BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

16 de dezembro de 2011

ARTE TAMBÉM DO LADO DE FORA

DE DENTRO E DE FORA traz oito artistas estrangeiros e um grupo brasileiro para residência e criação de obras e intervenções artísticas de site specific. Pinturas, murais, esculturas, instalações, colagens, objetos, fotografias, mapas, impressos e vídeos... (MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)


Hoje, em meu mural do facebook vi um vídeo de divulgação desta mostra no MASP em São Paulo. Muito alegre, colorida e ao mesmo tempo cheia de conteúdo. O interessante dos arredores do MASP é que a sua decoração estende-se para além dos limites do museu. Avaçando pelas ruas da Avenida Paulista e modificando a paisagem da estação do MASP do metrô, com belíssimos painéis contemporâneos que incorporam o cotidiano das pessoas que por ali passam todos os dias! Uma paisagem que se funde com a vida do paulistano. Quem for à São Paulo precisa conhecer o museu e sua influência na Avenida Paulista. Bom passeio!


De Dentro e De Fora from De Dentro e De Fora on Vimeo.

14 de dezembro de 2011

O QUE TEM A VER, OS CORREIOS COM A ARTE?




Na era digital, quase nos esquecemos da função dos correios. Há alguns anos atrás, nesta época do ano, todos iam aos correios postar cartões de Natal e cartas aos familiares e amigos distantes, não é? Dependendo da região do país, ou do mundo, a correspondência levava alguns dias e até mesmo semanas para chegar. Era preciso programar a data do envio com antecedência, a fim de que a homenagem não chegasse após o evento propriamente dito. 
Hoje em dia, a dica "da hora" é o e-mail. Cartões virtuais, musicados, animados, todos coloridos e caracterizados, com lindas mensagens para todas as ocasiões, praticamente substituem o "rito" de postar cartas nos correios.
A tecnologia e a modernização dos processos ocorre com muita velocidade e logo alguns hábitos, como escrever cartas à caneta em um papel próprio, vão desaparecendo em detrimento de novas possibilidades de comunicação, bem mais rápidas e eficientes. Isso considerando, é claro, que os correios tem um dos serviços mais sérios do país, com alto grau de eficiência e credibilidade. Entrega garantida. Mas o e-mail é instantâneo e permite retorno rápido a assuntos que exigem certa urgência.
Mas... você conhece a Arte Postal? Já ouviu falar? Já decorou alguma carta ou cartão Postal para enviar a uma pessoa muito querida? Sim? Então, talvez já tenha produzido algumas destas belezas estéticas sem saber.  
O mundo se transformou, a comunicação também, na Arte não é diferente.
Em um panorama mundial de guerras, sistemas políticos opressores e ditatoriais, onde a expressão de idéias e ideais era controlada, a vazão dos protestos contidos foi canalizada também para a arte. A arte adquiriu conteúdo mais politizado e passou a integrar um movimento denominado Arte Conceitual, que disseminou e valorizou idéias e conceitos, mais do que a própria estética da obra ou do objeto. Assim surgiu a primeira grande forma de arte em rede, uma rede anterior às redes telemáticas: a Arte Postal. O marco considerado como o início desta arte foi o ano de 1962. Ray Johnson formalizou o uso do correio como meio de expressão e integração cultural entre artistas de todos os cantos do mundo. Iniciado na “Correspondance Art School”, em Nova Iorque, o movimento teve relação com as vanguardas instauradas ao longo do Século XX, que começaram a utilizar um modo de expressão diferente do que é considerado a extensão do corpo do artista: as tecnologias, que passaram a incorporar novos comportamentos. Teve grande destaque nas décadas de 1970 e 1980. Antes mesmo de ser reconhecida como tal, a Mail Art já era utilizada por artistas futuristas e dadaístas, que enviavam cartões postais de forma artística. Marcel Duchamp trocava correspondência com finalidades estéticas, além de acreditar que qualquer um poderia intervir em uma criação, dando assim uma conotação de arte colaborativa. Também surgida na contramão de um sistema oficial de cultura, a Mail Art foi vista como “anárquica”, instituída para trocar idéias, manifestos de temáticas diversas direcionadas à pessoas ou grupos por afinidades pessoais, políticas, ou artísticas. 
Assim, os artistas postais trocam cartas ilustradas, fanzines, envelopes decorados, cartões postais, objetos tridimensionais, dobraduras e outras criações que podem ser postadas pelo correio. Uma forma interessante de expressão artística e que também pode ser analisada sob outros prismas. A Mail Art pode também ser a arte do meio, arte ou artesanato postal. Uma forma de comunicação visual, ilustração e desmaterialização do convencional, que faz do artista postal, um interessado do mundo dos signos e das linguagens como forma de interagir com o mundo. O artista prioriza a linguagem como tendo função de referencial documentário, em detrimento do poético, ou estético. Além de possuir caráter informativo pode agregar outros tipos de conteúdo como, a propaganda, disseminação de idéias com forte tendência de linguagem retórica para veicular suas ideologias artísticas. Assim, a Mail Art cria um circuito dentro do sistema de arte ampliando-o, contudo sempre tendo um “braço” estendido para o contraditório, pois mescla suas funções. Não é  utilizado somente para fins artísticos, mas também institucionais. Assim sendo, para manter a sua pureza, ou característica de arte é um produto individual único e não produzido em série, como um processo industrial. Seria uma cultura à nível planetário e internacional e pode ser uma forma de arte coletiva, uma vez que muitas pessoas podem participar dela. Andy Warhol difunde a seguinte idéia: “Todo mundo será conhecido universalmente por 15 minutos”.

