BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

3 de janeiro de 2011

É PRECISO...



preciso ver a vida inteira como no tempo em que se era criança,

pois a perda desta condição nos priva da possibilidade de uma maneira de

expressão original, isto é, pessoal."


Henri Matisse


2 de janeiro de 2011

ARTE: O CURRÍCULO QUE SE PRETENDE E A REALIDADE PRÁTICA

Trabalho feito com materiais recicláveis para a proposta de estudo do baixo relevo.


Releituras e Recriações a partir de obras de artistas consagrados como,
Klimt, Miró, Matisse, Klee... utilizandos técnicas diversas e o mosaico ganhou destaque.



Alunos de 6º ano re-significam a obra de Bispo do Rosário


Ilustrando a Música Brasileira do período da Ditadura
Conhecendo os contextos e períodos da nossa História
refletidos através da produção artística da época



Dragões confeccionados com a Educação Infantil para o
Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Fazer bolinhas de crepom e colar sobre o papel karft



O presente debate pretende tratar de uma questão recorrente na Educação brasileira: o currículo que se pretende e a prática efetivamente desenvolvida no específico campo da arte como disciplina obrigatória, nem sempre ministrada em todos os anos do Ensino Fundamental. Sua prática nos Anos Iniciais ainda é entendida como atividade fim de algum conteúdo previamente estudado como de áreas como Ciências, Geografia, História e outros. A Arte torna-se atividade de fixação, finalização destes conteúdos e não como área de conhecimento com identidade própria e saberes igualmente singulares a ela.
Através de uma vivência pessoal, na qualidade de Pedagoga, atuando como Arte/Educadora em uma escola da rede privada de ensino da cidade de São Paulo, com crianças de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do período de 2006 à 2009 e também exercendo função de professora generalista na rede pública de ensino, com uma classe de alfabetização e tendo no rol das disciplinas que desenvolvo a Arte, é que proponho esta reflexão de uma forma simples, embora o que a envolva seja complexo.
O conflito tem um fio que conduz o diálogo por labirintos ainda obscuros e pouco problematizados. A capacitação deste docente que é generalista para ministrar Arte, que naturalmente também é sua atribuição, mas que possui especificidades próprias bastante peculiares. Frente aos Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares Nacionais, os currículos escolares e a Base Nacional Comum que inclui Arte em seus Componentes e destina a tarefa ao professor da classe, que apresenta inúmeros questionamentos de “como” aplicar certas atividades e de como trabalhar técnicas e materiais e muitas vezes, esquece do conteúdo filosófico presente nesta área do conhecimento.
Através de um roteiro histórico previamente trazido à tona, as inquietações remontam a finalidade da Arte dentro da escola e sua prática, uma vez que promove discussões acerca da cultura, da diversidade, das concepções da existência humana, assuntos com elevado grau de subjetividade e abstração que precisam ser repensados e transformados em “conteúdo” que promova reflexão no aluno, para que ele se sinta co-autor e interaja de forma “consciente” no processo do fazer artístico.
A prática do professor generalista e as Diretrizes Curriculares são eixos norteadores que desvendam os questionamentos que conflitam entre a teoria e a prática, as expectativas e o mensurável. Aspectos de relevância substancial e que pouco são discutidos nas mesas de reuniões pedagógicas periódicas. Diria que sáo praticamente inexistentes. Não é mais aceitável fechar os olhos e fingir que este conteúdo é aplicado em sua integralidade e de fato, transmitido como deve ser. Até quando as propostas que pretendem mudar esta realidade serão desprezadas? E este ponto merece uma discussão mais apurada no sentido político da questão e que não cabe aqui e agora. Mas fica a pergunta no ar. Será que a negação desta realidade tem a ver com a exclusão social? É uma questão de comparar. Escolas privadas e de elite, contemplam a disciplina em todas as séries ou anos e dispõe de um profissional específico para todas as séries (o que na verdade não seria necessário, uma vez que o professor da classe pode e deve ministrar esta e todas as demais disciplinas do conteúdo anual). As escolas da rede pública incumbem o professor generalista da tarefa, que é de fato dele, mas... e o conteúdo? Qual a visão deste profissional sobre o assunto? Esta é a pergunta certa. E diante das mais diferentes respostas que se possa conseguir, que medidas práticas podem ser tomadas imediatamente? Não é difícil, mas dá certo trabalho e "pede" envolvimento e, sinceramente, poucos se dispõe a arregaçar as mangas.
Elucidar pontos obscuros sobre a prática do ensino da Arte pelo professor generalista num campo considerado competência de um especialista e que pela ausência de abordagens mais profundas do tema, acabam por perpetuar práticas equivocadas e pouco significativas para a realidade do aluno. Ou seja, enclausura a Arte numa redoma intocável ou opostamente de menor relevância.
Num momento em que, não só se fala em interdisciplinaridade, interculturalidade, diversidade cultural , mas se busca a sua prática, não mais é concebível relegar à Arte o status de atividade de relaxamento e de distração, mas como uma inesgotável fonte de conhecimentos sobre a evolução da humanidade. Portanto, espaço de cultura, de sociedade e de política.
O que de fato é praticado em sala de aula? Qual o critério utilizado para a elaboração dos conteúdos que serão ministrados pelo professor? Que diretrizes norteiam o trabalho do professor para a disciplina de Arte dentro da escola? O que, de fato é possível diante da realidade da formação deste professor? São questionamentos necessários ao educador infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Nem todo o artista é um professor, nem todo o professor é um artista, mas todo o educador pode e deve abrir as portas do mundo à criança. E que porta mais bela existe, senão aquela que se abre ao som de uma música ou se inebria pelas cores do universo da arte?
Deixo as perguntas para reflexão e gostaria de abrir espaço para um debate sobre o assunto.
Um beijo no coração,
Dagui

