BEM VINDO AO MANIA COLORIDA

6 de outubro de 2012

FILHO OU CIDADÃO?

Nestes últimos tempos tenho me deparado com inúmeras situações concretas que me levaram à algumas reflexões sobre a educação dos filhos.
Dentro de minhas atribuições profissionais, sou também responsável pela gestão de estágio e programa de jovens aprendizes. Somando todos eles, conto com cerca de 80 jovens entre estudantes de nível médio e superior, sendo que os de nível superior são de diversas áreas de formação. Administração, Agronomia,  Biologia, Biomedicina, Bioquímica, Direito, Engenharia Ambiental, Civil, Gestão Ambiental, os Tecnólogos em Geoprocessamento e Saneamento Ambiental, Zootecnia... entre outros. Jovens que aspiram um futuro profissional nas áreas em que se preparam ou não. Carreiras construídas com base na profissão dos pais, ou de alguém da família, outras escolhidas por afinidades pessoais. Observar o desempenho de cada um em seu campo de estágio, por meio de avaliações periódicas e muitas vezes burocráticas, mas necessárias é uma tarefa difícil, que nos traz respostas bem pontuais ligadas diretamente ao grau de satisfação e motivação que sentem em estar onde estão. Tirando desta situação, os casos de cursar a faculdade que o pai ou a mãe desejam, tem uma outra parcela, que embora bem pequena é preocupante. Frequentes atrasos, faltas, posturas inadequadas frente às responsabilidades revelam um jovem em formação, que se encontra em desvio do que se espera ser de fato uma experiência de estágio. Jovens que aparentemente tem tudo o que desejam em suas casas, não lhes falta absolutamente nada. Indo mais a fundo, não é difícil perceber que repetem as condutas dos pais e que estes não percebem tais condutas como graves. Tudo entra num ciclo de normalidade e naturalidade, que acaba resultando num adulto sem muitas responsabilidades e sem capacidade de assumir e honrar compromissos e muito provavelmente sem a energia e a garra para prover suas próprias conquistas. Para ser mais clara, poderia traduzir isso tudo numa simples expressão: "pai e mãe que passa a mão na cabeça do filho em qualquer situação" mesmo que seja ele culpado.
Isso me remeteu a um pensamento que há tempos venho associando aos movimentos sociais com os quais nos deparamos todos os dias. Um casal, quando decide que é o momento de ter um filho é tomado por um sentimento terno e delicado, quase egoísta e orgulhoso pelo fato de poder "ter" um filho. Evidentemente também pensa em criar todas as condições possíveis para cuidar da criança, para amá-la e educá-la dentro dos princípios em que também foram criados e assim por diante. Logo vem à mente à perpetuação das gerações da família, do sangue, do nome do pai e do nome da mãe... é meu filho, é nosso filho, olha só que coisa mais linda!!! Não é assim? Mas neste momento tão particular e peculiar, diria único quantos pais pensam do ponto de vista social? Por exemplo, que tipo de cidadão se deseja dar ao mundo? Que ser humano e de que forma o educaremos para que ele possa ser uma doação à sociedade, de modo a fazer diferença para ela? De que modo construir conceitos que nos permitam conduzir um ser humano capaz de promover uma sociedade mais honesta e justa? Pais pensam nestas coisas quando seus filhos nascem? Ou quando os planejam?

(... pausa...)

É por isso, que o processo de educar e conduzir uma criança pelo caminho da vida é árdua, necessita de perseverança e de muito amor. E amor, diga-se de passagem, do tipo que muitas vezes diz NÃO. Para que no futuro ele não fique "chocado" quando vê que precisa ser responsável pelos seus atos.
Que tipo de cidadão queremos para nossa sociedade? Existe uma receitinha pronta? Creio que não. Mas existem pais que pensam e repensam constantemente suas atitudes, seus exemplos e seus discursos. Se tudo é alinhado com uma boa dose de amor e compreensão, então certamente teremos um adulto justo, honesto e capaz de lutar por seus sonhos.



Fiquei na dúvida sobre postar sobre este assunto, porque as opiniões a respeito dele são as mais diversas. Não pretendia nenhum aprofundamento, mas apenas plantar um questionamento em face da experiência de ver tantos jovens talentos desperdiçados, perdidos em suas escolhas e mau conduzidos pelos seus pais. Digo mais, eles sofrem com isso. Eles são nossos filhos e são também cidadãos!
Então... acho que fica a dica...

Um excelente sábado para todos!

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