A ARTE POSTAL E SEUS ARTISTAS
Guy Bleus


Hans Braunmüller

Hans Braunmüller

John Fellows

Jim Kauffmann

Ray Johnson

Mark Bloch


Gostaram? Quem sabe não podemos formar um grupo de ARTE POSTAL, heim? O que acham da idéia? Podemos trocar correspondências artísticas. Vamos pensar no assunto?


8 de dezembro de 2011

CULTO OU POPULAR? O QUE VOCÊ PREFERE?

Antônio Poteiro, Soltando pipas na favela - 2003 - Goiânia
Que conceitos você tem destes dois termos? O que entende por erudito e o que acha ser o popular? Normalmente as pessoas associam a palavra “erudito” a algo refinado, nobre, de “melhor” qualidade, mais caro e consumido por pessoas com maior poder aquisitivo. Não é assim? Já o popular é visto por muitos, como sinônimo de “brega”, sem muito valor agregado, tanto monetário, quanto em aparência. Quem sabe confeccionado com materiais baratos e pouco resistentes. Sem muita estética, ou pelo menos, não se encaixa no padrão de beleza “eleito” como sendo o politicamente correto, ou vigente. Algo lhe parece familiar nesta fala?
E na Arte? O que seria para você Arte Erudita e Arte Popular? Você diria que uma é mais significativa que a outra? Uma mais importante do que a outra? Pense um pouco e responda a si mesmo.
Talvez tenhamos crescido em um meio em que certas atividades ou rotinas, não passem realmente disto, “rotinas”. O ato de costurar uma roupa, uma linda colcha de retalhos ou uma cortina de tecido para aquela janela da casa, pode ser apenas um trabalho cotidiano realizado por pessoas que aprenderam o ofício e que pretendem economizar desta forma. Não se vê o ato de costurar tais peças, como um processo criativo, onde além do utilitário, seja almejado o “belo” ou um resultado “bonito”. Cada recorte de tecido colorido tem seu lugar na colcha, podendo formar lindas composições. A roupa pode apresentar detalhes novos e exclusivos, ou seja, somente aquela peça terá estas características. Em suma, o ato de criar se faz presente na confecção de objetos diversos, utensílios domésticos de toda ordem, desde as roupas, colchas, cortinas, tapetes, até potes de cerâmica, cadeiras, bancos, mesas e tantos outros objetos de uso cotidiano e, justamente por serem comuns à rotina diária, nos parecem inofensivos, sem graça, repetidos e comuns a ponto de não serem percebidos.
Pieter Bruegel, Jogos infantis - 1560 - Bruxelas
Artistas eruditos freqüentaram a academia, estudaram estética, técnicas, história e certamente imbuídos de talento, se propõe a criar suas obras como se fossem – e são – um texto visual complexo e filosófico, que necessita ser observado por algum tempo a fio, a fim de ser interpretado, lido ou compreendido. Ocorre que o artista popular, embora não tenha freqüentado as escolas de arte e desenho, não viva unicamente de sua criação, mesmo que deseje um dia fazê-lo, tanto cria textos visuais complexos, quanto filosóficos. Será? Existe diferença estética? Pode até ser que sim. Em algumas obras, os traços podem ser mais retilíneos e cuidadosamente acabados. As cores estudadas e postas sobre a tela, papel ou outro suporte qualquer, mas sempre “pensada”, nunca “jogada” ao léo. Em outras, as proporções podem parecer desrespeitadas, as cores usadas indiscriminadamente e as formas podem apresentar acabamentos aparentemente “grosseiros”. Pode ser. Depende de quem vê, como vê, o que sabe a respeito e o que pensa sobre arte. Neste caso, inevitavelmente entramos no campo “gosto pessoal” e desde pequenos ouvimos dizer que este, não se discute. Será que não?
A Professora Leda Maria de Barros Guimarães, da Universidade Federal de Goiás, há muito pesquisa sobre esta dicotomia existente em Arte Erudita e Arte Popular. Em seu artigo intitulado “Arte e Cultura Popular: variações em torno da construção de conceitos e valores” aborda de forma consistente, a linha tênue que envolve a compreensão do conceito de arte popular, naïf, primitiva, ingênua, folclore, cultura popular e suas “diferenças” com a denominada arte culta ou, erudita. Toca num ponto delicado e de certa forma complexa, no entendimento do senso comum, que acaba por provocar uma classificação qualitativa nas diversas expressões artísticas e culturais. BACCARELLI (1996) diz que, nas civilizações primitivas, a arte tinha caráter funcional e era valorada pelo material empregado e técnica utilizada, não havia distinção. Todas as artes tinham o seu papel ou finalidade, fosse mágico, ritualístico ou evocativo. Com o advento da Revolução Industrial há o surgimento de artefatos industrializados e da mecanização dos processos de produção. O Século XIX reformula o cenário da Arte, com o surgimento de uma sociedade burguesa, da valorização da cultura urbana e o acréscimo de conteúdo filosófico à Arte, atribuindo à criação um maior envolvimento intelectual, compromisso com o pensar. Este fato estabelece uma divisão entre o Erudito e o Popular, onde ao primeiro é atribuído o termo “Belas Artes” e considerado arte superior e, ao segundo arte de menor valor. Assim, por exemplo, a arte popular é percebida alheia à História da Arte brasileira, numa via paralela e não como parte dela. Uma separação que provoca distanciamentos conceituais “equivocados” na compreensão do texto apresentado pela Professora Leda. A professora propõe justamente a condição de não haver “a priori” categorias que separem a arte neste dois blocos-ilhas, que ao fundo do oceano acabam unidas.
Sobre esta questão, Ana Mae Barbosa apresenta uma definição bastante elucidativa, quando fala da diversidade artística e cultural no ambiente escolar. Ela diz que “a escola seria o lugar em que se poderia exercer o princípio democrático de acesso à informação e formação estética de todas as classes sociais” , o que nos aponta uma das grandes questões desta classificação dicotômica, que atribui a arte popular a um valor monetário menor, ou advinda de sujeitos pertencentes à classes de baixa renda, ou de menor escolarização perfazendo assim, o raciocínio de distribuição dos bens culturais, onde a classe dominante rege também os valores estéticos da arte. Ana Mae ainda completa que, desta forma, a escola estaria “propiciando na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos”. Assim podemos dizer que as diferentes representações estéticas compreendem códigos culturais também diferentes e não, superiores ou inferiores, apenas diferentes. Neste caso, o que se classifica como erudito faria também parte deste conceito de “apenas diferente” e não superior. Considerando que a arte estebelece-se na sociedade de acordo com seu contexto social, econômico e político e, assim sendo transfere em suas representações estes mesmos códigos, não é possível mensurar determinados valores. Mas é possível estabelecer uma relação arte-cultura, ou arte como produto cultural e que depende dos códigos simbólicos de seu meio e de sua realidade, portanto não sendo passível de classificação qualitativa.
Somente na segunda metade do Século XX é possível perceber uma visão mais democrática neste sentido, na tentativa de suprimir as diferenças de classe, o que seria talvez um retorno ao conceito primitivo de arte, onde seu valor não está exatamente associada ao grupo social em que é produzida, mas em relação ao discurso que carrega, sendo indiferente pertencer à classe de poder dominante ou não.
 E agora? O que você pensa a respeito? Observe estas duas obras:

