BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

9 de abril de 2011

Pela Cultura da Paz

Há alguns meses li um artigo escrito pela psicóloga e psicodramatista, Cristina Jorge Dias. Hoje, enquanto ajeitava um material, livros e revistas, o encontrei novamente.
Incrível como estes assuntos parecem borbulhar nos últimos tempos. Vemos tanta violência todos os dias no meio onde vivemos, na TV que assistimos e jornais que lemos... parece que todo ato de agressão pode e acaba sendo incorporado ao nosso cotidiano de forma "natural". É uma cultura crescente que parece incorporar-se às práticas diárias da sociedade.
Mudar atitudes, mudar comportamentos e ações, não é algo fácil num mundo onde o "ter" parece ganhar dimensões gigantescas frente ao "ser". Mas pequenas ações cotidianas podem ser capazes de propagar boas intenções no agir. Sempre que agimos em favor ou contra o outro, somos obrigados a fazer escolhas... que esta seja então para o bem de todos. Usar de nossa liberdade para decidir sobre a vida das pessoas é no mínimo cruel, sem falar que não existe ética em tal atitude.
A violência no espaço escolar vem tomando proporções cada vez mais amplas. Seja na relação professor X aluno, aluno X professor, pais X filhos, comunidade X escola, escola X comunidade... A sociedade de um modo geral parece estar "embebida" numa cultura onde tudo é permitido. Virtudes, valores, ética e tudo o que envolve reflexão a respeito de atitudes, perdeu relevância.
A ONU vem trabalhando e desenvolvendo projetos em defesa da dignidade humana em todos os aspectos. Várias conferências e plenárias discutem questões sobre a pobreza mundial, escravidão, trabalho infantil, etnias, grupos religiosos, gênero e tantos outros grupos sociais... incrível, mas podemos dizer que somos "diferentes" grupos vivendo num mundo "globalizado". O que nos é mais adequado, tratar com igualdade os diferentes, ou tratar a diversidade tal qual ela é e respeitar as individualidades? Cada grupo tem suas particularidades e nosso papel não é mais o de tratar a todos com homogeneidade, mas respeitar as diferenças. Em suma, ter ações que valorizem a vida e que promovam a paz. Ser capaz de discernir com clareza aquilo que seja em prol de um bem comum, coletivo e não mais individual. Sobrepor o "ser" ao "ter".
Coexistir. A UNESCO também vem trabalhando para a disseminação da cultura da paz e elaborou um documento que trata do assunto não só em sua teoria, mas orienta ações práticas que podem ser usadas por todos e em todos os espaços da sociedade.
A família deve ser o primeiro lugar de propagação da "cultura da paz". No âmbito das relações familiares, as ações cotidianas de convivência e de resolução dos conflitos devem ser envoltos em ética e bem-estar dos membros daquele grupo. Na escola é ato de responsabilidade social. Promover atitudes boas,geram respostas boas. Promover ações pacíficas, retornam em ações pacíficas. É uma grande corrente onde um elo se une ao outro em benefício de todos.
Tudo bem, mas existe uma receita?

Existe!

Cristina defende o cultivar da ética na convivência e o despertar a pessoa para o seu papel na sociedade, de modo a contribuir para com ela. Segundo ela, estas são tarefas urgentes para combater a violência, construir um mundo de paz, igualdade e respeito. Para que isso aconteça, cada um de nós deve assumir uma postura pró-ativa, explica Cristina.


"NÃO PODEMOS ESPERAR,
TEMOS DE FAZER ACONTECER."


Nossa sociedade adoece a cada dia de males como angústias de todo o tipo. O trânsito, o salário, as contas, a violência urbana, os desafetos, as rejeições, o preconceito, discriminações das mais diversas raízes... e poderia citar muito mais. Muitas vezes, não é possível eliminar tudo ao mesmo tempo. A própria dinâmica da vida não nos permite simplesmente deletar o que é indesejável. Mas então devemos aceitar e conviver com isso?
Cristina dá uma receitinha básica de bons hábitos, que podem ser exercitados dia a dia, por cada um de nós. São pequenas "ações" motivadas pela intenção de promover a paz, de transformar o mundo começando pelo nosso mundo.
Cada um coloca a sua contribuição diária para que ocorra uma verdadeira corrente que dissemine boas atitudes, bons pensamentos, boas ações, boas intenções.
Segundo a UNESCO, os princípios norteadores desse programa dizem que preparar a paz significa:

a) respeitar a vida e a dignidade das pessoas, sem discriminação;
b) praticar a não-violência, repelindo a violência em suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social;
c) cultivar a generosidade, a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica;
d) defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural;
e) promover a conscientização sobre a importância do equilíbrio dos recursos naturais do planeta;
f) contribuir com o desenvolvimento da comunidade, propiciando a plena participação dos cidadãos e o respeito dos princípios democráticos, para criar novas formas de solidariedade.


