BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

16 de dezembro de 2011

ARTE TAMBÉM DO LADO DE FORA

DE DENTRO E DE FORA traz oito artistas estrangeiros e um grupo brasileiro para residência e criação de obras e intervenções artísticas de site specific. Pinturas, murais, esculturas, instalações, colagens, objetos, fotografias, mapas, impressos e vídeos... (MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)


Hoje, em meu mural do facebook vi um vídeo de divulgação desta mostra no MASP em São Paulo. Muito alegre, colorida e ao mesmo tempo cheia de conteúdo. O interessante dos arredores do MASP é que a sua decoração estende-se para além dos limites do museu. Avaçando pelas ruas da Avenida Paulista e modificando a paisagem da estação do MASP do metrô, com belíssimos painéis contemporâneos que incorporam o cotidiano das pessoas que por ali passam todos os dias! Uma paisagem que se funde com a vida do paulistano. Quem for à São Paulo precisa conhecer o museu e sua influência na Avenida Paulista. Bom passeio!


De Dentro e De Fora from De Dentro e De Fora on Vimeo.

14 de dezembro de 2011

O QUE TEM A VER, OS CORREIOS COM A ARTE?




Na era digital, quase nos esquecemos da função dos correios. Há alguns anos atrás, nesta época do ano, todos iam aos correios postar cartões de Natal e cartas aos familiares e amigos distantes, não é? Dependendo da região do país, ou do mundo, a correspondência levava alguns dias e até mesmo semanas para chegar. Era preciso programar a data do envio com antecedência, a fim de que a homenagem não chegasse após o evento propriamente dito. 
Hoje em dia, a dica "da hora" é o e-mail. Cartões virtuais, musicados, animados, todos coloridos e caracterizados, com lindas mensagens para todas as ocasiões, praticamente substituem o "rito" de postar cartas nos correios.
A tecnologia e a modernização dos processos ocorre com muita velocidade e logo alguns hábitos, como escrever cartas à caneta em um papel próprio, vão desaparecendo em detrimento de novas possibilidades de comunicação, bem mais rápidas e eficientes. Isso considerando, é claro, que os correios tem um dos serviços mais sérios do país, com alto grau de eficiência e credibilidade. Entrega garantida. Mas o e-mail é instantâneo e permite retorno rápido a assuntos que exigem certa urgência.
Mas... você conhece a Arte Postal? Já ouviu falar? Já decorou alguma carta ou cartão Postal para enviar a uma pessoa muito querida? Sim? Então, talvez já tenha produzido algumas destas belezas estéticas sem saber.  
O mundo se transformou, a comunicação também, na Arte não é diferente.
Em um panorama mundial de guerras, sistemas políticos opressores e ditatoriais, onde a expressão de idéias e ideais era controlada, a vazão dos protestos contidos foi canalizada também para a arte. A arte adquiriu conteúdo mais politizado e passou a integrar um movimento denominado Arte Conceitual, que disseminou e valorizou idéias e conceitos, mais do que a própria estética da obra ou do objeto. Assim surgiu a primeira grande forma de arte em rede, uma rede anterior às redes telemáticas: a Arte Postal. O marco considerado como o início desta arte foi o ano de 1962. Ray Johnson formalizou o uso do correio como meio de expressão e integração cultural entre artistas de todos os cantos do mundo. Iniciado na “Correspondance Art School”, em Nova Iorque, o movimento teve relação com as vanguardas instauradas ao longo do Século XX, que começaram a utilizar um modo de expressão diferente do que é considerado a extensão do corpo do artista: as tecnologias, que passaram a incorporar novos comportamentos. Teve grande destaque nas décadas de 1970 e 1980. Antes mesmo de ser reconhecida como tal, a Mail Art já era utilizada por artistas futuristas e dadaístas, que enviavam cartões postais de forma artística. Marcel Duchamp trocava correspondência com finalidades estéticas, além de acreditar que qualquer um poderia intervir em uma criação, dando assim uma conotação de arte colaborativa. Também surgida na contramão de um sistema oficial de cultura, a Mail Art foi vista como “anárquica”, instituída para trocar idéias, manifestos de temáticas diversas direcionadas à pessoas ou grupos por afinidades pessoais, políticas, ou artísticas. 
Assim, os artistas postais trocam cartas ilustradas, fanzines, envelopes decorados, cartões postais, objetos tridimensionais, dobraduras e outras criações que podem ser postadas pelo correio. Uma forma interessante de expressão artística e que também pode ser analisada sob outros prismas. A Mail Art pode também ser a arte do meio, arte ou artesanato postal. Uma forma de comunicação visual, ilustração e desmaterialização do convencional, que faz do artista postal, um interessado do mundo dos signos e das linguagens como forma de interagir com o mundo. O artista prioriza a linguagem como tendo função de referencial documentário, em detrimento do poético, ou estético. Além de possuir caráter informativo pode agregar outros tipos de conteúdo como, a propaganda, disseminação de idéias com forte tendência de linguagem retórica para veicular suas ideologias artísticas. Assim, a Mail Art cria um circuito dentro do sistema de arte ampliando-o, contudo sempre tendo um “braço” estendido para o contraditório, pois mescla suas funções. Não é  utilizado somente para fins artísticos, mas também institucionais. Assim sendo, para manter a sua pureza, ou característica de arte é um produto individual único e não produzido em série, como um processo industrial. Seria uma cultura à nível planetário e internacional e pode ser uma forma de arte coletiva, uma vez que muitas pessoas podem participar dela. Andy Warhol difunde a seguinte idéia: “Todo mundo será conhecido universalmente por 15 minutos”.