Poteiro - Soltando pipas na favela - 2003 - Goiânia

Bruegel, Jogos infantis - 1560 - Bruxelas




A primeira, de Bruegel, mostra a realidade de grupos infantis que se divertem no "pátio" das casas, ou no espaço de uso comum da colônia. São crianças simples, filhos de agricultores e trabalhadores rurais e é possível perceber uma variedade enorme de brincadeiras diferentes. Entre arcos, cordas, varinhas, pega-pega, se veem rostos tristes e endurecidos, tal qual as crianças eram vistas na época, como "pequenos adultos", ou miniaturas de adultos. No entanto revela a ânsia de libertar-se na brincadeira. Na Europa de 1560, não haviam condições sanitárias adequadas, nem escolas, nem uma preocupação com a infância, crianças eram mais uma boca para comer, a doença assolava famílias inteiras. Com frequência serviam aos nobres em suas casas como pagens, empregados sendo pequenos trabalhadores e tendo sua infância tolhida, de certa forma. No entanto, a brincadeira e o brinquedo sempre se fazem presentes nesta fase da vida do ser humano. Brincar é a marca da criança.

Na segunda imagem, temos uma representação feita por um artista considerado popular. Antônio Poteiro retrata crianças brincando de soltar pipas. Cenário: a favela, mundo hostil e cruel, onde a marginalidade não pede licença e crianças são expostas diariamente à violência urbana, mais modernizada àquela representada no quadro anterior. Crianças sempre brincam! O que difere uma imagem da outra, além da estética das imagens, são as cores, a luminosidade entre uma e outra. Uma parece mais entristecida por suas cores e a outra mostra, que apesar das dificuldades cotidianas a alegria se faz presente nas brincadeiras infantis. Onde há crianças, há alegria. Considerando as duas representações, podemos dizer que dizem a mesma coisa em épocas diferentes e a pergunta é: PORQUE UMA É CONSIDERADA CULTA E A OUTRA POPULAR? Em outras palavras: superior ou inferior, segundo o texto da professora Leda?

Para saber mais:

BARBOSA, Ana Mae . A imagem no ensino da arte. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.


GUIMARÃES, Leda Maria de Barros. Arte e cultura popular: variações em torno da   construção de conceitos e valores. Módulo 8. Grupo Arteduca, Brasília: IdA/UnB, 2011.


Até mais,
Dagmar


6 de dezembro de 2011

JOGOS VOCAIS

No embalo do uso das tecnologias nas expressões artísticas não posso deixar de trazer aqui no blog este magnífico vídeo produzido pelo grupo vocal "A Capella Medley", na Dinamarca. Apenas vozes, sem instrumentos eles dão um show à parte com alguns "hits" da música pop.
Simplesmente fantástico.
Apreciem!

4 de dezembro de 2011

NOVIDADE NO QUE É DE COSTUME

            Habituar-se a olhar, não apenas olhar, mas olhar e ver. Não raro observamos o cotidiano como algo que se repete diariamente, inclusive seguindo a mesma ordem do dia, numa enfadonha roda que gira e gira retornando sempre ao mesmo ponto. Este processo se torna tão automático e mecanizado, que não percebemos pequenas mudanças de rota, entre uma ação e outra. Assim também o é com relação ao que observamos. Observar, na verdade sem ver realmente o que se passa. 