1 de janeiro de 2011

RETOMADA IMPORTANTE

Olhando alguns blogs sobre ilustrações, pude observar trabalhos maravilhosos e por isso achei pertinente retomar um assunto do meu blog Kindergarten & Cia. Ilimitada, que trata da Literatura Infantil. Tão importante quanto quem ilustra é quem escreve, tão importante quanto quem escreve é quem ilustra! Pois o alvo maior é quem lê! Boa leitura.


Dagmar


Tenho em mãos neste momento, uma publicação bastante interessante que fala do ILUSTRADOR de livros infantis e juvenis.
O livro foi organizado por Ieda de Oliveira, que convidou alguns ilustradores para que escrevessem sobre o tema.
Antes de falar do que trata o livro propriamente dito, quero situá-los com relação à autora e seu trabalho de pesquisa sobre a qualidade na Literatura Infanil e Juvenil, tanto com relação aos escritores, ou aos textos, quanto às ilustrações igualmente importantes.
Em 1993, Ieda iniciou uma pesquisa na UFRJ, que fazia parte de uma especialização em Literatura Infantil e Juvenil. A autora aborda em seus estudos uma questão, que não está distante dos conceitos da maioria das pessoas, que consideram a Literatura Infantil uma categoria de literatura "menor" que a produzida para adultos, ou outro público. Tanto se aprofundou nesta questão, que resultou em uma tese de doutorado intitulada "O contrato de comunicação da literatura infantil e juvenil", que posteriormente foi publicado pela Editora Lucena em 2003 e em 2008 pela Nova Fronteira. Com esta tese, Ieda consegue tocar no ponto crucial da questão, que é justamente o equívoco desse preconceito (de considerar esta literatura como "menor"), que fatalmente ignora a especificidade da qualidade estética desta literatura.
E após sua defesa, deu continuidade às pesquisas e reflexões sobre a escrita para crianças e pequenos jovens. Para tanto, publicou vários artigos e suas publicações adquiriram uma linguagem despida da formalidade acadêmica, para que pudesse alcançar a todos os leitores.
Antes do livro que reuniu os ilustradores, Ieda publicou um livro que deu palavra aos escritores, para que pudessem expor seu trabalho, métodos, idéias...
Seu projeto vai além, reune também ilustradores, que assim como os escritores trabalham com a linguagem, mas a visual. Linguagem esta que completa o sentido interpretativo dos textos. Enriquece sobremaneira o cenário imaginativo da criança, de modo a auxiliá-la na construção de seu rol de informação linguística. É sabido o grau de importância das histórias de contos de fadas na construção da moral, das virtudes, da capacidade imaginativa e criativa, bem como no âmbito comportamental da criança. Estão aí para nos auxiliar, inúmeros artigos, teses e uma infinidade de pesquisas na área.
Neste trabalho de Ieda, ilustradores brasileiros e portugueses juntos, apresentaram seu trabalho e engajando-se no projeto, a fim de provar que igualmente à escrita, a arte produzida para as crianças também não é de "menor" relevância.
Para Ieda, escritores e ilustradores, a escrita e a arte para crianças e adultos são apenas de naturezas diferentes, não competem entre si e também uma não sobrepõe a outra. Cada qual tem sua função clara e bem definida. Os códigos simbólicos expressas numa e noutra são específicos, encaixando-se em categorias com características próprias. Ambas tem um fim específico, que é atender à necessidade do seu leitor específico. Deixo em itálico estas palavras apenas no intuito ressaltar o sentido do que desejo expressar.