A ARTE POSTAL E SEUS ARTISTAS
Guy Bleus


Hans Braunmüller

Hans Braunmüller

John Fellows

Jim Kauffmann

Ray Johnson

Mark Bloch


Gostaram? Quem sabe não podemos formar um grupo de ARTE POSTAL, heim? O que acham da idéia? Podemos trocar correspondências artísticas. Vamos pensar no assunto?


8 de dezembro de 2011

CULTO OU POPULAR? O QUE VOCÊ PREFERE?

Antônio Poteiro, Soltando pipas na favela - 2003 - Goiânia
Que conceitos você tem destes dois termos? O que entende por erudito e o que acha ser o popular? Normalmente as pessoas associam a palavra “erudito” a algo refinado, nobre, de “melhor” qualidade, mais caro e consumido por pessoas com maior poder aquisitivo. Não é assim? Já o popular é visto por muitos, como sinônimo de “brega”, sem muito valor agregado, tanto monetário, quanto em aparência. Quem sabe confeccionado com materiais baratos e pouco resistentes. Sem muita estética, ou pelo menos, não se encaixa no padrão de beleza “eleito” como sendo o politicamente correto, ou vigente. Algo lhe parece familiar nesta fala?
E na Arte? O que seria para você Arte Erudita e Arte Popular? Você diria que uma é mais significativa que a outra? Uma mais importante do que a outra? Pense um pouco e responda a si mesmo.
Talvez tenhamos crescido em um meio em que certas atividades ou rotinas, não passem realmente disto, “rotinas”. O ato de costurar uma roupa, uma linda colcha de retalhos ou uma cortina de tecido para aquela janela da casa, pode ser apenas um trabalho cotidiano realizado por pessoas que aprenderam o ofício e que pretendem economizar desta forma. Não se vê o ato de costurar tais peças, como um processo criativo, onde além do utilitário, seja almejado o “belo” ou um resultado “bonito”. Cada recorte de tecido colorido tem seu lugar na colcha, podendo formar lindas composições. A roupa pode apresentar detalhes novos e exclusivos, ou seja, somente aquela peça terá estas características. Em suma, o ato de criar se faz presente na confecção de objetos diversos, utensílios domésticos de toda ordem, desde as roupas, colchas, cortinas, tapetes, até potes de cerâmica, cadeiras, bancos, mesas e tantos outros objetos de uso cotidiano e, justamente por serem comuns à rotina diária, nos parecem inofensivos, sem graça, repetidos e comuns a ponto de não serem percebidos.
Pieter Bruegel, Jogos infantis - 1560 - Bruxelas
Artistas eruditos freqüentaram a academia, estudaram estética, técnicas, história e certamente imbuídos de talento, se propõe a criar suas obras como se fossem – e são – um texto visual complexo e filosófico, que necessita ser observado por algum tempo a fio, a fim de ser interpretado, lido ou compreendido. Ocorre que o artista popular, embora não tenha freqüentado as escolas de arte e desenho, não viva unicamente de sua criação, mesmo que deseje um dia fazê-lo, tanto cria textos visuais complexos, quanto filosóficos. Será? Existe diferença estética? Pode até ser que sim. Em algumas obras, os traços podem ser mais retilíneos e cuidadosamente acabados. As cores estudadas e postas sobre a tela, papel ou outro suporte qualquer, mas sempre “pensada”, nunca “jogada” ao léo. Em outras, as proporções podem parecer desrespeitadas, as cores usadas indiscriminadamente e as formas podem apresentar acabamentos aparentemente “grosseiros”. Pode ser. Depende de quem vê, como vê, o que sabe a respeito e o que pensa sobre arte. Neste caso, inevitavelmente entramos no campo “gosto pessoal” e desde pequenos ouvimos dizer que este, não se discute. Será que não?