Frequentemente, a arte que existe em nossa vida cotidiana é invisível. No entanto, quando a arte local é interpretada a partir de seu contexto, essa interpretação aciona não só uma maior compreensão da arte em si, mas também uma análise crítica do sistema  de produção e dos valores nela refletidos. (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 232)

            Ensinar a ver é papel dos pais e também dos professores. Atentar para detalhes, cores, formas, nuances de movimento. Atentar para a novidade no velho, no usado, no teoricamente esquecido. Perceber quantas informações podem estar contidas num pequeno objeto decorativo, naquela toalha bordada em ponto cruz, que cobre a mesa da sala, ou ainda, na colorida colcha de retalhos que decora a cama no quarto. Quem fez, onde fez, com que material executou a tarefa e porque faz estas “coisas”... . Objetos ou artefatos confeccionados tanto pela necessidade utilitária, quanto pelo desejo de criar algo também belo. Buscas que ajudam a revelar um pouco da história do artista-artesão e também de seu contexto, sua realidade. Histórias e memórias estampadas na arte e nos objetos de uso cotidiano, aparentemente inofensivos e também desprezados pelo nosso observar. “A repetitividade, familiaridade e as contradições da vida cotidiana a tornam muitas vezes invisível” (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 234).
            Um estudo etnográfico propõe e supõe questionamentos inicialmente “inocentes”, mas que levam a respostas profundas e reveladoras. “Erickson (1986) enfatizou a necessidade de prestar atenção aos acontecimentos do dia-a-dia, convidando educadores ‘a transformar em estranho o familiar’, estranho o suficiente para ser percebido.” (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 234).  Aprender a observar pode estar ligado ao apreço que se tem por certas estéticas. Bastante relacionado ao gosto pessoal, que por sua vez é desenvolvido ao longo de nossa existência, tendo iniciado ainda na mais tenra idade. O que nos atrai, consequentemente nos prende ao olhar. Assim doamos mais tempo ao “objeto do desejo” e, por sua vez capturamos maior número de informações, a fim de satisfazer nossa curiosidade. Uma relação de afeto com o que observamos faz com que busquemos as novidades do objeto observado.   Cada novo olhar, traz também novas informações.
            O texto visual de cada objeto observado pode revelar histórias de vida ou de um povo. Pode mostrar os modos de uma sociedade, sua economia, suas tradições e crenças. Basta OLHAR, VER E QUESTIONAR.

REFERÊNCIAS

BASTOS, Flávia Maria cunha. O perturbamento do familiar: Uma proposta teórica para a Arte/Educação baseada na comunidade. In: BARBOSA, Ana Mae (org.). Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez, 2008. p.227-243.

SCHILICHTING, Julia Campello. Métodos e técnicas em antropologia cultural. Texto de apoio. Arteduca IdA/UnB, 2011.


ESTUDO ETNOGRÁFICO

"Namoradeiras"

Cidade de Goiás – GO

Peças decorativas em cerâmica. Barro moldado, queimado em forno e colorido com tinta, na caracterização do feminino. Artesanato popular tradicional encontrado em várias regiões do país. Utilizado na decoração de residências, geralmente dispostas nas janelas das casas, podendo ser vistas da rua. As formas e cores utilizadas representam mulheres brasileiras num misto de etnias. Remete à uma paisagem bucólica. Um urbano simples, rural. Expostas nas janelas como quem observa tranquilamente o transeunte da rua. Alguém que tem tempo para apreciar a paisagem e está fora da rotina conturbada de uma cidade grande. Portanto, uma personagem do interior, da cidade pequena. Cores, estampas, babados, vestidos, brincos, pulseiras, batom, penteado e enfeites no cabelo simbolizam a feminilidade e a vaidade da mulher, aqui simbolizadas através da beleza e exuberância da mulher negra. “Namoradeiras”, nome dado a estas peças também por estarem à espreita na janela, ou sempre à espera de alguém, de um amor.


COLCHA DE RETALHOS



Mostra Cultural numa escola da rede privada em Goiânia. Tema: Goiás – Turma de 4º ano do Ensino Fundamental. Foi feita uma simulação do quarto de Cora Coralina e esta colcha de retalhos estava sobre sua cama.
Colcha de tecidos, com fundo preto e sobreposição de pequenas flores de retalhos coloridos. Costura. Técnica muito utilizada no interior, longe das grandes cidades. Figuras ordenadas em fileiras, quase seguindo uma ordem na disposição das cores. Patschwork. Revela o jeito simples de viver, decorar e “cuidar” da casa. Delicadeza nos detalhes e nas formas utilizadas. Artefatos como toalhas de mesa, cortinas, colchas, cobre-leitos, mantas para sofás, almofadas coloridas, assentos para cadeiras, panos de prato, tapetes, protetores de fogão, geladeira e tantos outros servem para a proteção de peças e mobiliários, bem como revelam certo “capricho” e apreço pelo “lar”. Em algumas regiões do país, estampas e formatos derivam da colonização açoriana, portuguesa. Em outras, a tradição de povos europeus, como os alemães, poloneses, italianos e outros. 


VASO DE CERÂMICA


Mostra Cultural numa escola da rede privada em Goiânia. Tema: Homenagem à artista Goiandira. Várias peças trabalhadas com areia colorida, entre elas, vasos de barro.
Peça de cerâmica trabalhada com areia colorida. Detalhes geometrizados semelhantes à grafismos indígenas. Vaso utilitário decorado com areia colorida, imitando grafismos indígenas e homenageando a artista GOIANDIRA. As peças de barro produzidas pelos índios marajoara, denominadas de “cerâmica marajoara” possuem características semelhantes. Peças tradicionais produzidas em barro, com a finalidade utilitária, como potes, moringas de água, copos, jarros, panelas e vasos. Retrata a vida no campo e do homem rude, do sertanejo e da cozinheira em volta do fogão à lenha a preparar os alimentos nas panelas de barro. Os detalhes coloridos que representam grafismos indígenas, com desenhos que imitam a natureza, utilizando areia, mineral natural, remete à simplicidade, ao básico e á valorização do detalhe decorativo nas peças de uso cotidiano. 


