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13 de fevereiro de 2011

O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL




O ser humano está em constante e contínuo desenvolvimento, aprendizagem e socialização.
Seus progressos se dão pela necessidade de adaptação ao meio, aos novos desafios e mudanças inerentes à evolução.
Quando criança, durante seu crescimento e desenvolvimento intelectual e social, adapta-se e relaciona-se com o meio em que vive. Estas experiências é que a preparam para o futuro, para viver e ser um indivíduo independente e capaz de conduzir as próprias ações.
Segundo Brougère, a criança brinca de acordo com o espaço onde está inserida. A cultura do meio onde vive está diretamente relacionada ao modo como brinca e como se manifesta neste mundo. A brincadeira proporciona prazer e diversão, representa desafio e estimula o pensamento reflexivo da criança. Para ele, o desafio da Educação consiste exatamente aí, desvendar este “mundo” em que a criança se encontra. Conhecê-lo e compreendê-lo é um ato de dedicação e constante observação por parte do educador infantil.
A brincadeira faz parte do universo infantil e é um ato saudável na medida em que proporciona à criança a possibilidade de manifestar suas emoções, criar situações, vivenciar episódios do cotidiano, encenar estes episódios, relacionar-se com outras crianças e adultos, expressar suas conclusões e pensamentos. Tudo faz parte do aprendizado. É como se ela “treinasse” na infância as ações do futuro. No ato de brincar a criança aprende sobre o mundo do adulto e elabora pensamentos organizados sobre ele.
Sendo assim, a brincadeira é vista sob os diversos enfoques como benefício ao desenvolvimento infantil. Ajuda a criança a crescer saudável, dá vazão aos sentimentos, favorece a aprendizagem e simula situações reais de sua vivência, denunciando sua realidade, tanto para as questões positivas quanto para ausências afetivas e possíveis lacunas em seu ambiente social.
Na brincadeira a criança reproduz situações reais vividas por ela e observadas por ela nas ações dos adultos com quem convive.
Os jogos contribuem para o desenvolvimento intelectual, motor, social, criativo e emocional da criança. Apropriado deste conhecimento, o educador infantil tem em suas mãos uma poderosa ferramenta para seu trabalho. Pode então planejar as ações lúdicas com propósitos educacionais. A brincadeira só tem efeito educativo se é realizada com objetivos.
Vygotsky afirma que a criança tem a necessidade imediata de satisfação de seus desejos. Como isso nem sempre ou, raramente é possível, ela mergulha num mundo de fantasia onde tudo pode realizar. Desta forma encontra equilíbrio para resolver esta tensão provocada pelo imediatismo característico na infância.
Para ele, a brincadeira dá esta possibilidade à criança, de resolver suas questões sociais, emocionais, cognitivas e afetivas. Ainda, a brincadeira possui 3 elementos essenciais: a imaginação, a imitação e a regra.
As orientações didáticas para a Educação Infantil, priorizam a ludicidade por estar diretamente ligada ao aprendizado e favorecer à criança a elaboração de seu conhecimento, conceitos e hipóteses sobre sua realidade.
Se a criança aprende mediante a brincadeira, o desafio do educador está em apropriar-se deste artifício e buscar constantemente inovações para atrair a atenção dos pequenos, favorecendo ambientes agradáveis onde estes tenham liberdade para crescer.
Nos povos da antigüidade, o jogo tinha a pretensão de ensinar aos mais jovens, valores e conhecimentos dos mais velhos.
Platão já afirmava ser o lúdico essencial para a formação do caráter e da personalidade da criança e que a matemática lúdica deveria conter exercícios de cálculos ligados a problemas extraídos do cotidiano. Conceito que encontra-se bem presente nas ações de ensino atuais.
Para Aristóteles o “homo ludus”, denominado como o que brinca e cria. Fazia menção à relação do aprender com o prazer. Só se aprende quando se tem prazer nisso.
Durante o período medieval, os jogos foram interpretados como algo sem significado e profano. Somente na Renascença, voltou-se a pensar sobre o lúdico relacionado ao pedagógico. A partir daí ocorre fragmentação do ato de brincar, do ato de estudar. Os dois aconteciam em momentos e lugares diferentes. “Lugar e hora de estudar” e, “lugar e hora de brincar”.
Segundo Rousseau, a criança sente-se confortável quando a aprendizagem se dá com o lúdico, pois o lúdico e a alegria é nato da criança, é seu estado natural.
Promover o ato de pensar na criança desenvolve nela a inteligência. Quanto mais se pensa, mais se exercita a inteligência.
Pestalozzi enfatizou a importância do jogo como ferramenta de interação social e cooperação.
Para Froebel, a criança deve ser estimulada a brincar e nesta ação, deve sentir-se livre para criar e formular suas hipóteses.
O brincar, o lúdico surgem como um aspecto importante para a aprendizagem. Através da brincadeira e do jogo, a criança relaciona-se com o outro estimulando sua zona de desenvolvimento proximal, favorece seus estágios de evolução a maturação física, intelectual e emocional.
Na brincadeira a criança se defronta com desafios e problemas, tendo que buscar soluções. No ato de brincar a criança representa a si mesma e o mundo onde vive. Exerce o treino da concentração e atenção. Precisa estar disponível para o outro. Desta forma a brincadeira acontece com naturalidade e os conflitos são importantes para que a criança aprenda a resolver suas dificuldades. Desenvolve a criatividade e a elaboração do pensamento.
Uma vez que a brincadeira é um ato natural da criança, todo o conhecimento que irá adquirir do mundo partirá daí. Assim sendo, o educador infantil deve aprimorar sua ação pedagógica para que seja voltada às ações lúdicas.
Deve ser o mediador no processo da aprendizagem, deve ser um pesquisador na busca de novas alternativas sempre. Conhecer e entender os processos de cada brincadeira, sua adequação aos diferentes momentos, ambientes e idades. Compreender os objetivos do jogo na aprendizagem e suas finalidades. Observar a ação da criança enquanto brinca, ajudá-la a participar integralmente da brincadeira, favorecendo sua interação com o grupo. Deve portar-se como um orientador da brincadeira, mesmo que esta tenha um caráter livre. Estar sempre disponível para a criança e participar dos momentos lúdicos de forma completa.
Segundo Piaget, a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo por isso, indispensável à prática educativa.
O jogo na Educação Infantil não deve ter o caráter instrucional, embora possa ser direcionado e mediado.
A criança deve sentir-se livre para criar, desta forma estará aprendendo com a experiência, estará construindo suas hipóteses e não recebendo tudo pronto.
Antes de jogar, a criança deve ter a oportunidade de explorar o brinquedo. E sempre que possível, deve ser proporcionado à criança a possibilidade de estabelecer regras para este jogo. Ela deve experimentar a brincadeira, antes que haja a interferência do adulto para estabelecer regras e orientar a brincadeira.
Sendo uma atividade coletiva deve ser de cunho cooperativo e nunca competitivo.
Favorece a socialização, por isso o educador deve explorar as possibilidades do brinquedo em duplas, trios, toda a sala, etc.
Assim, a criança desenvolve seu comportamento social, habitua-se à companhia de outras crianças e também podem aprender a brincar sozinhas, desenvolvendo “autonomia” de criar e “virar-se” quando não tiver ninguém por perto, não necessitando sempre da presença de alguém para divertir-se.
Para Vygotsky, o brinquedo faz com que a criança se sinta maior do que ela realmente é. Isso é saudável para o seu desenvolvimento.
A criança também exercita a zona de desenvolvimento proximal em interação com as outras crianças. Tem a oportunidade de adquirir sempre mais conhecimento do que já tem, através das experiências lúdicas, onde promove troca de informação com os demais, ampliando sua ação sobre o mundo de diferentes formas.
Um adulto quando brinca, afasta-se da realidade. A criança quando brinca, está externando a própria vivência, sua realidade, seu mundo. Por isso é tão relevante para a aprendizagem infantil.
Nas brincadeiras o professor deve estar sempre atento à criança, deve compreender as necessidades de cada faixa etária e respeitar as preferências individuais. Não deve reforçar papéis sexistas ou valores dele próprio. Deve permanecer na posição de expectador, deixando a criança livre em suas manifestações. Contudo, deve manter-se concentrado no grupo a fim de orientar se necessário.
Durante as brincadeiras podem ocorrer conflitos entre as crianças, então o professor deve mediar, orientando para que negociem, conversem e entrem em um acordo. Assim faz com que aprendam a resolver suas dificuldades com o outro.
Os jogos devem ser repetidos, desde que não cansem a criança.
O jogo é a base da maturação emocional da criança, além de favorecer desenvolvimento motor.
Com relação ao ensino da matemática, o lúdico é indispensável, pois ajuda a criança tornar concreto o que é abstrato e teórico.
A brincadeira desvincula a idéia de “complicado” e de “difícil”. O espaço do brinquedo é o espaço natural da criança, por isso, sente-se ambientada e receptiva aos desafios apresentados neste ambiente. O lúdico é a “praia” da criança, então nesta condição sente-se capaz de criar, mudar as situações, ousar, inventar, construir, investigar, fantasiar sem medo de errar e de estar indo em direção contrária ao que se pretende, mas sim aventurando buscar novas alternativa e portanto, produzindo conhecimento, o seu conhecimento.


Dagmar

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