BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

5 de abril de 2012

Gosto não se discute?




O antigo adágio de que “gosto não se discute” pode até ser verdadeiro, mas não deve esconder o fato de que o gosto é suscetível de desenvolvimento. Isso é também uma experiência comum que todos podemos comprovar em campos mais modestos. Para as pessoas que não estão habituadas a tomar chá, uma mistura pode ter exatamente o mesmo sabor da outra. Mas se dispuserem de tempo, vontade e oportunidade para explorar quantos refinamentos podem existir, é possível que se convertam em autênticos connaisseurs capazes de distinguir o tipo e a mistura preferíveis, e seu maior conhecimento certamente aumentará o prazer propiciado pelas misturas mais requintadas.

                                                                           (GOMBRICH, 1995, p.36 in Ostetto)

Neste pequeno trecho de Gombrich, utilizado por Luciana Ostetto, em um de seus artigos sobre o ensino da arte, a referência é feita exclusivamente ao desenvolvimento do gosto pessoal pela música. Mas porque não aproveitar este conceito para aplicação no ensino da arte como um todo? Este é o papel do professor generalista, enquanto educador, oferecer possibilidades, variedades, variações e condições de a criança aprender a aprender e a escolher com consciência.
O papel do professor na atualidade é, sem dúvida, o de ser o fio condutor dos saberes e, sobretudo, canal para a construção de novos conhecimentos. Que este seja um agente facilitador que abre portas e janelas para o crescimento humano. 
Proporcionar o contato de seus alunos com todas as expressões artísticas possíveis, não apenas enriquece os conceitos que as crianças formarão acerca destas linguagens, mas certamente ampliará os horizontes do campo imaginativo e criativo da criança. Desse modo, ela aprenderá a utilizar com competência, todas as formas de linguagem para se expressar corretamente e de forma eficaz com o mundo. Aprenderá a distinguir as diferenças e a valorizar a diversidade. Terá maiores condições de compreender as diferentes manifestações culturais, das quais faz parte, inclusive como produtora de cultura. Será capaz de criar inúmeras composições de comunicação expressiva, no intuito de investigar as possibilidades e não apenas reproduzir relações conhecidas. Terá plenas condições de inovar e exercitar a capacidade imaginativa, da qual a flexibilidade é um dos principais atributos. Não se obtém esta flexibilidade no ato criador, sem antes obter os códigos de comunicação, sejam eles visuais, orais, escritos, auditivos... saber se expressar, não é apenas um dom, mas antes disto, um aprendizado que une técnica e talento. Aprimorar o gosto pessoal é algo que se aprende e que na escola, se discute sim!
Bons diálogos!

Por Dagmar


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