BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

14 de dezembro de 2011

O QUE TEM A VER, OS CORREIOS COM A ARTE?




Na era digital, quase nos esquecemos da função dos correios. Há alguns anos atrás, nesta época do ano, todos iam aos correios postar cartões de Natal e cartas aos familiares e amigos distantes, não é? Dependendo da região do país, ou do mundo, a correspondência levava alguns dias e até mesmo semanas para chegar. Era preciso programar a data do envio com antecedência, a fim de que a homenagem não chegasse após o evento propriamente dito. 
Hoje em dia, a dica "da hora" é o e-mail. Cartões virtuais, musicados, animados, todos coloridos e caracterizados, com lindas mensagens para todas as ocasiões, praticamente substituem o "rito" de postar cartas nos correios.
A tecnologia e a modernização dos processos ocorre com muita velocidade e logo alguns hábitos, como escrever cartas à caneta em um papel próprio, vão desaparecendo em detrimento de novas possibilidades de comunicação, bem mais rápidas e eficientes. Isso considerando, é claro, que os correios tem um dos serviços mais sérios do país, com alto grau de eficiência e credibilidade. Entrega garantida. Mas o e-mail é instantâneo e permite retorno rápido a assuntos que exigem certa urgência.
Mas... você conhece a Arte Postal? Já ouviu falar? Já decorou alguma carta ou cartão Postal para enviar a uma pessoa muito querida? Sim? Então, talvez já tenha produzido algumas destas belezas estéticas sem saber.  
O mundo se transformou, a comunicação também, na Arte não é diferente.
Em um panorama mundial de guerras, sistemas políticos opressores e ditatoriais, onde a expressão de idéias e ideais era controlada, a vazão dos protestos contidos foi canalizada também para a arte. A arte adquiriu conteúdo mais politizado e passou a integrar um movimento denominado Arte Conceitual, que disseminou e valorizou idéias e conceitos, mais do que a própria estética da obra ou do objeto. Assim surgiu a primeira grande forma de arte em rede, uma rede anterior às redes telemáticas: a Arte Postal. O marco considerado como o início desta arte foi o ano de 1962. Ray Johnson formalizou o uso do correio como meio de expressão e integração cultural entre artistas de todos os cantos do mundo. Iniciado na “Correspondance Art School”, em Nova Iorque, o movimento teve relação com as vanguardas instauradas ao longo do Século XX, que começaram a utilizar um modo de expressão diferente do que é considerado a extensão do corpo do artista: as tecnologias, que passaram a incorporar novos comportamentos. Teve grande destaque nas décadas de 1970 e 1980. Antes mesmo de ser reconhecida como tal, a Mail Art já era utilizada por artistas futuristas e dadaístas, que enviavam cartões postais de forma artística. Marcel Duchamp trocava correspondência com finalidades estéticas, além de acreditar que qualquer um poderia intervir em uma criação, dando assim uma conotação de arte colaborativa. Também surgida na contramão de um sistema oficial de cultura, a Mail Art foi vista como “anárquica”, instituída para trocar idéias, manifestos de temáticas diversas direcionadas à pessoas ou grupos por afinidades pessoais, políticas, ou artísticas. 
Assim, os artistas postais trocam cartas ilustradas, fanzines, envelopes decorados, cartões postais, objetos tridimensionais, dobraduras e outras criações que podem ser postadas pelo correio. Uma forma interessante de expressão artística e que também pode ser analisada sob outros prismas. A Mail Art pode também ser a arte do meio, arte ou artesanato postal. Uma forma de comunicação visual, ilustração e desmaterialização do convencional, que faz do artista postal, um interessado do mundo dos signos e das linguagens como forma de interagir com o mundo. O artista prioriza a linguagem como tendo função de referencial documentário, em detrimento do poético, ou estético. Além de possuir caráter informativo pode agregar outros tipos de conteúdo como, a propaganda, disseminação de idéias com forte tendência de linguagem retórica para veicular suas ideologias artísticas. Assim, a Mail Art cria um circuito dentro do sistema de arte ampliando-o, contudo sempre tendo um “braço” estendido para o contraditório, pois mescla suas funções. Não é  utilizado somente para fins artísticos, mas também institucionais. Assim sendo, para manter a sua pureza, ou característica de arte é um produto individual único e não produzido em série, como um processo industrial. Seria uma cultura à nível planetário e internacional e pode ser uma forma de arte coletiva, uma vez que muitas pessoas podem participar dela. Andy Warhol difunde a seguinte idéia: “Todo mundo será conhecido universalmente por 15 minutos”.

A ARTE POSTAL E SEUS ARTISTAS
Guy Bleus


Hans Braunmüller

Hans Braunmüller

John Fellows

Jim Kauffmann

Ray Johnson

Mark Bloch


Gostaram? Quem sabe não podemos formar um grupo de ARTE POSTAL, heim? O que acham da idéia? Podemos trocar correspondências artísticas. Vamos pensar no assunto?


2 comentários:

Mings disse...

Adorei esta postagem.
Parabéns!!!

Dagmar disse...

Obrigada Mings,
também achei bem interessante também, principalmente pela possibilidade de criarmos um grupo para correspondência artística.