na área. Esse documento levou em conta a “Carta de Rio Grande” e o texto “Imaginação museal a serviço da Cultura”.

2. Apresentação e debate público do documento básico, em reuniões ampliadas, no Rio de Janeiro e em Brasília, entre 23 e 27 de março de 2003, com a participação de 23 diretores de museus, representantes das secretarias estaduais e municipais de cultura, professores de universidades, representantes de entidades e organizações museológicas de âmbito nacional e internacional. Mais de uma centena de pessoas.

3. Ampla disseminação e discussão do documento básico por meio eletrônico e reuniões presenciais. Profissionais de museus de diferentes áreas do conhecimento, professores, estudantes, aposentados, pesquisadores, técnicos, gestores culturais, líderes comunitários, políticos, educadores, jornalistas e artistas – enfim, todos os interessados em participar do debate – puderam contribuir livre e democraticamente para o aprimoramento da proposta inicial. Além das múltiplas e expressivas contribuições nacionais, o documento contou também com a leitura crítica, atenta e sugestiva de profissionais que atuam na França, na Holanda e em Portugal.

4. Finalmente, uma equipe mista, formada por representantes do poder público e da sociedade civil, consolidou as diferentes sugestões e apresentou uma nova versão para o documento inicial. Essa versão foi mais uma vez submetida ao debate por meio eletrônico, corrigida, ajustada, aprovada, publicada e lançada no outono de 2003. 

Baseado nesta estruturação foram também definidos e adotados alguns princípios na orientação da Política Nacional de Museus:

1. Estabelecimento e consolidação de políticas públicas para os campos do patrimônio cultural, da memória social e dos museus, visando à democratização das instituições e do acesso aos bens culturais.

2. Valorização do patrimônio cultural sob a guarda dos museus, compreendendo-os como unidades de valor
estratégico nos diferentes processos identitários, sejam eles de caráter nacional, regional ou local.

3. Desenvolvimento de práticas e políticas educacionais orientadas para o respeito à diferença e à diversidade cultural do povo brasileiro.

4. Reconhecimento e garantia dos direitos das comunidades organizadas de participar, com técnicos e gestores culturais, dos processos de registro e proteção legal e dos procedimentos técnicos e políticos de definição do patrimônio a ser musealizado.

5. Estímulo e apoio à participação de museus comunitários, ecomuseus, museus locais, museus escolares e outros na Política Nacional de Museus e nas ações de preservação e gerenciamento do patrimônio cultural.

6. Incentivo a programas e ações que viabilizem a conservação, a preservação e a sustentabilidade do patrimônio cultural submetido a processo de musealização.

7. Respeito ao patrimônio cultural das comunidades indígenas e afro-descendentes, de acordo com as suas especificidades e diversidades.

Para tanto, o IPHAN e o IBRAM (este último criado em 2009 pelo governo federal) formam o comando destas ações na viabilização de todos os projetos que visem ao cumprimento e instituição das Políticas Nacionais e dos Princípios definidos como básicos para a "quebra" de paradigmas que "conceituam ou conceituavam" o nosso imaginário acerca de nossa história preservada nestes espaços de cultura.
Visitar um museu, não é apenas um passeio cultural, ou programa de sábado e domingo. É sem dúvida um encontro com as raízes do povo brasileiro, um enlace com a nossa origem, que permite destrinchar o que fomos no passado e o que somos hoje como nação multi-étnica, multi-cultural, diversa e magnífica.

Bom passeio!
E quando visitar um museu, deixe de lado tudo o que aprendeu sobre ele. Coloque o óculos da crítica e se coloque na posição de autor e participante desta história riquíssima da qual faz parte, cidadão brasileiro!

Super abraço,
Dagmar

texto: Dagmar

2 comentários:

Mirtes disse...

Oi Dagui td bem?
Cada vez que leio o seu blog fico mais encantada, está lindo e cheio de coisas super interessantes, parabéns.
Que deus te ilumine muito e que sua vida seja sempre uma mania colorida.

Beijos
saudades
Mirtes

Dagmar disse...

Olá Mirtes, obrigada por estar sempre presente aqui, ler as postagens e opinar. Fico feliz que goste de passear por ele de vez em quando. Você é sempre bem vinda. Um super beijo, saudades também.
Dagui