A Professora Leda Maria de Barros Guimarães, da Universidade Federal de Goiás, há muito pesquisa sobre esta dicotomia existente em Arte Erudita e Arte Popular. Em seu artigo intitulado “Arte e Cultura Popular: variações em torno da construção de conceitos e valores” aborda de forma consistente, a linha tênue que envolve a compreensão do conceito de arte popular, naïf, primitiva, ingênua, folclore, cultura popular e suas “diferenças” com a denominada arte culta ou, erudita. Toca num ponto delicado e de certa forma complexa, no entendimento do senso comum, que acaba por provocar uma classificação qualitativa nas diversas expressões artísticas e culturais. BACCARELLI (1996) diz que, nas civilizações primitivas, a arte tinha caráter funcional e era valorada pelo material empregado e técnica utilizada, não havia distinção. Todas as artes tinham o seu papel ou finalidade, fosse mágico, ritualístico ou evocativo. Com o advento da Revolução Industrial há o surgimento de artefatos industrializados e da mecanização dos processos de produção. O Século XIX reformula o cenário da Arte, com o surgimento de uma sociedade burguesa, da valorização da cultura urbana e o acréscimo de conteúdo filosófico à Arte, atribuindo à criação um maior envolvimento intelectual, compromisso com o pensar. Este fato estabelece uma divisão entre o Erudito e o Popular, onde ao primeiro é atribuído o termo “Belas Artes” e considerado arte superior e, ao segundo arte de menor valor. Assim, por exemplo, a arte popular é percebida alheia à História da Arte brasileira, numa via paralela e não como parte dela. Uma separação que provoca distanciamentos conceituais “equivocados” na compreensão do texto apresentado pela Professora Leda. A professora propõe justamente a condição de não haver “a priori” categorias que separem a arte neste dois blocos-ilhas, que ao fundo do oceano acabam unidas.
Sobre esta questão, Ana Mae Barbosa apresenta uma definição bastante elucidativa, quando fala da diversidade artística e cultural no ambiente escolar. Ela diz que “a escola seria o lugar em que se poderia exercer o princípio democrático de acesso à informação e formação estética de todas as classes sociais” , o que nos aponta uma das grandes questões desta classificação dicotômica, que atribui a arte popular a um valor monetário menor, ou advinda de sujeitos pertencentes à classes de baixa renda, ou de menor escolarização perfazendo assim, o raciocínio de distribuição dos bens culturais, onde a classe dominante rege também os valores estéticos da arte. Ana Mae ainda completa que, desta forma, a escola estaria “propiciando na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos”. Assim podemos dizer que as diferentes representações estéticas compreendem códigos culturais também diferentes e não, superiores ou inferiores, apenas diferentes. Neste caso, o que se classifica como erudito faria também parte deste conceito de “apenas diferente” e não superior. Considerando que a arte estebelece-se na sociedade de acordo com seu contexto social, econômico e político e, assim sendo transfere em suas representações estes mesmos códigos, não é possível mensurar determinados valores. Mas é possível estabelecer uma relação arte-cultura, ou arte como produto cultural e que depende dos códigos simbólicos de seu meio e de sua realidade, portanto não sendo passível de classificação qualitativa.
Somente na segunda metade do Século XX é possível perceber uma visão mais democrática neste sentido, na tentativa de suprimir as diferenças de classe, o que seria talvez um retorno ao conceito primitivo de arte, onde seu valor não está exatamente associada ao grupo social em que é produzida, mas em relação ao discurso que carrega, sendo indiferente pertencer à classe de poder dominante ou não.
 E agora? O que você pensa a respeito? Observe estas duas obras:

