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7 de junho de 2015

BAUHAUS: UM CONCEITO QUE TRANSPÔS ÉPOCAS




Quando fundou a Bauhaus, que significa "Casa de construção", o arquiteto Walter Gropius (1883-1969) criou uma instituição de ensino com ideias de vanguarda, em uma época onde o mundo enfrentava séria crise econômica. 
É constituída pela fusão da antiga Academia de Belas-Artes e da Escola de Artes e Ofícios de Weimar (Kunstgewerbe) por Walter Gropius, seu fundador e também diretor. 
Foi uma influente escola de arquitetura e artes aplicadas na Alemanha. Walter foi mentor de uma geração de arquitetos que mudou o design das construções em todo o mundo e que se faz presente até hoje, nos estilos e funcionalidade de projetos arquitetônicos modernos. É considerada um divisor de águas entre uma arquitetura mais rebuscada e cheia de excessos ornamentais, anterior ao século XX e a estética mais limpa, iluminada e simples da Bauhaus. 
Situada no período entre-guerras, a Bauhaus foi grande colaboradora na reconstrução das cidades destruídas pela 1ª Guerra Mundial. Engenheiros e arquitetos buscavam uma maneira simples de produzir em série objetos de consumo baratos. No primeiro manifesto da Bauhaus, publicado em 1919, Gropius declarou que a arquitetura é a meta de toda atividade criadora. "Não há diferença entre o artesão e o artista, mas todo artista deve necessariamente possuir competência técnica", dizia o fundador da Bauhaus. 
A “Staatliche Bauhaus” , como era chamada, foi um acontecimento cultural importante e determinante durante a República de Weimar. Como centro de produção cultural e intelectual, enfrentou sérios problemas políticos e ideológicos. Passou por Dessau e encerrou suas atividades em Berlim. A Bauhaus foi um ideal de vários homens, nomes importantes que por ela passaram. Gropius traçou as primeiras linhas do projeto e teve a presença de professores e artistas, de diversas formações , que o ajudaram a colocar em prática o ideal da escola. A Bauhaus foi uma experiência pedagógica no domínio das artes, do artesanato, do design e da arquitetura, que ultrapassou as dimensões físicas como escola, e transformou-se num movimento cultural e artístico internacional. 
As discussões internas da Bauhaus, giravam em torno de objetivos pedagógicos comuns, “naturais” num centro que congregava expoentes tais como Johanes Itten, Lásló Moholy-Nagy, Paul Klee, Wassily Kandinsky, Josef Albers, Gunta Stölzl, Herbert Bayer e Marcel Breuer. As divergências de pensamento contribuíram sobremaneira para reestruturações curriculares e transformações programáticas durante a sua curta e intensa existência. Uma de suas contribuições mais significativas foram as concepções pedagógicas, particularmente a prática da pedagogia da ação. Através das oficinas o ensino prático ganhava força. As disciplinas eram ligadas ao desenvolvimento de projetos. Nas escolas de design, a preferência ao ensino através do fazer prático vinha antes de uma possível contribuição teórica. Na Bauhaus, a execução dos trabalhos baseava-se na “maneira de se fazer as coisas”. O programa de ensino era constituído de dois objetivos básicos: a síntese estética e a síntese socialO primeiro objetivo referia-se à integração de todos os gêneros artísticos e de todos os tipos de artesanato sob a supremacia da arquitetura. O segundo referia-se à orientação da produção estética de acordo com as necessidades de uma faixa mais ampla da população, e não de uma camada social e economicamente privilegiada. Novamente reportando-se a um contexto histórico específico, ou seja, o cenário do pós-guerra. O programa da escola em 1919, apresentava o trabalho artesanal como um componente essencial. Gropius dizia que “o artesanato não era algo isolado mas um meio imprescindível para se chegar a um fim”. 