Certamente, Ieda trouxe luz sobre os conceitos que envolvem a Literatura Infanto-Juvenil. Trouxe esclarecimentos fundamentados em pesquisas sérias que ressaltam a importância de se tratar estas produções para crianças como um gênero e não como algo "menor", ou seja, de menor relevância ou mais ainda, de menor qualidade, seja literária ou visual. Ao contrário, a Literatura Infantil tem se apresentado cada vez mais elaborada, atrativa e de excelente qualidade. Nas livrarias é possível encontrar livros com recursos sonoros, com relevos e texturas, em formatos de caixa, plásticos (que podem ser usados por bebês no banho), de tecido, com botões, cadarços, quebra-cabeças, de encaixe, ilustrados com aquarela, lápis de cor, fotografias associadas à colagem e ao desenho, retalhos de tecido, bem coloridos... enfim muitos materiais diferentes. E para quê? Ora, atrair o pequeno leitor, que antes de ser o leitor da escrita é um experiente e exigente leitor visual. Felizmente, cada vez mais a escola está engajada em projetos de leitura desde a mais tenra idade. As bibliotecas não determinam mais uma idade "certa" para "volume" ou a "quantidade de texto". Às crianças é permitida a escolha, de acordo com seu interesse. Proibir que os pequenos escolham um livro mais "grosso" por julgar que é "muito grande" para eles é, sem dúvida, subestimar sua capacidade e interesse pelo aprendizado, bem como "tolher" o futuro leitor. Hoje, as possibilidades de acesso estão em toda parte e ambientes. A internet veio a contribuir neste aspecto, quando através dela, as crianças acessam à joguinhos pedagógicos, gravuras e muitos outros recursos de informação de que a escola também se utiliza para complementação metodológica. O ACESSO é mais fácil, de mais qualidade e portanto, quem está envolvido com este trabalho, também se prepara e se dispõe a produzir cada vez mais e melhor.
Afinal, o adulto de amanhã é a criança de hoje. investir nela é também investir num mundo melhor, com mais leitores e por consequência disto, pessoas mais esclarecidas e críticas.
Gostei muitíssimo deste livro. A quem interessar vai a dica:

"O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil, com a palavra: o ilustrador"
Organizado por Ieda Oliveira, 2008, Difusão Cultural do Livro

Por Dagmar


Ieda de Oliveira é doutora em Estudos de Literatura de Língua Portuguesa pela USP, mestre em Literatura Brasileira pela PUC/RJ e especialista em Literatura Infantil e Juvenil pela UFRJ. Recebeu vários prêmios por seu trabalho literário e crítico, entre eles o Prêmio José Guilherme Merquior de crítica literária, o Prêmio Adolfo Aizen de literatura, o Prêmio Alice da Silva Lima de teatro infantil; foi finalista do Prêmio Espace Enfants (Suíça) e agraciada com láureas Altamente Recomendáveis da FNLIJ. Tem sido conferencista convidada em vários eventos ligados à Literatura Infantil e Juvenil, no Brasil e no exterior.

Fonte: Livro citado acima.

A PRIMEIRA ESCULTURA

Estava passeando pelo meu arquivo de fotos e encontrei esta, de uma escultura de Tarsila do Amaral, de 1949, doada à Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2008, pela família da artista. Muito bonita! Eis o...

"ANJO"

 

Beijos da Dagui