Poteiro - Soltando pipas na favela - 2003 - Goiânia

Bruegel, Jogos infantis - 1560 - Bruxelas




A primeira, de Bruegel, mostra a realidade de grupos infantis que se divertem no "pátio" das casas, ou no espaço de uso comum da colônia. São crianças simples, filhos de agricultores e trabalhadores rurais e é possível perceber uma variedade enorme de brincadeiras diferentes. Entre arcos, cordas, varinhas, pega-pega, se veem rostos tristes e endurecidos, tal qual as crianças eram vistas na época, como "pequenos adultos", ou miniaturas de adultos. No entanto revela a ânsia de libertar-se na brincadeira. Na Europa de 1560, não haviam condições sanitárias adequadas, nem escolas, nem uma preocupação com a infância, crianças eram mais uma boca para comer, a doença assolava famílias inteiras. Com frequência serviam aos nobres em suas casas como pagens, empregados sendo pequenos trabalhadores e tendo sua infância tolhida, de certa forma. No entanto, a brincadeira e o brinquedo sempre se fazem presentes nesta fase da vida do ser humano. Brincar é a marca da criança.

Na segunda imagem, temos uma representação feita por um artista considerado popular. Antônio Poteiro retrata crianças brincando de soltar pipas. Cenário: a favela, mundo hostil e cruel, onde a marginalidade não pede licença e crianças são expostas diariamente à violência urbana, mais modernizada àquela representada no quadro anterior. Crianças sempre brincam! O que difere uma imagem da outra, além da estética das imagens, são as cores, a luminosidade entre uma e outra. Uma parece mais entristecida por suas cores e a outra mostra, que apesar das dificuldades cotidianas a alegria se faz presente nas brincadeiras infantis. Onde há crianças, há alegria. Considerando as duas representações, podemos dizer que dizem a mesma coisa em épocas diferentes e a pergunta é: PORQUE UMA É CONSIDERADA CULTA E A OUTRA POPULAR? Em outras palavras: superior ou inferior, segundo o texto da professora Leda?

Para saber mais:

BARBOSA, Ana Mae . A imagem no ensino da arte. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.


GUIMARÃES, Leda Maria de Barros. Arte e cultura popular: variações em torno da   construção de conceitos e valores. Módulo 8. Grupo Arteduca, Brasília: IdA/UnB, 2011.


Até mais,
Dagmar


6 de dezembro de 2011

JOGOS VOCAIS

No embalo do uso das tecnologias nas expressões artísticas não posso deixar de trazer aqui no blog este magnífico vídeo produzido pelo grupo vocal "A Capella Medley", na Dinamarca. Apenas vozes, sem instrumentos eles dão um show à parte com alguns "hits" da música pop.
Simplesmente fantástico.
Apreciem!

4 de dezembro de 2011

NOVIDADE NO QUE É DE COSTUME

            Habituar-se a olhar, não apenas olhar, mas olhar e ver. Não raro observamos o cotidiano como algo que se repete diariamente, inclusive seguindo a mesma ordem do dia, numa enfadonha roda que gira e gira retornando sempre ao mesmo ponto. Este processo se torna tão automático e mecanizado, que não percebemos pequenas mudanças de rota, entre uma ação e outra. Assim também o é com relação ao que observamos. Observar, na verdade sem ver realmente o que se passa. 

