BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

21 de março de 2012

Você sabe usar a ferramenta?

A definição contemporânea de Didática pode ser expressa da seguinte forma, segundo o texto:

“campo de estudos e práticas, cujo objeto é a prática pedagógica de sala de aula e suas relações com a instituição escolar, com o sistema educacional e com o sistema social mais amplo.” (ANPED, 1994)

A Didática portanto, não se resume apenas ao conjunto de ferramentas e técnicas com as quais o professor ministra os conteúdos de um programa com a finalidade de promover o aprendizado de seu grupo de alunos. A Didática compreende elementos que ultrapassam os limites de sala de aula. Hoje, num tempo e espaço onde a informação e o conhecimento já não é mais privilégio de bibliotecas e ambientes escolares. A velocidade com que um fato é divulgado em tempo real no mundo inteiro, por meio da internet e outros veículos de comunicação, certamente nos mostram que onde quer que estejamos, a comunicação é possível, a troca é possível e portanto, o conhecimento está sempre em movimento, independendo necessariamente do professor.
Naturalmente que existem saberes próprios e relativos às ciências e ao conhecimento universal que, organizados e estruturados de modo acadêmico visam ao cumprimento de requisitos pelos quais todo estudante precisa passar para cumprir com os parâmetros sociais vigentes e ser “aceito” no mercado de trabalho, como cidadão independente e capaz. Mas já é sabido que a escola não detém mais o conhecimento. Há que se considerar o alto nível de defasagem dos professores em decorrência de uma formação falha e escassa, em termos de conteúdo e qualidade. Não porque o professor venha sofrer a punição e a culpa pelo fato de que nossas instituições não promovem ensino de qualidade. Mas isso é decorrência de um processo histórico onde, durante muito tempo, a educação ficou sob responsabilidade de um regime político castrador e ainda hoje se submete às culturas dominantes e isso acaba se perpetuando.

Antiga sala de aula - PUC Campinas - Arquivo histórico

O grande desafio hoje é conciliar a gama de informações que os jovens receptam fora da escola, como conhecimento, como algo a ser considerado dentro do currículo, com justamente aquilo que a escola deve manter foco. O conhecimento construído ao longo da humanidade não é dispensável, nem substituível e portanto, necessário para que a humanidade continue evoluindo com responsabilidade e “verdade”. Contudo existe uma lacuna entre o que se deve fazer e o que se faz. Mesmo depois de tantas discussões históricas sobre a teoria e a prática, as evidências mostram que pouco mudou.
Portanto, a Didática, como campo do conhecimento que elabora, estrutura, pesquisa métodos mais adequados e procura conciliar teoria e prática, sobretudo no espaço sala de aula, onde o professor está em constante diálogo com seu aluno, não pode furtar-se a procedimentos rígidos seculares. O mais importante é perceber o aluno como indivíduo com comportamentos e cultura próprios, que está neste espaço por razões diversas, mas que ao mesmo tempo busca formação e inserção social. Não se trata apenas de abordar as minorias, mas a todo e qualquer aluno, independente de se extrato social, origem e todos os demais requisitos. Trata-se de adequar o diálogo hoje existente entre o mestre e o aprendiz. De verificar saberes diversos daqueles constantes do material escolar e aceitar que a informação não vem apenas do professor, do livro, da biblioteca, mas que o conhecimento secular é mais uma fonte e que o aluno pode e deve questionar, criticar e trazer novas possibilidades. O professor didata, ou aquele que consegue estabelecer um canal de comunicação fluente, não só promove diálogo sadio em sala de aula, como auxilia na pesquisa, motiva na construção e formulação de hipóteses por parte dos alunos e aceita opiniões divergentes, sem contudo, deixar de lado sua principal tarefa, que é apresentar, ensinar o que precisa ser ensinado.
O conhecimento científico não é descartável, como dito antes, portanto não pode simplesmente ser deixado de lado, mas ele não pode ser a única fonte de conhecimento. O aluno é um elemento importante e questionador. Métodos não são eficazes se desconsiderarem individualidades. Não há uma didática única e nem um método certo. Existem diferentes grupos, diferentes realidades e contextos. Cabe ao professor adequar o conteúdo de modo que o aluno consiga significá-lo em sua realidade. Mostrar que o conhecimento faz parte do cotidiano, que ele se transforma, que pode ser acrescentado e que é necessário para a evolução social, econômica e intelectual da espécie humana.



O ambiente de sala de aula, ultrapassa o limite da escola. Hoje está na internet, em vídeo-aulas, salas de debates, encontros, palestras, seminários... tudo é movimento de informação. Mas cabe ao professor direcionar as tecnologias de modo positivo, a ponto de fazer com que o aluno perceba a real significância daquela informação e saiba o que fazer com ela. Saber muito, não torna uma pessoa sábia. Saber o que fazer com o conhecimento e a informação é que a torna apta a viver em sociedade. Promove pois, um ser que contribuirá de modo relevante para o coletivo.
Diálogo, comunicação, sem perder de vista a seriedade do ato de ensinar, porque não se pode negar que o papel principal do professor é sem dúvida preparar o indivíduo intelectualmente. Mas fazê-lo implica em responsabilidade e compromisso, bem como em abertura e receptividade. Didática é método, de melhor fazer, para atingir o melhor resultado. Saber, saber fazer, saber ensinar, saber usar o que aprendeu. Uma relação que deve permear a sala de aula e a prática do professor. Afinal, quem não se lembra de algum professor em sua história escolar. O professor com o qual era difícil de se relacionar e que isso influenciava diretamente na aprendizagem do conteúdo, por provocar aversão àquela matéria. Ou aquele professor que vê o aluno como indivíduo, com respeito pelo que é, e ajudando-o a fazer o melhor que pode. Todos têm história para contar.

Por Dagmar

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