Habituar-se a observar o que está à nossa volta, pode revelar uma faceta oculta do belo. 
Dagmar




ARTE E TECNOLOGIA


A Arte também está presente no meio digital e das mais diversas formas. Na internet e através dela é possível aprender sobre Arte, participar de obras coletivas e inclusive interagir com elas, em tempo real. Num mundo onde a informação é instantânea, a impermanência do homem e de suas idéias passa a ser uma constante. A necessidade do registro de sua história, desde os primórdios da humanidade inundam a mente humana. o homem sente necessidade de deixar sua marca para as gerações futuras. Na Arte, não só um apreciador, mas o prório artista. E senão o artista, um interventor. Poder modificar o que parece consumado instiga os desejos mais profundos do homem. Modificar realiddades, rotas, escolhas, tornar mais bonito ou simplesmente interferir. Trazer a arte para o espaço virtual possibilitando a toda pessoa ser um agente participante dela é uma característica da Web Art. A possibilidade de interferir em uma obra de arte é nula, quando se observa uma pintura em tela, uma escultura ou uma mostra de arte tradicional. O espectador fica com a imagem criada pelo artista, sem a possibilidade de acrescentar ou agregar novo conteúdo, a fim de que receba sua interpretação, seu olhar, seu sentir. Fica sujeito à criação do artista, como mero espectador, embora possa interpretá-la.
Na arte interativa ocorre o mesmo, com a diferença de que o espectador ganha o status de co-artista, ou até mesmo o próprio artista. Sua criação passa a ser sua até certo ponto e poderá ganhar caracteristicas totalmente diferentes, a partir da intervenção de outras pessoas. A iminência de perder a criação original provoca certa "adrenalina" e a possibilidade de modificar algo mexe diretamente com o "proibido", ou aquilo que não poderíamos estar fazendo, mas estamos liberados para fazer. esta sensação de inconstância e possibilidade de intervir a todo instante e de acordo com a própria vontade faz da ARTE COLABORATIVA NA INTERNET, um jogo de trocas simbólicas fascinante, onde cada um doa ao mundo um pouco de si e recebe do outro, em fração de segundos.
No link abaixo, o internauta é convidado a criar sua própria melodia. Clicar nos quadradinhos produzirá sons, que combinados viram "música". Também é possível desclicar enquanto se houve a melodia. Assim, neste exercíco de clicar e desclicar é possível produzir som e ritmo alternados entre graves e agudos. Uma divertida brincadeira para todas as idades. 
Para acessar, clique no link abaixo e bom divertimento!


Gostou da dica? Volte aqui e comente.
Um ótimo domingo,
Dagmar

23 de outubro de 2011

Brincando com cores e formas

 "Sorriso"
2011

 "Peixe"
2011

"Construção"
2011



Elaborando um trabalho com características do modernismo comecei a explorar algumas ferramentas digitais. Gostei de brincar com as cores sobre uma base que fiz com recortes de papel. Achei que ficou meio "bauhausiano"... rs.
Adorei o resultado.

Bjs
Dagui

8 de outubro de 2011

Erudito e Popular




Meu "filhote" faz aulas de violino e há muito gosta deste instrumento tão sonoro e poético. Além de treinar muito diariamente gosta de ouvir o instrumento e vive garimpando, na busca de sonoridades diferentes.
Então hoje a tarde, em casa, curtindo uma chuvinha bem gostosa e ouvindo música, ele me mostrou este som bem diferente. Que ouvidinho refinado heim! Uma fantástica mistura de um instrumento clássico a um ritmo contemporâneo chamado, Hip-Hop.
Adorei a dica e trouxe aqui para dividir com vocês.
Vamos ouvir?
bjs
Dagui

25 de julho de 2011

MUITO MAIS DO QUE


Mil motivos para comemorar 
um 100 número de alegrias!!!!


Muito obrigada pela companhia!

Com carinho,
Dagui

26 de junho de 2011

O QUE QUERO DIZER É O SEGUINTE:

que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as mulheres, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar. A boniteza de ser gente se acha, entre outras coisas, nessa possibilidade e nesse dever de brigar. Saber que devo respeito à autonomia e à identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente com este saber.

Paulo Freire
Pedagogia da Autonomia




Por mais que o mundo avance e nos cheguem a cada dia, novos conceitos e novas teorias, nada subsitui a sabedoria de contextualizar as "falas" em nosso cotidiano. 
Paulo Freire é um homem a frente de seu tempo, que pensou GRANDE para a Educação.
Mesmo com todo o avanço da humanidade e das pessoas, nos diálogos sobre gênero, de cunho racial, Educação, sociais... enfim, são tantas as questões e as urgências, que nem são atuais, mas sim os seus debates...  e nem com tudo isso parecemos alcançar a proposta deste homem que tanto contribuiu para o aprimoramento da prática educativa.

Beijos e um ótimo fim de domingo.

Dagui

25 de junho de 2011

Novas Imagens no "Fazendo Arte por Aqui"!

Olá,

segue mais um trabalho!
Assim que concluí-lo posto o resultado e comento sobre sua construção.
Beijos e obrigada por sempre virem me visitar.
Dagmar

 É claro, sempre tem uma "baguncinha" no ambiente,
mas este meu canto até que é bem organizado.

Tem boa luminosidade e espaço para dispor outros trabalhos.

Ali atrás está a outra tela...

 Ela já está mais comleta hoje, mas ainda não fiz novas fotos.

Detalhe...
Estou ansiosa para ver ela pronta!


24 de junho de 2011

Sons do Coração: Nossos Parceiros - Eduardo Farias

Sons do Coração: Nossos Parceiros - Eduardo Farias: "A equipe Sons do Coração conta com a parceira de diversos instrumentistas. Essas parcerias sempre estarão à sua disposição, podendo ser o d..."