Frequentemente, a arte que existe em nossa vida cotidiana é invisível. No entanto, quando a arte local é interpretada a partir de seu contexto, essa interpretação aciona não só uma maior compreensão da arte em si, mas também uma análise crítica do sistema  de produção e dos valores nela refletidos. (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 232)

            Ensinar a ver é papel dos pais e também dos professores. Atentar para detalhes, cores, formas, nuances de movimento. Atentar para a novidade no velho, no usado, no teoricamente esquecido. Perceber quantas informações podem estar contidas num pequeno objeto decorativo, naquela toalha bordada em ponto cruz, que cobre a mesa da sala, ou ainda, na colorida colcha de retalhos que decora a cama no quarto. Quem fez, onde fez, com que material executou a tarefa e porque faz estas “coisas”... . Objetos ou artefatos confeccionados tanto pela necessidade utilitária, quanto pelo desejo de criar algo também belo. Buscas que ajudam a revelar um pouco da história do artista-artesão e também de seu contexto, sua realidade. Histórias e memórias estampadas na arte e nos objetos de uso cotidiano, aparentemente inofensivos e também desprezados pelo nosso observar. “A repetitividade, familiaridade e as contradições da vida cotidiana a tornam muitas vezes invisível” (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 234).
            Um estudo etnográfico propõe e supõe questionamentos inicialmente “inocentes”, mas que levam a respostas profundas e reveladoras. “Erickson (1986) enfatizou a necessidade de prestar atenção aos acontecimentos do dia-a-dia, convidando educadores ‘a transformar em estranho o familiar’, estranho o suficiente para ser percebido.” (BASTOS in BARBOSA, 2008, p. 234).  Aprender a observar pode estar ligado ao apreço que se tem por certas estéticas. Bastante relacionado ao gosto pessoal, que por sua vez é desenvolvido ao longo de nossa existência, tendo iniciado ainda na mais tenra idade. O que nos atrai, consequentemente nos prende ao olhar. Assim doamos mais tempo ao “objeto do desejo” e, por sua vez capturamos maior número de informações, a fim de satisfazer nossa curiosidade. Uma relação de afeto com o que observamos faz com que busquemos as novidades do objeto observado.   Cada novo olhar, traz também novas informações.
            O texto visual de cada objeto observado pode revelar histórias de vida ou de um povo. Pode mostrar os modos de uma sociedade, sua economia, suas tradições e crenças. Basta OLHAR, VER E QUESTIONAR.

REFERÊNCIAS

BASTOS, Flávia Maria cunha. O perturbamento do familiar: Uma proposta teórica para a Arte/Educação baseada na comunidade. In: BARBOSA, Ana Mae (org.). Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez, 2008. p.227-243.

SCHILICHTING, Julia Campello. Métodos e técnicas em antropologia cultural. Texto de apoio. Arteduca IdA/UnB, 2011.


ESTUDO ETNOGRÁFICO

"Namoradeiras"

Cidade de Goiás – GO

Peças decorativas em cerâmica. Barro moldado, queimado em forno e colorido com tinta, na caracterização do feminino. Artesanato popular tradicional encontrado em várias regiões do país. Utilizado na decoração de residências, geralmente dispostas nas janelas das casas, podendo ser vistas da rua. As formas e cores utilizadas representam mulheres brasileiras num misto de etnias. Remete à uma paisagem bucólica. Um urbano simples, rural. Expostas nas janelas como quem observa tranquilamente o transeunte da rua. Alguém que tem tempo para apreciar a paisagem e está fora da rotina conturbada de uma cidade grande. Portanto, uma personagem do interior, da cidade pequena. Cores, estampas, babados, vestidos, brincos, pulseiras, batom, penteado e enfeites no cabelo simbolizam a feminilidade e a vaidade da mulher, aqui simbolizadas através da beleza e exuberância da mulher negra. “Namoradeiras”, nome dado a estas peças também por estarem à espreita na janela, ou sempre à espera de alguém, de um amor.


COLCHA DE RETALHOS



Mostra Cultural numa escola da rede privada em Goiânia. Tema: Goiás – Turma de 4º ano do Ensino Fundamental. Foi feita uma simulação do quarto de Cora Coralina e esta colcha de retalhos estava sobre sua cama.
Colcha de tecidos, com fundo preto e sobreposição de pequenas flores de retalhos coloridos. Costura. Técnica muito utilizada no interior, longe das grandes cidades. Figuras ordenadas em fileiras, quase seguindo uma ordem na disposição das cores. Patschwork. Revela o jeito simples de viver, decorar e “cuidar” da casa. Delicadeza nos detalhes e nas formas utilizadas. Artefatos como toalhas de mesa, cortinas, colchas, cobre-leitos, mantas para sofás, almofadas coloridas, assentos para cadeiras, panos de prato, tapetes, protetores de fogão, geladeira e tantos outros servem para a proteção de peças e mobiliários, bem como revelam certo “capricho” e apreço pelo “lar”. Em algumas regiões do país, estampas e formatos derivam da colonização açoriana, portuguesa. Em outras, a tradição de povos europeus, como os alemães, poloneses, italianos e outros. 


