BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

7 de outubro de 2012

PARABÉNS PROFESSOR?

Todos os anos, no dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor. Quando ia a escola lembro-me muito bem que levávamos cartões e flores à nossa professora e o dia era tratado de uma forma muito especial. No meu Ensino Fundamental contei com professores dedicados e amorosos. Pessoas realmente conectadas com o ato de ensinar e comprometidas com as nossas vidas. Bons tempos, que não voltam mais, mas que permanecem mais do que vivos em minhas lembranças... Minha primeira professora foi a Regina, depois a Maria Aparecida, Terezinha e por fim a irmã Helena na 4ª série. E olha, que quando estive neste nível escolar, o ensino de caráter extremamente tradicional impunha muita disciplina e com rigor as tarefas eram cobradas. Minha mãe nunca fora chamada na escola por algo que tenha feito, ou regra que tenha quebrado. Se isso acontecesse, acho que "morreria" de vergonha. Mas também tem outra coisa: nunca nenhum aluno ousava questionar, emitir opiniões ou até mesmo manifestar idéias inovadoras. Alunos eram alunos e professores eram professores. o espaço de "quem" deveria ensinar e "quem" deveria aprender estava demarcado e sabíamos que a linha limítrofe era intransponível. Momento político do país? DITADURA. Ainda assim, em meio a tudo isso recebi carinho, cuidado, atenção e acesso ao conhecimento de forma consciente e respeitosa, visto que era uma aluna "protestante" dentro de uma escola "católica" - o que mudou radicalmente a partir da 5ª série quando tive de mudar de escola e senti na carne o preconceito religioso.
Teria muitas "telas" de vivências para apresentar aqui... mas cansaria por demais a leitura... rsrsrs.
Mas e hoje? O que mudou?
Cada vez mais vemos estampados por todos os lugares e principalmente na internet a geral insatisfação com a educação. Ora, educandos descontentes e indignados com a qualidade de ensino, ora educadores insatisfeitos com as condições de trabalho, salários e também a falta de disciplina na classe, por parte dos? Educandos... e assim uma grande teia de insatisfações gira em círculos viciosos e intermináveis, sem na verdade a busca das soluções.
De onde vem tudo isso? Da sociedade em que vivemos? Das Políticas Públicas que regem a nossa educação? Das famílias em seu processo de educação dos filhos? Ou é um conjunto de tudo isso? Tenho certeza de que cada leitor terá sua opinião e certamente poderá manifestá-la aqui, no campo de comentários. Por favor o façam!
Eu não tenho respostas, mas tenho alguns questionamentos. É sabido que hoje nossas crianças tem acesso à informações numa velocidade a mil por hora. Sabemos que precisam administrar a vida em casa, suas coisinhas, seus lazeres, suas tarefas e inteirar-se de tudo mais. Tudo vem através de sons, imagens, movimentos e de uma forma totalmente dinâmica. O conhecimento já não é mais concebido de forma vertical, de cima para baixo. Ele hoje é construído colaborativamente e o professor não pode mais ser o detentor da verdade, nem o aluno o receptor passivo de tudo que tentam colocar dentro de sua cabecinha. Já se contrapunha Paulo Freire, ao falar do sistema de "educação bancária". O tempo da repressão acabou, o tempo da ditadura se foi. Lógico que também se foram os limites do razoável... mas e daí? Vamos sentar e criticar? É fácil não é? No camarote da nobreza olhar para baixo e "malhar" pai, mãe, professor, escola, sistema, política e nada fazer para contribuir com alguma boa mudança.
Ok!
O início de tudo é: parabéns professor?
Pois vejo a necessidade de um forte alinhamento do discurso com a prática profissional. Não adianta falar em teoria e teóricos do passado e do momento, se em sala de aula o aluno que precisa de mais incentivo é tratado como incompatível com a classe. Alguns professores ainda tem o objetivo de terminar o ano letivo com uma turma homogênea e nada menos. Assim valorizam os que tem mais facilidade em acompanhar esta meta e oprimem os que buscam a meta por outros caminhos, mas que acabam chegando nela. Existe só um caminho? Apenas uma verdade é válida? Apenas uma solução é possível? Todos precisam necessariamente chegar com o mesmo nível de conhecimento no final do ano? Por mais que a sociedade, em seus moldes convencionais exija das pessoas certos conhecimentos, não podemos negar que a "fala" da escola em nada mudou em séculos. Preparar o aluno para o futuro? Sim, mas o aluno ainda não está lá e ademais, ele precisa estar feliz hoje, naquilo em que está fazendo, ou seja: ESTUDANDO, APRENDENDO, DESCOBRINDO E SE FORMANDO.
Não desconheço as dificuldades enfrentadas pelos docentes e não estou diminuindo o trabalho árduo que é, dar aulas. Não é fácil e necessita de gente engajada e dedicada, que realmente sabe o que está fazendo e a que veio.
Numa época em que se fala das "Múltiplas Inteligências", o professor não pode simplesmente fugir de conhecer as habilidades de seus alunos fora da escola. Seu aluno canta, toca algum instrumento, pratica esportes, gosta de ler, desenha, cria, aprecia filmes... enfim, são tantas as coisas e elas dizem muito sobre a criança. O conhecimento é necessário, sobretudo o conhecimento historicamente construído, mas ele não é tudo. Como este aluno aprende, uma vez que não aprendemos todos da mesma forma?
Quantos professores, que detectam dificuldades na escrita de um aluno acabam o desqualificando diante dele mesmo e da classe, desconhecem seu potencial criativo em outras áreas, como por exemplo, elaborar um projeto com os coleguinhas?
Ou quando motivado, dá um salto na produção textual, que antes era de um parágrafo e ganhou mais outros magníficos quatro, o professor diante da sala toda alega que usou diálogos muito infantis? Existem propostas e propostas de ensino, mas a avaliação consiste acima de tudo, em observar a progressão da criança considerando seu ponto de partida e suas conquistas, em relação a ela mesma, jamais em relação a outros alunos. Ora, não estamos nivelando ninguém, nem tampouco rotulando com prazos de validade e mencionando conteúdos... estamos formando gente!!!!!
Assim trago para vocês duas coisas, que aliás considero básico para uma reflexão. A primeira é para que cada docente se avalie como tal e, se necessário repense sobre a sua prática e a outra, talvez a mais importante, que é uma reflexão bem mais profunda sobre os sistemas educacionais da atualidade e suas raízes históricas.