Este é o nosso querido trompetista Eduardo Farias, Duda.
Parabéns ao amigo Duda por suas conquistas e pelo seu sucesso na área da música.
Um grande abraço,
Dagui

23 de junho de 2011

Instituto Antônio Poteiro: OS "RE"SIGNIFICADOS DA ARTE

Instituto Antônio Poteiro: OS "RE"SIGNIFICADOS DA ARTE: "POTEIRO, Antônio Cirandas nas Estrelas, 2008 “Arte não é enfeite. Arte é cognição, é profissão, é uma forma diferente da palavra para in..."

O processo criativo na arte é algo bem maior que a pura combinação de cores ou a escolha do suporte mais adequado. A linguagem subjetiva por trás de uma obra expressa mais que as técnicas utilizadas, bem mais do que a estética apresentada.
E não é nem no intuito de entender a intencionalidade do artista, mas de conhecê-lo como indivíduo de sua época, sua relação com seu tempo e espaço e sobretudo o que isto representa para nós hoje.

Um abraço,
Dagui

CAMINHOS DA ARTE EDUCAÇÃO

8 de junho de 2011

QUANDO UM ARTISTA SE VAI...

 Antônio Poteiro (1925-2010)
Arquivo da família


O DEDO

O dedo pode rezar
O dedo pode matar
O dedo pode condenar
O dedo pode trabalhar
O dedo-duro
O dedo pode por incerto
Lugar que pode sujar
O dedo pode por incerto
Lugar que pode limpar
O dedo pode ser o sinal
Da desgraça, do telefone vermelho
Com o dedo se benze o sinal da cruz
Como pode puxar um gatilho e matar
dedo, dedo, dedo...

Antônio Poteiro
"Descobrindo o Brasil de Poteiro"
Publicação que reúne escritos do poeta das cores, com algumas de suas obras em uma belíssima coletânea de encher os olhos.
Com apoo do Ministério da Cultura, Governo do Distrito Federal, Secretaria de Cultura do Distrito Federal e Wagner Barja - Diretor do Museu Nacional.


O poema "O Dedo" foi intencionalmente escolhido por tratar-se da principal ferramente de trabalho de Poteiro.
Com os dedos ora firmes, ora imprecisos, ora cansados, ora inspirados... às vezes faltando inspiração para continuar um trabalho. Trouxe forma ao barro inerte e sem vida. Deu contornos às mulheres, ornando-as com laços e flores, grandes vestidos e roupas de festa.
Aos trabalhadores das minas... dignidade. 
Suas formas, seu jogo simbólico, sempre transitando entre as crenças de nossa gente... 
Parecendo viajar entre céu e inferno, numa tentativa de desmistificar a alma do homem simples, de hábitos simples... nas obras de barro, esculturas rudes - dizia - mas assim, como eram, RUDES, destacavam-se entre as mais refinadas estatuetas de mármore.
Traços, dedos amassando o barro, como um poeta a brincar com as palavras.
O barro retirado da terra, arado e preparado pelas próprias mãos.
O barro descansado anos a fio, até dar o "ponto"... a cor, a tonalidade, a textura ideal para criar, moldar e tecer a doce poesia.
Barro moldado à mão, até ganhar consistência, até ganhar o sopro da arte, para depois queimar-se no fogo ardente, na "queima" de todo ano e por muitas horas, quase virar brasa
para ganhar status de obra.
De obra definitiva, pronta, acabada, consumada.

ARTE FINAL

MAS NUNCA O FINAL DA SUA ARTE


Criador Supremo


Dedos que escolheram produzir o belo.
Dedos que deixaram a arte de Goiás mais altiva, mais sublime.
Dedos que destacaram-se no mundo inteiro, levando "alegria" ás pessoas.
Dizia Poteiro, que sua arte não era semelhante às refinadas obras simétricas, com as cores minuciosamente estudadas, texturas e acabamentos alinhados. Mas que sua obra trazia alegria ao povo, e sendo assim, isso o fazia imensamente feliz. Porque um artista pode tudo!

Hoje, um ano sem Antônio Batista de Souza, o ceramista poteiro, que virou escultor, que virou pintor, que tornou-se "Poteiro", ANTÔNIO POTEIRO, nascido artista no além mar, trazido pelas águas para estas terras brasileiras e sua alma aqui deixar.


Natividade


QUANDO UM ARTISTA SE VAI...


SUA ALMA IMORTALIZA-SE EM SUA OBRA!

Com admiração e encantamento por sua vida e obra,
Dagmar


"queima" - todos os anos, ou periodicamente, a família se reúne com os amigos para queimar as peças de barro, as esculturas, de modo a finalizá-las e torná-las prontas. O forno é aceso e tudo acontece como um ritual, uma festa, onde produzir arte é o ponto alto. O artista Américo Poteiro, filho de Antônio, perpetua este rito.

4 de junho de 2011

POETA DAS CORES

Assim como os grandes escritores, os poetas, os que declamam poemas de outros, os que leem, os que ouvem... a linguagem é sempre a Arte. 
Uma vez escrevi que a arte é uma linguagem expressiva e de grande representatividade no campo da comunicação. Tudo é imagem, tudo é comunicação. Sentimos, absorvemos, apreendemos mensagens o tempo todo, no campo visual através do olhar. As imagens se fazem presentes na nossa vida, no nosso cotidiano de forma quase que invasiva. Não tem mais como fugir deste maravilhoso mundo do visual. Outdoors, revistas, jornais, ilustrações, fotografias, pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, filmes, cinema, comerciais, o que não dizer então do mundo real... um "cem" número de imagens ao vivo, todos os dias.
Lendo uma publicação que me foi cedida por um tempo, para inteirar-me da vida e obra de um grande artista, destas terras de Goiás, que embora não tenha nascido no Brasil, fez desta pátria a sua pátria e tomou este povo, como seu povo, fazendo parte dele, encontrei - dentre tantos - um poema que descreve exatamente o que um pintor quer, no ato de sua criação.
ANTÔNIO POTEIRO é o poeta das cores...
Magníficos escritos e obras tão coloridas quanto a sua alma, quanto a minha alma, quanto a alma de qualquer pessoa sensível à arte.