VASO DE CERÂMICA


Mostra Cultural numa escola da rede privada em Goiânia. Tema: Homenagem à artista Goiandira. Várias peças trabalhadas com areia colorida, entre elas, vasos de barro.
Peça de cerâmica trabalhada com areia colorida. Detalhes geometrizados semelhantes à grafismos indígenas. Vaso utilitário decorado com areia colorida, imitando grafismos indígenas e homenageando a artista GOIANDIRA. As peças de barro produzidas pelos índios marajoara, denominadas de “cerâmica marajoara” possuem características semelhantes. Peças tradicionais produzidas em barro, com a finalidade utilitária, como potes, moringas de água, copos, jarros, panelas e vasos. Retrata a vida no campo e do homem rude, do sertanejo e da cozinheira em volta do fogão à lenha a preparar os alimentos nas panelas de barro. Os detalhes coloridos que representam grafismos indígenas, com desenhos que imitam a natureza, utilizando areia, mineral natural, remete à simplicidade, ao básico e á valorização do detalhe decorativo nas peças de uso cotidiano. 


Habituar-se a observar o que está à nossa volta, pode revelar uma faceta oculta do belo. 
Dagmar




ARTE E TECNOLOGIA


A Arte também está presente no meio digital e das mais diversas formas. Na internet e através dela é possível aprender sobre Arte, participar de obras coletivas e inclusive interagir com elas, em tempo real. Num mundo onde a informação é instantânea, a impermanência do homem e de suas idéias passa a ser uma constante. A necessidade do registro de sua história, desde os primórdios da humanidade inundam a mente humana. o homem sente necessidade de deixar sua marca para as gerações futuras. Na Arte, não só um apreciador, mas o prório artista. E senão o artista, um interventor. Poder modificar o que parece consumado instiga os desejos mais profundos do homem. Modificar realiddades, rotas, escolhas, tornar mais bonito ou simplesmente interferir. Trazer a arte para o espaço virtual possibilitando a toda pessoa ser um agente participante dela é uma característica da Web Art. A possibilidade de interferir em uma obra de arte é nula, quando se observa uma pintura em tela, uma escultura ou uma mostra de arte tradicional. O espectador fica com a imagem criada pelo artista, sem a possibilidade de acrescentar ou agregar novo conteúdo, a fim de que receba sua interpretação, seu olhar, seu sentir. Fica sujeito à criação do artista, como mero espectador, embora possa interpretá-la.
Na arte interativa ocorre o mesmo, com a diferença de que o espectador ganha o status de co-artista, ou até mesmo o próprio artista. Sua criação passa a ser sua até certo ponto e poderá ganhar caracteristicas totalmente diferentes, a partir da intervenção de outras pessoas. A iminência de perder a criação original provoca certa "adrenalina" e a possibilidade de modificar algo mexe diretamente com o "proibido", ou aquilo que não poderíamos estar fazendo, mas estamos liberados para fazer. esta sensação de inconstância e possibilidade de intervir a todo instante e de acordo com a própria vontade faz da ARTE COLABORATIVA NA INTERNET, um jogo de trocas simbólicas fascinante, onde cada um doa ao mundo um pouco de si e recebe do outro, em fração de segundos.
No link abaixo, o internauta é convidado a criar sua própria melodia. Clicar nos quadradinhos produzirá sons, que combinados viram "música". Também é possível desclicar enquanto se houve a melodia. Assim, neste exercíco de clicar e desclicar é possível produzir som e ritmo alternados entre graves e agudos. Uma divertida brincadeira para todas as idades. 
Para acessar, clique no link abaixo e bom divertimento!


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Um ótimo domingo,
Dagmar