BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

8 de junho de 2011

QUANDO UM ARTISTA SE VAI...

 Antônio Poteiro (1925-2010)
Arquivo da família


O DEDO

O dedo pode rezar
O dedo pode matar
O dedo pode condenar
O dedo pode trabalhar
O dedo-duro
O dedo pode por incerto
Lugar que pode sujar
O dedo pode por incerto
Lugar que pode limpar
O dedo pode ser o sinal
Da desgraça, do telefone vermelho
Com o dedo se benze o sinal da cruz
Como pode puxar um gatilho e matar
dedo, dedo, dedo...

Antônio Poteiro
"Descobrindo o Brasil de Poteiro"
Publicação que reúne escritos do poeta das cores, com algumas de suas obras em uma belíssima coletânea de encher os olhos.
Com apoo do Ministério da Cultura, Governo do Distrito Federal, Secretaria de Cultura do Distrito Federal e Wagner Barja - Diretor do Museu Nacional.


O poema "O Dedo" foi intencionalmente escolhido por tratar-se da principal ferramente de trabalho de Poteiro.
Com os dedos ora firmes, ora imprecisos, ora cansados, ora inspirados... às vezes faltando inspiração para continuar um trabalho. Trouxe forma ao barro inerte e sem vida. Deu contornos às mulheres, ornando-as com laços e flores, grandes vestidos e roupas de festa.
Aos trabalhadores das minas... dignidade. 
Suas formas, seu jogo simbólico, sempre transitando entre as crenças de nossa gente... 
Parecendo viajar entre céu e inferno, numa tentativa de desmistificar a alma do homem simples, de hábitos simples... nas obras de barro, esculturas rudes - dizia - mas assim, como eram, RUDES, destacavam-se entre as mais refinadas estatuetas de mármore.
Traços, dedos amassando o barro, como um poeta a brincar com as palavras.
O barro retirado da terra, arado e preparado pelas próprias mãos.
O barro descansado anos a fio, até dar o "ponto"... a cor, a tonalidade, a textura ideal para criar, moldar e tecer a doce poesia.
Barro moldado à mão, até ganhar consistência, até ganhar o sopro da arte, para depois queimar-se no fogo ardente, na "queima" de todo ano e por muitas horas, quase virar brasa
para ganhar status de obra.
De obra definitiva, pronta, acabada, consumada.

ARTE FINAL

MAS NUNCA O FINAL DA SUA ARTE


Criador Supremo


Dedos que escolheram produzir o belo.
Dedos que deixaram a arte de Goiás mais altiva, mais sublime.
Dedos que destacaram-se no mundo inteiro, levando "alegria" ás pessoas.
Dizia Poteiro, que sua arte não era semelhante às refinadas obras simétricas, com as cores minuciosamente estudadas, texturas e acabamentos alinhados. Mas que sua obra trazia alegria ao povo, e sendo assim, isso o fazia imensamente feliz. Porque um artista pode tudo!

Hoje, um ano sem Antônio Batista de Souza, o ceramista poteiro, que virou escultor, que virou pintor, que tornou-se "Poteiro", ANTÔNIO POTEIRO, nascido artista no além mar, trazido pelas águas para estas terras brasileiras e sua alma aqui deixar.


Natividade


QUANDO UM ARTISTA SE VAI...


SUA ALMA IMORTALIZA-SE EM SUA OBRA!

Com admiração e encantamento por sua vida e obra,
Dagmar


"queima" - todos os anos, ou periodicamente, a família se reúne com os amigos para queimar as peças de barro, as esculturas, de modo a finalizá-las e torná-las prontas. O forno é aceso e tudo acontece como um ritual, uma festa, onde produzir arte é o ponto alto. O artista Américo Poteiro, filho de Antônio, perpetua este rito.

3 comentários:

taio disse...

excelente post

J. Frederico Schmidt disse...

Ficou maravilhoso seu blog. Parabéns!!!!
Um grande abraço!

Cinema Particular disse...

Estou muito orgulhosa do seu trabalho!!! Parabéns!!!!
Beijos