Então li o seguinte:



O PINTOR
Quando o pintor pega o pincel
É uma poesia
Quando o pintor faz uma paisagem
Fala de poesia
Fala do passado
Fala do presente
Quando o pintor faz uma figura humana
Fala da poesia
Quando o pintor faz uma figura humana de mulher
Fala da sua amada
Fala da sua mãe
Fala da sua filha
Fala de tudo o que é mais belo, a mulher
O pintor quando faz uma ciranda
Tá fazendo e cantando a poesia
Ciranda trá-lá-lá
Quando faz uma rosa branca
Traz paz
Quando faz uma rosa vermelha
Traz amor
Quando faz uma rosa roxa
Traz agonia, desespero e angústia
O pintor é o poeta das cores
O pintor não sabe escrever
Mas escreve com os pincéis
As maravilhas das letras
Então, o pintor é poeta.

Antônio Poteiro
"Descobrindo o Brasil de Poteiro"
Publicação que reúne escritos do poeta das cores, com algumas de suas obras em uma belíssima coletânea de encher os olhos.
Com apoo do Ministério da Cultura, Governo do Distrito Federal, Secretaria de Cultura do Distrito Federal e Wagner Barja - Diretor do Museu Nacional.


Uma vida fascinante, com propósitos sublimes de "espalhar" alegria entre o povo e para o povo. Uma arte de linguagem expressiva em suas cores, ingênuua em seus temas, infantil em seus traços... revelando um homem de sensibilidade ímpar e poesia no coração. Não guardou para si o que sentia, mas dividiu, repartiu entre todos nós a beleza das suas cores, das suas histórias.

Obrigada Ju e Tonhão, por me proporcionar mergulhar neste mundo fantástico, chamado ANTÔNIO POTEIRO.

beijokas,
Dagui

30 de maio de 2011

O Artista...

hoje trago um pouco de alma,
da alma do artista, que é desprendida e apaixonada
numa indefinível felicidade
de dar ao mundo todos os dias
beleza, reflexão, sorrisos, voz, melodias, cores, imagens, fantasias, alegrias...

A R T E


NOS BAILES DA VIDA
Milton Nascimento




Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir
Foi assim
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
Té a estrada de terra na boléia de um caminhão
Era assim
Com a roupa encharcada e alma repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se foi assim, assim será
Cantando me disfaço e não me canso de viver
Nem de cantar
 * * *
Só quem toma um sonho
Como sua forma de viver
Pode desvendar o segredo
de ser feliz
(Roupa Nova)
* * *
Um grande, grande abraço,
Dagui

27 de maio de 2011

SALÃO ALEMÃO DE FOTOGRAFIA


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A fotografia encanta justamente pelo poder de eternizar momentos marcantes. Assim como na pintura, também depende do olhar do artista. A percepção da imagem, dos gestos, das emoções imortalizam frações de segundos... Esta apresentação é uma exuberante mostra de talentos da fotografia apresentados no Salão Alemão de Fotos.
Lindas, lindas, lindas imagens!
Abração,
Dagui

18 de abril de 2011

MEMORIAL DA RESISTÊNCIA

O homem foi feito para a liberdade!

Constituição Federal de 1988

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

A história remontada através da arte, num belíssimo trabalho museológico, que revela um dos períodos mais trágicos do Brasil.

O MEMORIAL DA RESISTÊNCIA, da Pinacoteca do Estado de São Paulo está localizado nas instalações do antigo DEOPS-SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo)


Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz
Entrada franca
CEP 01213-010 – São Paulo – SP
Telefone: 55 11 3335 4990Email memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br
Agendamento de visitas educativas: 3324.0943 ou 0944

"LIBERDADE, LIBERDADE
ABRE AS ASAS SOBRE NÓS..."

Abraços,
Dagui

10 de abril de 2011

VIVA LA VIDA!



"Viver não é esperar a tempestade passar...é aprender como dançar na chuva, é buscar o que a vida pode oferecer, mesmo podendo se machucar, mas é a única forma de viver intensamente.".



"VIVA LA VIDA"
Frida Kahlo

Quando pequena, algumas obras de arte me impressionavam pelas cores e temáticas. Umas lindas, outras bonitas, outras ainda, sem beleza alguma. Não faziam sentido para mim e transmitiam angústia. Pensava serem escuras demais ou com personagens saídos de filmes de horror. Imaginava que não poderiam ser tão valorizadas por não terem certo padrão de estética que julgava ser o mais adequado. Criança pensa muita coisa desta natureza. Os desenhos precisam ter flores, sóis, muitas cores e transmitir alegria. Então uma obra de arte, automaticamente deveria ter tais requisitos também. 
O tempo passou!
Então, mais tarde, vem a compreensão da arte como expressão de muitos sentimentos que não precisam ser exclusivamente pessoais, nem sempre bons, bonitos e alegres. Que angústias, guerras, sofrimentos, lamentos, injustiças e tantos outros sentimentos podem ser transformados em belas produções artísticas. O conceito de belo que reside na máxima aproximação do artista com o seu público. Alguns conseguem ser extremamente vicerais a ponto de nos transmitirem também sensações, talvez as mesmas que sentiam no exato instante de sua criação. É claro que isto não é possível em sua integralidade, depende muito de colocar-se no cenário da pintura. É também um exercício sentir uma obra em sua totalidade.
Frida Kahlo me impressionou muito com suas obras, quase sempre expressando sofrimentos terríveis e dores sentidas na carne explicitamente.
Quando conheci sua história é que percebi quanta energia e força existia dentro daquela pequena mulher, aparentemente frágil. A sua perseverança diante dos fatos desconcertantes de sua vida, principalmente após o acidente de ônibus que dilascerou sua coluna.