SEIS ATITUDES NECESSÁRIAS PARA FORMATAR UMA CULTURA DE PAZ


*Respeitar a vida

*Ser generoso

*Ouvir para compreender

*Redescobrir a solidariedade

*Rejeitar a violência

*Preservar o planeta



O que cada uma delas significa?



*RESPEITAR A VIDA
"Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças." (Provérbio hassídico)

Cristina exemplifica esta atitude utilizando o nosso corpo como referência. Uma célula colaborando com a outra, um órgão interligado com o outro, um complementando a atividade do outro. Um verdadeiro sistema de COOPERAÇÃO e tudo funciona bem.
Nossa identidade pessoal está interligada com a identidade sociocultural. Esta é formada pelos relacionamentos que estabelecemos ao longo da vida, com as demais pessoas da nossa comunidade social e cultural. Portanto, diz Cristina, devemos respeitar os sentimentos, comportamentos e valores daqueles com quem compartilhamos a vida.

*REJEITAR A VIOLÊNCIA
"O primeiro princípio da ação não-violenta é a não cooperação com tudo o que é humilhante." (Mahatma Gandhi)
Recorrer à violência é abrir mão de tudo o que aprendemos e conquistamos ao longo da formação da civilização. É ignorar avanços históricos que mudaram o rumo das relações humanas e sociais. Um claro exemplo é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com o reconhecimento de que todas as raças, culturas e expressões religiosas têm o mesmo valor e enriquecem a diversidade humana.
A ação positiva portanto é a disposição em negociar, dialogar, argumentar, buscar consenso, resistir e não aderir à injustiça e ao abuso de poder.

*SER GENEROSO
"A generosidade - o amor - é o fundamento de toda socialização porque abre espaço para o outro ser aceito como ele é." (Humberto Maturana)
Virtude nobre que nos faz sentir mais amplos, mais abrangentes do que nós mesmos. Humaniza e mostra que, no essencial, somos todos iguais.

*OUVIR PARA COMPREENDER
"Em um diálogo não há a tentativa de fazer prevalecer um ponto de vista particular, mas de ampliar a compreensão de todos os envolvidos." (David Bohm)
Diria que este ponto talvez seja o mais importante, pois através dele se chega a atitudes pacíficas e se repele a violência verbal, gestual e sobretudo a impetuosidade da intolerância. Como pode-se opinar e deliberar a respeito do que se desconhece? Fatalmente comete-se o engano do preconceito indiscriminado e cruel. Subjugar o outro às nossas convicções, sejam elas de qualquer natureza é impor-lhe condição humilhante de tolher seus desejos, sua vontade, sua opinião, sua constituição enquanto humano, ser que sente e que tem sua individualidade. O diálogo promove troca, respeito, aceitação e produz atitudes pacíficas. Com certeza é bem mais gostoso ouvir, ser ouvido e depois ajustar os pontos com serenidade. Uma atitude de diálogo evita sofrimentos, angústias e mágoas. Pensem nisso.

*PRESERVAR O PLANETA
"O homem não teceu a teia da vida. Ele é apenas um de seus fios, o que quer que faça a teia, ele faz a si mesmo." (Chefe Seattle).
Esta frase não necessita de maiores comentários. Cada um deve cuidar de sua casa, suas coisas, do seu lixo, do bom uso dos recursos naturais de que dispõe. Todos ganham.

*REDESCOBRIR A SOLIDARIEDADE
"Quem faz o próximo sofrer pratica o mal contra si mesmo. Quem ajuda aos outros ajuda a si mesmo." (Tolstoi)
Podemos ver da seguinte forma:
Todos fazemos parte de um único corpo onde cada parte sustenta a outra. Configura-se aí a coletividade. Se agirmos com benevolência, tolerância e responsabilidade por tudo o que produzimos através de nossas atitudes, certamente plantaremos sementes de boa convivência e paz.
e ainda uma dica que,

"NÃO CUSTA NADA..."

Parar e ouvir as pessoas com atenção.
Ter atitudes cooperativas.
Respirar fundo antes de discutir.
Elogiar os avanços das pessoas.
Avaliar-se antes de criticar o outro.
Ser mais solidário.
Compartilhar seus conhecimentos.
Evitar magoar as pessoas.
Evitar se lastimar, constantemente.
Assumir suas responsabilidades.

São pequenos conselhos de grande sabedoria e eficácia!
Vamos tentar praticar cada dia um pouco com as pessoas que estão perto de nós e assim estaremos formando a imensa corrente da PAZ!

Nenhum comentário: