BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

2 de janeiro de 2011

ARTE: O CURRÍCULO QUE SE PRETENDE E A REALIDADE PRÁTICA

Trabalho feito com materiais recicláveis para a proposta de estudo do baixo relevo.


Releituras e Recriações a partir de obras de artistas consagrados como,
Klimt, Miró, Matisse, Klee... utilizandos técnicas diversas e o mosaico ganhou destaque.



Alunos de 6º ano re-significam a obra de Bispo do Rosário


Ilustrando a Música Brasileira do período da Ditadura
Conhecendo os contextos e períodos da nossa História
refletidos através da produção artística da época



Dragões confeccionados com a Educação Infantil para o
Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Fazer bolinhas de crepom e colar sobre o papel karft



O presente debate pretende tratar de uma questão recorrente na Educação brasileira: o currículo que se pretende e a prática efetivamente desenvolvida no específico campo da arte como disciplina obrigatória, nem sempre ministrada em todos os anos do Ensino Fundamental. Sua prática nos Anos Iniciais ainda é entendida como atividade fim de algum conteúdo previamente estudado como de áreas como Ciências, Geografia, História e outros. A Arte torna-se atividade de fixação, finalização destes conteúdos e não como área de conhecimento com identidade própria e saberes igualmente singulares a ela.
Através de uma vivência pessoal, na qualidade de Pedagoga, atuando como Arte/Educadora em uma escola da rede privada de ensino da cidade de São Paulo, com crianças de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do período de 2006 à 2009 e também exercendo função de professora generalista na rede pública de ensino, com uma classe de alfabetização e tendo no rol das disciplinas que desenvolvo a Arte, é que proponho esta reflexão de uma forma simples, embora o que a envolva seja complexo.
O conflito tem um fio que conduz o diálogo por labirintos ainda obscuros e pouco problematizados. A capacitação deste docente que é generalista para ministrar Arte, que naturalmente também é sua atribuição, mas que possui especificidades próprias bastante peculiares. Frente aos Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares Nacionais, os currículos escolares e a Base Nacional Comum que inclui Arte em seus Componentes e destina a tarefa ao professor da classe, que apresenta inúmeros questionamentos de “como” aplicar certas atividades e de como trabalhar técnicas e materiais e muitas vezes, esquece do conteúdo filosófico presente nesta área do conhecimento.
Através de um roteiro histórico previamente trazido à tona, as inquietações remontam a finalidade da Arte dentro da escola e sua prática, uma vez que promove discussões acerca da cultura, da diversidade, das concepções da existência humana, assuntos com elevado grau de subjetividade e abstração que precisam ser repensados e transformados em “conteúdo” que promova reflexão no aluno, para que ele se sinta co-autor e interaja de forma “consciente” no processo do fazer artístico.
A prática do professor generalista e as Diretrizes Curriculares são eixos norteadores que desvendam os questionamentos que conflitam entre a teoria e a prática, as expectativas e o mensurável. Aspectos de relevância substancial e que pouco são discutidos nas mesas de reuniões pedagógicas periódicas. Diria que sáo praticamente inexistentes. Não é mais aceitável fechar os olhos e fingir que este conteúdo é aplicado em sua integralidade e de fato, transmitido como deve ser. Até quando as propostas que pretendem mudar esta realidade serão desprezadas? E este ponto merece uma discussão mais apurada no sentido político da questão e que não cabe aqui e agora. Mas fica a pergunta no ar. Será que a negação desta realidade tem a ver com a exclusão social? É uma questão de comparar. Escolas privadas e de elite, contemplam a disciplina em todas as séries ou anos e dispõe de um profissional específico para todas as séries (o que na verdade não seria necessário, uma vez que o professor da classe pode e deve ministrar esta e todas as demais disciplinas do conteúdo anual). As escolas da rede pública incumbem o professor generalista da tarefa, que é de fato dele, mas... e o conteúdo? Qual a visão deste profissional sobre o assunto? Esta é a pergunta certa. E diante das mais diferentes respostas que se possa conseguir, que medidas práticas podem ser tomadas imediatamente? Não é difícil, mas dá certo trabalho e "pede" envolvimento e, sinceramente, poucos se dispõe a arregaçar as mangas.
Elucidar pontos obscuros sobre a prática do ensino da Arte pelo professor generalista num campo considerado competência de um especialista e que pela ausência de abordagens mais profundas do tema, acabam por perpetuar práticas equivocadas e pouco significativas para a realidade do aluno. Ou seja, enclausura a Arte numa redoma intocável ou opostamente de menor relevância.
Num momento em que, não só se fala em interdisciplinaridade, interculturalidade, diversidade cultural , mas se busca a sua prática, não mais é concebível relegar à Arte o status de atividade de relaxamento e de distração, mas como uma inesgotável fonte de conhecimentos sobre a evolução da humanidade. Portanto, espaço de cultura, de sociedade e de política.
O que de fato é praticado em sala de aula? Qual o critério utilizado para a elaboração dos conteúdos que serão ministrados pelo professor? Que diretrizes norteiam o trabalho do professor para a disciplina de Arte dentro da escola? O que, de fato é possível diante da realidade da formação deste professor? São questionamentos necessários ao educador infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Nem todo o artista é um professor, nem todo o professor é um artista, mas todo o educador pode e deve abrir as portas do mundo à criança. E que porta mais bela existe, senão aquela que se abre ao som de uma música ou se inebria pelas cores do universo da arte?
Deixo as perguntas para reflexão e gostaria de abrir espaço para um debate sobre o assunto.
Um beijo no coração,
Dagui

2 comentários:

Luciana disse...

Oi, querida Dagui!
Sabe, gostei muito da provocação sobre as chamadas áreas específicas da educação.
O interessante é que quando se trata de formar o cidadão na escola pública tudo está desarticulado ou se tem essa impressão quando existem profissionais que realmente não conseguem "atingir" o compromisso. Entende?
Isso acontece com as áreas de Ensino Religioso(uma longa discussão), arte, filosofia, informática, educação física...

Presencio tantas situações, nem acredita!!!
Chegam a chamar a aula de educação física de recreação... tem ideia?
Isso é uma tremenda piada!

Vamos debater sim! Postarei qualquer dia algo a respeito. Topas continuar?

Um grande e carinhoso cheirinho.

Luciana.

J.Frederico Schmidt disse...

Olá Dagmar!
Está sumida !

Tudo bem com você ?

Frederico