"Árvore da Esperança"
Frida Kahlo - 1946

Mesmo fadada a conviver com suas cicatrizes visíveis e invisíveis, retratou com beleza seu cotidiano aflorando em suas obras suas dores, medos e também seus amores e alegrias. Seu casamento conturbado com Diego Rivera - artista muralista sempre envolvido em conflitos políticos, na época levantando uma bandeira contra a supremacia norte-americana - foi a avalanche mais intensa de emoções que Frida viveu e retratou. Sua gangorra emocional entre o amor, as sequelas do acidente e as consequências deste em sua vida. as intensas dores que sentia, a perda lenta dos movimentos e tendo de injetar morfina para o alívio de seu tormento, quase a transformaram em mártir.
Confinada em sua cama e imóvel, usando um espelho para observar-se, criou verdadeiras preciosidades. André Breton disse uma vez que Frida era uma ótima surrealista, mas ela retrucou dizendo: “Pensam que sou surrealista, mas não sou. Nunca pintei sonhos. Pinto a minha própria realidade.”
A artista mexicana foi a primeira latino-americana a expor individualmente em Paris, mais tarde também podemos elencar Tarsila do Amaral a conseguir este privilégio.
O filme "FRIDA" retrata de forma bem romanceada a trajetória desta grande mulher!
Quando hoje recebi a mensagem do topo desta postagem, imediatamente associei à Frida! A vida é sempre cheia de todo tipo de emoções, escolher vivê-la intensamente é se propor a ser feliz. E ser feliz é um estado de espírito constante que independe do fator externo. Não é um estar feliz! É muito diferente! E é por isso que VIVA LA VIDA pode ser a cada instante uma inspiração.

Um ótimo domingo! 
Dagui


Biografia
 Frida Kahlo

Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, conhecida mundialmente apenas como Frida Kahlo, nasceu no dia 06 de julho de 1907 na cidade de Coyoacán no México.
No ano de 1913, com apenas seis anos, Frida Kahlo contraiu uma doença chamada poliomielite, e foi ai que começou uma série de doenças graves na vida da pintora. Em razão desta doença, o pé de Frida fica lesionado e por isso levou o apelido de Frida perna de pau. E a partir daí começou a usar calças e depois, longas e rodadas saias, que vieram a ser sua marca registrada.
Entre os anos de 1922 e 1925 começou a freqüentar a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste aulas de desenho e modelagem.
Em 1925, aos 18 anos de idade, aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez.
Um tempo depois, sofreu outro acidente muito grave. Um bonde no qual estava viajando, bateu com outro trem e o pára-choque de um dos veículos perfurou as costas de Frida, e atravessou sua pélvis e saiu por sua vagina.


"A coluna partida"
Frida Kahlo

Este acidente gravíssimo a deixou de cama durante meses e usando coletes ortopédicos de vários tipos, tamanhos e materiais diferentes. Ela inclusive chegou a pintar um deles. A tela foi intitulada como A Coluna Partida.Imagina-se que por causa deste acidente que Frida começou a pintar. Ela pegou uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama pintou algumas telas, e ai foi onde tudo começou.
Em 1928 Kahlo entrou para o Partido Comunista Mexicano, e lá conheceu o muralista e desenhista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. As obras de Frida sempre foram bastante coloridas, e com muita influencia mexicana. Muito fortes, mostravam momentos de dor, perdas e morte.
Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em NYC e Detroit com Diego Rivera. E entre os anos de 1937 e 1939, Leon Trotski, vive em sua casa em Coyoacán.
O casamento de Frida com Rivera era turbulento, os dois tinham temperamento forte e casos extraconjugais. Frida era bissexual e esteve relacionada com Trotski depois de se separar de Diego. Diego aceitava os relacionamentos dela com mulheres, mas com homens não aceitava.
Mais tarde, Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Christina, que
teve seis filhos. Os dois separam-se, mas em 1940 voltam novamente.
O segundo casamento foi tão turbulento quanto o primeiro. Embora tenha engravidado mais de uma vez, Frida nunca teve filho, pois os perdia na hora de tê-los devido as seqüelas dos acidentes que teve ao longo da vida.
Depois de algumas tentativas de suicídio com facas e martelos, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Em seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como causa mortis Mas ninguém descarta que a verdadeira causa foi overdose de remédios, que pode ter sido acidental ou não.
Frida deixou como última anotação em seu diário a frase: “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca regressar”. Frida.
Pesquisadores com base na autópsia da pintora acreditam ter sido envenenada por uma das amantes de seu marido. E Diego Rivera descreveu em sua auto-biografia que o dia da morte da mulher como o mais trágico de sua vida.
Quatro anos após sua morte, a casa onde Frida nasceu, conhecida como La Casa Azul, casa onde seus pais viviam, tranformou-se em um Museu, chamado Museu Frida Kahlo, no qual possui obras, objetos inéditos, roupas, fotos, livros e vestidos da pintora.
Frida Kahlo expôs em Galerias como a Renón et Colle de Paris, deu aulas e teve exposições em sua homenagem.
Muitos de seus trabalhos fizeram um enorme sucesso. Obras como Retrato de minha irmã Christina, 1928 Auto-Retrato em um vestido de veludo 1926 Retrato de Miguel N.Lira (1927) entre outros.

Texto biográfico de  Pilar Guillon