Para ele, o artesanato constituía uma categoria pedagógica fundamental e representava a forma como o indivíduo aprendia, através do uso das mãos e do manejo técnico dos objetos – influências puramente ativistas. Para Gropius, por mais industrializado que fosse o meio, o artesanato continuava sendo insubstituível enquanto recurso para a aprendizagem. Isto, de certa forma, estabelecia os vínculos das pedagogia da Bauhaus com a pedagogia da ação. A formação artesanal gráfico-pictórica e a formação teórico-científica, constituíam as bases do ensino na Bauhaus. No estatuto de 1921, estas diretrizes foram repetidas, especialmente a noção de educação de todos no artesanato como base unificante. A principal inovação no programa daquele ano foi a institucionalização do curso preliminar, também denomidado de Vorkurs, onde Vor=anterior, antes e Kurs=curso. O ensino do design ganhou novos prismas a partir de então. O curso preliminar permitia ao aluno um autoconhecimento e assegurar-lhe a compreensão das questões fundamentais da criação. O curso preliminar surgiu também como medida corretiva para aproximar artistas e técnicos. Através da prática manual e artística, a estrutura curricular da Bauhaus pretendia incentivar e liberar as forças criativas do indivíduo, bem como promover através da criação, a expressão espontânea e sem inibições de caráter estético ou temático. Propiciava em suas aulas o exercício das habilidades manuais, do intelecto e do emocional, através dos livros e dos trabalhos manuais principalmente. Com fortes características do movimento da Escola Nova, a Bauhaus inovou levando o método para um outro público, o adulto e específico no campo artístico. Tanto em um movimento, como outro, o trabalho manual era considerado o meio mais apropriado para a formação integral do indivíduo. Havia preocupação com o desenvolvimento da sensibilidade do aluno, valorização da educação pelo trabalho e a educação era concebida como um meio para a reforma social. Walter Gropius reuniu pessoas altamente capacitadas em uma instituição. Homems e mulheres, entre alunos e professores uniam-se no ideal de esnino proposto pela Bauhaus. Com habilidade trouxeram para o ensino superior das artes e do design os princípios da pedagogia da ação trazendo com ela uma proposta da formação integral do indivíduo. Em 1925, o governo cortou os subsídios da escola provocando sua transferência para outra cidade, Dessau, também no leste alemão. Lá se construiu uma universidade seguindo os planos de Gropius, que foi fechada pelos nazistas em 1932. A difusão do movimento se deu através de exposições na Alemanha e no exterior, além de publicações. Quando a perseguição nazista se acirrou, seus principais expoentes emigraram para a Inglaterra e os Estados Unidos. Hoje, a Bauhaus de Weimar é uma escola superior, enquanto Dessau abriga a Fundação Bauhaus.




AS FASES DO CURSO NA BAUHAUS



Havia liberdade de criação entre professores e alunos. Esta liberdade restringia-se à exigência de que todas as criações devessem ser unidas pela filosofia de um ideal comum. O currículo da Bauhaus dividia-se em três fases:
1ª FASE - O primeiro semestre era o fundamento da própria Bauhaus. Os estudantes eram introduzidos à filosofia de trabalho da Bauhaus, bem como desvinculavam-se dos métodos e das visões estéticas, idéias de “belo” aprendidos nas escolas primárias e secundárias da época. Inspirava-se nas idéias de Alfred Hozel, da Academia de Stuttgart. Constituía-se de uma preparação para a próxima etapa de estudos. O Vorkurs - literalmente curso preparatório - era um curso exigido a todos os alunos e ministrado nos moldes do que é o moderno curso de Desenho Básico, fundamental em escolas de arquitetura por todo o mundo. Não se ensinava história na Bauhaus durante os primeiros anos de aprendizado, porque acreditava-se que tudo deveria ser criado por princípios racionais ao invés de ser criado por padrões herdados do passado. Só após três ou quatro anos de estudo o aluno tinha aulas de história, pois assim não iria influenciar suas criações. 
2ª FASE - Nesta etapa eram desenvolvidos problemas mais complexos e mais diversificados, como projetos industriais, pintura, escultura, arte publicitária, teatro, arte cênica e dança. Ao concluir esta fase, o aluno recebia o diploma da Bauhaus e podia começar o curso de arquitetura propriamente dito. Um dos objetivos principais da Bauhaus era unir artes, produzir artesanato e tecnologia. A máquina era valorizada, a produção industrial e o desenho de produtos tinham lugar de destaque. O trabalho prático nas oficinas foi a peça central da formação na Bauhaus. Como o ofício foi chamado na época da Bauhaus de Weimar aprendiz, artífice e mestre. Em geral, os alunos dispensados ​​após três semestres de seu exame final. Só depois de uma introdução à Formação de Construção e da conclusão do certificado do mestrado foi fornecida. Os alunos trabalhavam com madeira, metal, cor, tecido, barro, pedra e vidro.
3ª FASE - O currículo direcionava os estudos para o ensino da Arquitetura. O processo envolvia a observação e conhecimento de problemas referentes à construção de casas e edifícios. Os alunos que nesta fase se destacavam, eram orientados a seguir pesquisas individuais no Departamento de Pesquisa da Bauhaus, segundo Sabóia em seu texto. As questões relacionadas à forma e ao artesanato continuavam a ser desenvolvidos nesta etapa do curso. Os alunos recebiam então o Diploma de Mestre da Câmara de Artesanato ou de Mestre da Bauhaus, cujas diferenças na titulação dependiam da pesquisa realizada pelo aluno durante o curso.



Interessante não? Um projeto de socialização da arte, de popularização e do acesso democrático aos bens culturais.
Abaixo, podem pesquisar mais sobre o assunto.


Bom domingo!
Dagmar




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
DICIONÁRIO OXFORD DE ARTE. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 
SABÓIA, Lygia. A Bauhaus. Módulo 5 do Arteduca/IdA/UnB 
STRICKLAND, Carol, Ph.D., Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Modernismo. Ediouro: Rio de Janeiro, 2002.