Então segue a primeira reflexão para todos os educadores que se dedicam à sua profissão com afinco e responsabilidade social:


CLIQUE NO AQUI PARA LER O TEXTO COMPLETO DO SITE EDUCAR PARA CRESCER

A segunda reflexão é para todos os leitores independentemente de serem educadores ou não. Todos precisamos acordar para a seriedade do que aqui é exposto.



MUDANDO PARADIGMAS NA EDUCAÇÃO

Animação adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade mundialmente reconhecido. Dublagem em português: Blog Brasil Acadêmico.





"Bora" pensar gente, para poder agir mais consciente!
E... antes da semana do "professor", temos a semana da "criança"!
Bom domingo.

Um comentário:

Dagmar disse...

Boa noite leitores do Blog! Entre o blog e o face e a página, algumas discussões acabam ficando no âmbito do face. Por isso, com autorização dos leitores no face posto abaixo os comentários feitos sobre esta mensagem!
Boa leitura. fiquem à vontade para inserir sua contribuição, lembrando sempre que de forma colaborativa é que construímos boas ideias!!!


Barbara
Kimie Okayama Realmente Dagmar, muitas coisas mudaram e a imagem do professor também.
Muitos pais não possuem tempo para orientar os filhos, educá-los e acabam cobrando dos professores esta função.
E ao mesmo tempo, muitos professores não estão totalmente alinhados a esta nova estrutura.
As displinas também mudaram, muitas disciplinas que eram básicas para o desenvolvimento da criança, hoje não existem mais.
Ou seja, foram muitas mudanças que ocorreram no decorrer das décadas e hoje, o dia dos professores é comemorados pelos alunos, mas apenas por ser um feriado, um dia de folga para eles e não uma homenagem ao professor.
Beijos


Lizani Bessel
Educar levando em conta as inteligências múltiplas é uma forma mais humana e mais justa de educar. Mas requer muito trabalho integrado entre professoes, escola e pais.


Dagmar Amsberg
Isso mesmo Lizani, requer antes o conhecimento do que vem a ser e como trabalhar com isso e o envolvimento de todos. Todos devem caminha para o mesmo objetivo, além do que de fato exige do professor trabalho redobrado, do que teria usualmente numa classe e métodos tradicionais. esta é uma questão polêmica e que merece outra reflexão. É mais fácil preparar um coletivo de atividades iguais, um programa de aulas homogêneo e um planejamento anual único e que de preferência não seja alterado, do que pensar em cada indivíduo dentro da sala de aula e buscar compreender como cada um aprende, como cada um pensa e responde diante da proposta do professor.


Silvana H. Brum
Tenho a impressão de que, muitos professores e alunos estão fazendo de seus papéis um faz de conta. Enquanto o sistema não muda, o aluno faz de conta que aprende e o professor faz de conta que ensina. Não há profundidade, porque todos acham que sabem tudo simplesmente pelo fato de terem acesso à informação. Estar informado de tudo e de todos, nos causa a utopia do saber. Não nos tornamos sabios simplesmente pelas informações. A sabedoria é um exercício do que eu faço com toda informação que recebo. E este processo nos da muito trabalho. Quem quer trabalhar???? Com tantas facilidades que o mundo nos proporciona, nos dando a ilusão do imediato. Sinto que devemos ser filtro e ensinarmos os alunos a filtrarem o que recebem. Que Deus nos oriente ,nos de sabedoria e nos mantenha na jornada incessante da educação. Amem!!!


Dagmar Amsberg
É mais ou menos isso que acontece Silvana. Só que, o professor é o condutor, o mediador, o que promove... o aluno participa do processo devendo assumir seu papel atuante - mas é sempre estimulado pelo professor. Estou falando aqui das crianças. Adultos já devem ter o estímulo em si mesmos. mas a criança precisa aprender a aprender, não dizer as respostas que o professor quer, mas a fazer as perguntas. O que está ocorrendo é que as crianças acabam por dar as respostas que os professores desejam ouvir ou ler (assim ficam satisfeitos) e é onde a criança FINGE QUE APRENDE, para se sair bem com o professor. O professor por sua vez, satisfeito com a resposta CERTA do aluno, acha que ensinou. Isso precisa mudar. ISSO DÁ TRABALHO! E como vc disse: quem quer? Aqueles que de fato são comprometidos com sua profissão.